Fintech: empresas que unem finanças e tecnologia atraem milhões de clientes

Fenômeno no mercado brasileiro, as fintechs unem finanças e tecnologia e desafiam instituições financeiras, atraem milhões de clientes e geram oportunidades

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postado em 27/11/2017 06:00 / atualizado em 26/11/2017 22:50



São Paulo —
 “O Vale do Silício está chegando”. O alerta de Jamie Dimon, presidente do J.P. Morgan, maior banco dos Estados Unidos, virou realidade no mercado que sua instituição domina há mais de um século. Entre 2015 e 2017, o número de startups voltadas ao atendimento de serviços financeiros cresceu de forma avassaladora. A maioria delas nasceu no vale mais famoso do mundo e revolucionou um setor pouco acostumado a mudanças.

No mercado brasileiro, as fintechs também se tornaram um fenômeno. Um levantamento da Fintechlab, observatório do setor no país, mapeou 244 empresas em 2017, ante 54 em 2015. Antes concentradas nos serviços de pagamentos on-line, hoje elas atuam na gestão financeira, concessão de empréstimos, investimentos, funding, seguros, negociação de dívidas, câmbio e multisserviços.

A expansão é resultado de uma série de fatores que os especialistas chamam de “tempestade perfeita.” Ela começou com a crise de 2008, quando bancos enfrentaram uma série de dificuldades, passou pelo crescimento da internet em todas as áreas e culminou com o aumento da penetração dos smartphones. É nesse ambiente que as fintechs, a maioria delas criadas por jovens empreendedores, se reproduzem na velocidade das novas tecnologias e já desafiam instituições bancárias tradicionais.
No Brasil, algumas empresas cresceram tanto que se tornaram referência para empreendedores. É o caso do Nubank, que conta com uma base de mais de 2,5 milhões de clientes – número notável considerando que a empresa foi fundada há apenas 4 anos. Outras 400 mil pessoas estão na fila de espera. Uma das explicações para o desempenho é a combinação de preços baixos com alta capacidade de inovar. Segundo Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, sua empresa surgiu para resolver um problema real da população jovem, que quer gerenciar gastos e usar o cartão de crédito de maneira digital.

Além do Nubank, que só no ano passado recebeu aportes de US$ 134 milhões e uma linha de crédito de US$ 100 milhões do Goldman Sachs, outras empresas da área de multisserviços estão se capitalizando. O Guiabolso e o BankFacil receberam em 2016 US$ 60 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. O mercado não para de crescer. “Nos últimos anos, apoiamos cerca de 40 projetos que totalizaram R$ 500 milhões em investimentos”, afirma Renato Ramalho, sócio da A5 Venture Capital e um “veterano” no mercado de startups.

A onda deve continuar. “O momento é oportuno para acreditar no potencial de retorno dos investimentos em startups brasileiras”, diz Pierre Schurmann, ex-presidente da StarMedia, uma das gigantes do mercado na primeira fase da internet brasileira, em 1999. Hoje, junto com o sócio João Kepler, toca a Bossa Nova Investimentos, que contabiliza mais de 150 startups apoiadas.

Otimista, Schurmann acredita que os próximos anos serão intensos para o mercado digital brasileiro. Segundo ele, com a base crescente de smartphones (até 2019, a previsão é de que serão 236 milhões de telefones inteligentes em uso no país), o novo mercado avançará ainda mais. “A economia dá sinais claros de melhora e não é mais preciso um caminhão de dinheiro para colocar uma startup de pé”, diz. “Quem entender esse movimento terá bons resultados nos próximos anos”.

Segundo um estudo da consultoria Accenture, até 2020 as fintechs poderão fisgar até 35% das receitas dos bancos. Não à toa, as instituições tradicionais começaram a se mexer. Recentemente, o Banco do Brasil e o Bradesco lançaram a plataforma digital Digio, que pretende chegar ao primeiro milhão de clientes até o final de 2017. Na semana passada, o Itaú Unibanco anunciou o Credicard Zero, seu primeiro cartão digital nos mesmos moldes do Nubank, sem cobrança de anuidade e com plano de benefícios gratuito.

O Universo Fintech no Brasil


244
empresas em 2017 

54
em 2015

R$ 1 bilhão
de investimentos em 2016

Localização
65% São Paulo
11% Rio de janeiro
6% Belo Horizonte
  
Mercado
32% Serviços de pagamento
18% Gestão financeira
13% Empréstimos

Fonte: Report FintechLab 2017
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