Produção industrial cresce 0,4% após 39 quedas consecutivas

Especialistas consideram que resultado consolida retomada da economia, uma vez que o segmento impulsiona outros, como os de transporte e serviços

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postado em 02/11/2017 06:00


A indústria, enfim, consolida a retomada prevista para 2017. No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, a produção de manufaturados subiu 0,4%. O resultado interrompeu uma série de 39 quedas consecutivas nessa base de comparação. Ou seja, desde maio de 2014 a atividade se encontrava em retração. O desempenho do setor é importante, pois corrobora a expectativa do mercado e da equipe econômica de reação no Produto Interno Bruto (PIB).

 

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A indústria retroalimenta outras atividades, como a de serviços. Uma melhora do setor leva as empresas a demandarem mais serviços de transportes, em um movimento importante para fazer a economia voltar a girar. Como consequência, a geração de riquezas contribui para a criação de empregos e aumento da renda.

Os sinais de melhora não são recentes. O tombo da produção industrial atingiu o pico em junho do ano passado, de queda de 9,7% no acumulado em 12 meses, segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde então, os recuos passaram a ser mensalmente menores. O resultado de setembro, no entanto, solidificou as expectativas do mercado de crescimento ao fim do terceiro trimestre.

Embora a retomada esteja consolidada, analistas de mercado evitam usar o termo “recuperação” para definir o momento pelo qual o setor atravessa. A Tendências Consultoria, por exemplo, prevê, no fim do ano, uma alta de 2,4%. Resultado que não cobre os quase 18% de queda entre 2014 e 2016.

As expectativas, no entanto, são boas para os próximos meses. O analista Thiago Xavier, da Tendências, acredita que o crescimento da produção industrial se manterá em 2018. “O ritmo de moderada expansão do setor deve se sustentar por uma perspectiva subsidiada pela ampliação de vagas de empregos, estoques em níveis normais e pelo ciclo de elevação da confiança industrial”, analisou.

Outra perspectiva de melhora na atividade virá de uma retomada gradual da demanda doméstica, prevê Xavier. Tal reação, por sinal, também já é uma realidade. No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, a indústria de bens de consumo subiu 0,8%. É a segunda alta consecutiva depois de mais de três anos de retração. O avanço tem sido puxado pela indústria de bens duráveis, que subiu 8,9% na mesma base de comparação.

Crédito

Dentro dos bens de consumo duráveis, destaca-se a indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias. No acumulado em 12 meses, este segmento subiu 12,7%, tendo registrado o segundo maior crescimento entre as 26 subatividades pesquisadas. Em todas as bases de comparação, essa categoria figura com resultado positivo. Embora uma parcela do resultado positivo venha da reação das exportações, houve também um crescimento no mercado interno.

A redução da taxa básica de juros (Selic) possibilitou ajustes no mercado de crédito e a tomada de financiamentos e empréstimos a custos mais baixos. Com um cenário mais propício para acomodar dívidas no orçamento, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, avalia que a retomada da indústria é fruto dos impactos positivos propiciados pela desaceleração da inflação e por melhores condições de crédito para as famílias. “A menor inadimplência resulta no aumento do consumo. E isso começa a impactar a indústria, que gerou crescimento da produção. Com isso, ao fim do ano, devemos observar uma alta entre 2,5% e 3%”, avaliou.

Há, no entanto, quem faça ressalvas quanto ao ritmo de retomada da indústria. O economista Rafael Cagni, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), avalia que o setor ainda apresenta um baixo dinamismo. Ele destaca que, quando analisado na comparação mensal, dos nove resultados no ano, só em abril e maio, a produção cresceu acima de 1%. “Existe um processo de crescimento, só que é baixo e está perdendo fôlego”, sustentou. (Colaborou Hamilton Ferrari)



  • Alta do gás

    A Petrobras informou, ontem, que decidiu reajustar os preços de comercialização às distribuidoras do gás liquefeito de petróleo (GLP) destinado aos usos industrial e comercial a partir de hoje, no percentual médio de 6,5%. Em nota, a estatal esclareceu que esse reajuste não se aplica aos preços do GLP de uso residencial, comercializado pelas distribuidoras em botijões de até 13 kg (conhecido como gás de cozinha).
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