Luz e gás pressionam IPCA e inflação fecha outubro em alta de 0,42%

Em 12 meses, índice atinge 2,70%, abaixo do piso da meta, de 3%. Alimentos contribuem para manter o indicador sob controle, com queda de 0,05%. A expectativa, no entanto, é de que, com o fim da safra, os preços subam

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postado em 11/11/2017 08:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press


Puxada pela alta no preço da energia e do botijão de gás, a inflação subiu 0,26 ponto percentual e alcançou 0,42% em outubro. No acumulado do ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 2,21%, melhor resultado para o período desde 1998. Segundo especialistas, a tendência é que o indicador suba nos próximos meses com o encarecimento dos alimentos.


Em outubro, o grupo de gastos habitacionais foi o que mais aumentou. Subiu 0,21 ponto percentual, chegando a 1,33%. A alta foi causada pela elevação de 4,49% no preço do gás de botijão — depois de um reajuste médio de 12,90% nas refinarias da Petrobras — e de 3,28% no valor da energia, com a bandeira tarifária vermelha 2. Houve também alta de tributação do PIS/Cofins, que impulsionou maiores reajustes nas tarifas em algumas unidades da Federação, como no Distrito Federal, que expandiu em 6,84%.

Considerando os últimos 12 meses, o IPCA ficou em 2,7% e deve encerrar o ano entre 3,01% e 3,08%. Com isso, a inflação para os últimos dois meses de 2017 deve ficar entre 0,4% e 0,5%. As altas mais expressivas devem ocorrer pela recuperação dos preços dos alimentos devido ao fim da safra agrícola de 2017, que em outubro, pelo sexto mês consecutivo, impulsionou a queda no grupo dos alimentos, que recuou 0,05% no mês passado — recuo bem menos intenso do que o registrado em setembro, de 0,41%.

Para Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo, a tendência é que os preços dos alimentos subam nos próximos meses, se estendendo ao próximo ano. “2017 foi excepcional. A boa safra agrícola resultou numa queda dos preços, mas é difícil que isso se repita em 2018”, disse.

O advogado Rafael Fernandes, 35 anos, reclama da conta de luz. Segundo ele, o acréscimo é desproporcional à realidade e, por isso, está usando de gerador de energia. A medida fez com que ele economizasse R$ 330. “Eu já senti um aumento de 60% na energia da minha casa. Além do gerador, estamos diminuindo o uso de eletrodomésticos, lavando roupas só uma vez na semana e tomando banhos mais rápidos”, declarou. Além disso, ele também reclamou do preço do botijão de gás. “Não estamos tendo condições de manter esses aumentos constantes. Daqui a pouco cozinharemos em fogão a lenha”, lamentou.

Brasília


Brasília é a única capital pesquisada com a inflação acima de 4% no acumulado de 12 meses. O IPCA fechou em 4,12% na cidade nesse período. Os consumidores estão insatisfeitos, principalmente, com os gastos de transporte. Segundo Fernando Gonçalves, técnico de pesquisa do IBGE, o que mais contribuiu para o aumento da inflação foram a tarifa de ônibus e o preço dos combustíveis.

“No acumulado de 12 meses encerrados em outubro, a gasolina subiu 12,82%, com um impacto de 0,65 ponto percentual no índice. Já as passagens encareceram 25%, resultando num impacto de 0,62 ponto percentual”, declarou. Descontando o efeito dos grupos, a inflação ficaria em 2,85% no período.
Para o professor Mário Torres, 74, além dos preços abusivos, a justificativa para a variação de valores da gasolina é falaciosa. “Dizem que o preço é flutuante, mas nós só conseguimos ver aumento, principalmente no gás de cozinha e na gasolina”, criticou.

*Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira
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