BNDES: desembolso deve fechar em R$ 77 bi; em 2018, será de R$ 97 bi

Rabello disse ainda que o governo precisa atuar para que o PIB no ano que vem cresça até 5% e que o BNDES deve contribuir

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postado em 06/11/2017 14:25 / atualizado em 06/11/2017 17:23

José Cruz/Agência Brasil
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, estima que o desembolso no fechamento de 2017 será de R$ 77 bilhões, "ligeiramente inferior aos R$ 80 bilhões" inicialmente projetados. Para este mês e dezembro, ele conta com o acréscimo de R$ 1 bilhão por meio do BNDES Giro, voltado para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).


"Para o próximo ano, estamos ambicionando chegar a R$ 97 bilhões (de desembolso total), o que acrescentaria cerca de 30% a mais, compatível com um País que ressuscita dos mortos, para os 3% (de crescimento do PIB) programados para o ano que vem", acrescentou, após participar de palestra no Fórum Exame - RJ.

Rabello disse ainda que o governo precisa atuar para que o PIB no ano que vem cresça até 5% e que o BNDES deve contribuir. "Estamos vindo estatisticamente de um fundo de poço. Não significa uma virtude extraordinária crescer até 5%. É uma certa obrigação nossa tentar", afirmou.

Virada

O presidente do BNDES afirmou que é preciso "colocar com pragmatismo o ano de 2018 como o da virada". "Os candidatos têm que vir com a ideia de que têm que fazer a virada", disse, acrescentando que o banco estará à disposição dos candidatos a governar o Rio de Janeiro. Em sua opinião, o Rio, hoje, está em "estágio terminal".

Ele criticou qualquer proposta de aumento de alíquota de imposto, como a do ICMS, e também a ideia de que um único setor, como o de petróleo e gás natural, pode sustentar toda a economia. Ao mesmo tempo, disse esperar que o retorno das realizações dos leilões de petróleo e gás ajude no processo de recuperação do Estado.

Durante palestra, Rabello voltou a destacar a importância de melhorar o acesso das micro, pequenas e médias ao BNDES, que, segundo ele, vai melhorar a partir do ano que vem, com o uso de novas tecnologias.

Lava-Jato

Ele ainda criticou os efeitos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, na economia. "Junto com a água suja da corrupção, jogamos o bebê das obras e entregas fora", afirmou. E destacou que, dentro do BNDES existe um grupo para estudar o Rio de Janeiro.

Reservas

Apesar de negar qualquer definição de que será candidato nas eleições de 2018, Rabello de Castro, lançou, em evento, novos planos de continuidade da recuperação da economia para o período posterior ao do governo de Michel Temer, do qual faz parte. Entre eles, está a utilização das reservas internacionais para acelerar desestatizações e para formar garantias para a Previdência Social.

"É até possível pensar em esquemas de estruturação de negócios, inclusive num processo de desestatização, que possa ser antecipado com alguma pequena parcela, de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões, desse conjunto que compõe as reservas internacionais, sem nenhuma afetação em matéria de segurança. Precisamos ter criatividade e seguir com as reformas encaminhadas", afirmou.

Sem detalhar os planos de utilização das reservas internacionais para privatizar empresas públicas, Rabello disse apenas que a ideia é, com o dinheiro, criar um fundo offshore que seria utilizado para acelerar a venda de estatais, como a Eletrobras, que funcionaria também como lastro financeiro para a Previdência.

"O que precisamos ter é uma proposta moderna. Por exemplo, a Previdência brasileira, hoje não tem tangibilidade, porque não tem lastro algum. Ficamos só na discussão de como taxar os contribuintes de hoje para pagar os beneficiários de hoje, sem nenhum lastro, nenhuma garantia física. Essa garantia física está no patrimônio hoje detido pela União, que deveria, em princípio, a médio prazo, passar a ser detido por um fundo previdenciário brasileiro", afirmou. Ele acrescentou ainda que parte do fundo offshore seria vendido à iniciativa privada.

Em sua opinião, ao combinar privatização de estatais com Previdência Social, o governo conseguiria "desestatizar para todos". "Na etapa anterior, o princípio utilizado foi só de desestatização para dois ou três. Temos que ter uma desestatização para 200 milhões", disse.
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