Varejo cresce 0.5% em setembro, diz pesquisa do IBGE

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, as vendas no varejo registraram uma alta de 6,4%

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postado em 14/11/2017 22:17

Em uma época em que a economia demonstra lenta recuperação, o comércio varejista nacional cresceu 0,5% no mês de setembro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O aumento compensa o recuo de 0,4% em agosto, quando foi interrompido a expansão de quatro meses consecutivos, período no qual as vendas acumularam ganho de 2,3%. 
 
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, as vendas no varejo registraram uma alta de 6,4%, o que indica uma tendência de recuperação e uma pequena aceleração no ritmo de vendas. Segundo especialistas, esse aumento do comércio revela uma maior confiança dos consumidores e do próprio setor. 

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Alex Agostini, analista da Austin Rating, afirmou que o resultado o surpreendeu de uma forma positiva. “Eu dou destaque a uma melhora nas expectativas na confiança do consumidor na economia. Esse fato vem ocorrendo há mais de 12 meses e, em algum momento, essa confiança se transfere para o comércio”, opinou. Segundo ele, apesar de o cenário ainda ser restritivo por causa do desemprego e a recuperação  ainda estar em andamento, a expectativa é de que o varejo feche o ano com uma alta de 1,5% a 2%. “É um excelente resultado se considerarmos que 2016 fechou com uma queda de 6%. Devemos ter o mesmo desempenho das vendas de 2014, mas em termos de volume, ainda demora um pouco mais para recuperar", explica. 
 
Ele afirmou, ainda, que um crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) de serviços, no qual o varejo entra, mostra que, de fato, a recuperação econômica se espalhou. “Traz uma importância muito grande para 2018, revela uma consistência na recuperação”, observou. Para o próximo ano, ele destacou que, embora as variáveis macroeconômicas não causem grandes preocupações, dois fatores de risco devem ser monitorados para não causarem instabilidade econômica: a corrida eleitoral e as tensões geopolíticas, principalmente externas. 
 
Os dados mostram que a recuperação das vendas está disseminada por diversos setores. O resultado para hiper e supermercados mostra aumento de 6%, a maior alta mensal desde abril de 2014. A venda de artigos farmacêuticos e medicamentos subiu 8,3%, a maior desde março de 2015. Com alta de 16,6%, o setor de móveis e eletrodomésticos teve a maior expansão desde março de 2012.
 
Conforme a pesquisa divulgado pelo IBGE, cinco dos oito setores pesquisados registraram alta nesse período, são eles: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; outros artigos de uso pessoal e doméstico; tecidos, vestuário e calçados; equipamentos e material para escritório, informática e comunicação.
 
O economista da CNC Antonio Everton, revelou que, em virtude do otimismo nos indicadores de confiança dos empresários e do consumo das família, a expectativa de vendas para o natal subiu de 4,3% para 4,8%. “Fizemos um estudo sobre 214 itens mais consumidos no final do ano e registramos uma deflação de -1.1%, esse dado ajuda a explicar o melhor aumento do consumo. Ou seja, o preço cai e a demanda aumenta”, afirmou. 

Para ano que vem, a expectativa da CNC é alinhada ao mercado. De acordo com ele, a previsão é de que a economia cresça em torno de 2,5%. “Inflação baixa, queda de juros, dólar estável, aumento das exportações são fatores que têm contribuído para que a economia se descole desse momento ruim de 2015 e 2016”, disse. No entanto, Everton lembrou que para que a economia continue nessa recuperação gradual, há uma dependência das reformas de estado. Além disso deve ser observado um aumento na oferta de empregos, um aumento da renda das famílias. “Todos esses fatores dão uma combustão positiva para o consumo e o mercado do comércio”, complementou. 

O economista  João Morais, da Tendências Consultoria, disse que os dados demonstram uma retomada da tendência de recuperação do setor, interrompida em agosto. “Essa retomada não é nenhuma grande novidade, de fato agosto e julho foram meses com um enfraquecimento mas em setembro tudo foi retomado e esse resultado só confirma isso. É o varejo se recuperando em linha com a melhora econômica de 2017, com destaque para o consumo”, analisou. 

João Morais frisou o crescimento do consumo das famílias, 0,7%. “Podemos falar, no relativo, que o consumo das famílias cresce junto do PIB.Para 2018, não esperamos grandes mudanças o varejo restrito deve ficar em 2,5% e o ampliado em 4%, isso indica que o ritmo de crescimento é mantido e o cenário consolidado”, avaliou. Ele completou que o processo que se encaminhou durante 2017 gerará um cenário mais firme para 2018, principalmente para o campo de empregos. “Prepara um cenário de empregos muito melhor para 2018”, finalizou. 

*Estagiária sob supervisão de Ana Letícia Leão.
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