Alta da gasolina em postos do Distrito Federal chega a 9,8%

Em 28 estabelecimentos pesquisados pelo Correio , 24 aumentaram o valor do combustível

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postado em 28/11/2017 06:00 / atualizado em 27/11/2017 23:13

Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press


Os consumidores que deixaram para abastecer o carro no fim de semana levaram um susto. Em 28 postos pesquisados pelo Correio, 24 aumentaram os preços da gasolina, três abaixaram e um manteve o valor cobrado em 21 de novembro. Ontem, no Distrito Federal, era possível encontrar o litro do combustível sendo vendido a R$ 4,50, no Sudoeste. Alguns estabelecimentos não aliviam nem para quem paga com débito ou dinheiro, cobrando R$ 4,47. Mais do que o valor, o consumidor é penalizado pela disseminação de reajustes. “Está muito difícil encontrar gasolina mais em conta”, diz Luiz Oliveira, dono de um CrossFox.


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O aumento nos postos, na opinião dos consumidores, é desproporcional aos ajustes nas refinarias. Ao longo dos cinco dias, após a última pesquisa do Correio, a Petrobras autorizou três reajustes nas refinarias: uma queda de 2,6%; uma alta de 5,1%; e um recuo de 0,3%. O acumulado dessas três variações representa uma elevação média de 2,2% no período.

Na pesquisa realizada ontem, no entanto, o que se observou foram aumentos de até 9,8%. Foi o que ocorreu no posto localizado na altura da 103 Sul, no Eixo W. Em 21 de novembro, o litro da gasolina custava R$ 4,07. Agora, está a R$ 4,47. Dos 24 revendedores que subiram o valor do combustível, apenas um reajustou abaixo da variação acumulada de 2,2%: o localizado na altura da 210 Norte, no Eixo L, com alta de 1,2%.

A elevação do preço do litro da gasolina é uma preocupação não somente para o consumidor, mas também para a economia. Prestadores de serviços no setor de transportes que abastecem o veículo com o combustível podem, naturalmente, repassar para a matriz de preços o aumento de despesas. Como consequência, a inflação tende a ser pressionada.

Disseminação

 


Essa possibilidade aflige o bancário André Joaquim, 49 anos. “Aumento da gasolina costuma vir sempre acompanhado de aumento do diesel. E isso impacta valores de produtos vendidos nos supermercados e nas farmácias”, diz. O aumento da gasolina o levou a reduzir gastos com supérfluos alimentícios, e até de serviços de telecomunicação. “Liguei na operadora esses dias pedindo para reduzir o pacote”, conta.

O aumento de despesas com o combustível tem impactado o orçamento e os ganhos do técnico de radiologia Franklin dos Santos, 25, que também completa a renda dirigindo um Uber. Em setembro, quando ele conseguia abastecer o carro por R$ 2,94 o litro, conseguia tirar R$ 1,2 mil líquido por semana. Hoje, com a gasolina mais cara, estima que os rendimentos recuaram quase 60%. “É uma situação incômoda. Acabei precisando reduzir os gastos com lazer com minha esposa e filhas”, critica.

Para quem não pode abrir mão do carro, a única opção é pesquisar. Entre os postos consultados, o preço do litro varia até R$ 0,47. Caso haja espaço no orçamento para pagar em dinheiro ou débito, vale a pena procurar um estabelecimento que diferencie o preço, já que, no crédito, o custo pode ficar, em média, R$ 0,10 mais caro.

Memória

Política de reajustes

A oscilação de preços praticados pelos postos de combustíveis é fruto da nova política de reajustes da Petrobras, anunciada em 30 de junho e em vigor desde 3 de julho. O modelo de correção dos custos é pautado conforme avaliações de todas as condições do mercado. Pesam nas análises questões como o câmbio e as cotações internacionais do barril do petróleo. Dessa forma, os ajustes ocorrem quase que diariamente.

Tantas flutuações de preços, no entanto, tem desagradado os consumidores. Para o operador de telemarketing Jezer Campos, 25 anos, tal escalada de preços é incompreensível. Ele recorda que, em julho, quando a nova política de correções da Petrobras entrou em vigor, encontrava o litro da gasolina a um valor bem próximo de R$ 3. Naquele mês, o custo médio no Distrito Federal ficou em R$ 3,36, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A gasolina sendo vendida, em média, a R$ 4,28, significa que houve um aumento de 27,4% em relação ao preço médio de R$ 3,36 observado em julho. Neste mesmo período, a variação acumulada dos reajustes autorizados pela Petrobras nas refinarias foi de 21,54%. (RC)
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