Juros ficam abaixo de 7% e queda deve persistir em 2018, segundo Copom

Integrantes do Copom retiram da ata da última reunião a expressão "encerramento gradual do ciclo", sinalizando que quedas podem persistir em 2018, e aprovam, por unanimidade, manter a liberdade de ação do colegiado

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postado em 01/11/2017 06:00 / atualizado em 01/11/2017 00:32

Wilson Dias/Agencia Brasil


Os juros podem terminar o ciclo de cortes abaixo de 7% ao ano, sinalizou o Banco Central (BC) por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Assim como no comunicado, divulgado após o último encontro do colegiado, a equipe de Ilan Goldfajn tirou do texto a expressão “encerramento gradual do ciclo”, o que pode indicar reduções da taxa ainda em 2018.


Essa perspectiva ganhou mais força quando o colegiado detalhou no documento que “houve consenso em manter liberdade de ação e adiar qualquer sinalização sobre as decisões futuras de política monetária de forma a incorporar novas informações sobre a evolução do cenário básico e do balanço de riscos”.

Os integrantes do Copom ainda sinalizaram que o corte de juros, que deve ocorrer no próximo encontro do colegiado, marcado para 5 e 6 de dezembro, será de 0,5 ponto percentual. “Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme o esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária.”

Em audiência pública realizada ontem na Comissão Mista do Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, Ilan destacou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminará o ano dentro das margens definidas pelo regime de metas para inflação. Segundo ele, a carestia encerrará 2017 em 3,2% e em 2018 caminhará para 4,3%, perto do centro da meta, de 4,5%.

“Uma parte da queda na inflação neste ano foi causada pelo recuo no preço dos alimentos. E a queda muito forte nesse segmento é boa”, afirmou. “Sem o efeito dos alimentos (deflação de 5%), a inflação neste ano seria de 4,3%, bem próxima da meta”, completou.

Ilan também sinalizou que a tendência é de que a Selic continue em queda. Na semana passada, o Copom cortou pela nona vez consecutiva a taxa básica de juros, em 0,75 ponto percentual, para 7,5% ao ano. “Nós mesmos sinalizamos um recuo moderado na Selic à frente, se tudo correr como imaginamos. No médio prazo, temos todas as condições de ter uma taxa estrutural menor”, afirmou o presidente do BC.

Controle


Segundo ele, a política monetária tem controlado a inflação e permitido o crescimento econômico. “De fato, o presente processo de flexibilização monetária tem levado à queda das taxas de juros reais (juros nominais menos inflação) e tende a estimular a economia. Essas taxas, estimadas usando várias medidas, se encontram entre 2,5% e 3,1%, valores próximos aos mínimos históricos”, afirmou.

Na avaliação do presidente do BC, a aprovação da reforma da Previdência e outros ajustes na economia permitirão que a taxa de juros estrutural seja menor ao longo do tempo. “Na década de 1990 tínhamos uma taxa real de 20%, há 10 anos, a taxa real era de 10% e hoje, os juros reais estão entre 2,5% e 3%. Então hoje temos a condição de termos uma taxa estrutural menor”, acrescentou.

Ele ainda comentou que o cenário internacional tem se mostrado favorável às economias emergentes de maneira geral e para o Brasil em particular. “A atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar em demasia as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes, proporcionando um ambiente mais sereno no mercado”, disse.
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