PIB cresce apenas 0,1% no 3º tri, abaixo das previsões do mercado

No lado da produção, esse crescimento do PIB foi puxado pela indústria, que cresceu 0,8%, e pelos serviços, que avançaram 0,6%

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postado em 01/12/2017 09:26 / atualizado em 01/12/2017 12:59

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (01/12), somando R$ 1,641 trilhão. Essa alta na margem é a terceira consecutiva das contas nacionais no ano, interrompendo de vez o ciclo recessivo iniciado no primeiro trimestre de 2015. No entanto, o resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, que giraram em torno de 0,3% e 0,4%, conforme especialistas ouvidos pelo Correio.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, ressaltou que essa discrepância dos dados do mercado é natural. “É normal no terceiro trimestre o mercado errar mais as previsões do que nos outros porque sempre faz uma revisão grande feita pelo Instituto”, destacou ela, lembrando que foram apresentados novos dados de 2016 e 2017 após as contas definitivas do PIB depois das contas anuais definitivas de 2015.

No lado da produção, esse crescimento do PIB foi puxado pela indústria, que cresceu 0,8%, e pelos serviços, que avançaram 0,6%.  A agropecuária contribuiu negativamente, após ter impulsionado o PIB no primeiro semestre, encolhendo 3%. Rebeca reconheceu que essa retração foi bem forte, principalmente, devido à queda da produção de açúcar, mas o crescimento de 0,6% acumulado é resultado do desempenho do setor agrícola, principalmente. No lado da despesa, o consumo das famílias e os investimentos foram os responsáveis pelas maiores altas trimestrais: 1,2% e 1,6%, respectivamente. Na mesma base de comparação, os gastos do governo recuaram 0,2%. As exportações avançaram 4,1% , mas as importações encolheram 6,6%.

“O consumo das famílias continua em alta e, como representa 60% do PIB, o desempenho desse indicador é o que mais puxou o PIB do terceiro trimestre para cima. E isso ajudou a elevar o desempenho de serviços, pois a atividade que mais cresceu foi o comércio, que está relacionado à retomada do consumo dos brasileiros”, explicou Rebeca. Ela lembrou que a volta do crescimento dos investimentos após o forte ciclo de queda de 15 trimestres foi bastante positivo para o resultado das contas de julho a setembro. Essa alta de 1,6% no terceiro trimestre foi decorrente do aumento da produção de máquinas e equipamentos e também da importação de bens de capital. “Isso mostra uma recuperação da produção que poderá se prolongar”, apostou.

A taxa de investimento do terceiro trimestre ficou em 16,1% do PIB e a de poupança, em 15,2%. No mesmo período de 2016, esses indicadores estavam em 16,3% e 14,9%, respectivamente. Para Rebeca, apesar da queda no investimento em relação ao PIB na comparação anual, o ritmo de queda vem sendo cada vez menor.
Em relação ao mesmo período de 2016, a alta do trimestral do PIB foi de 1,4% e, no acumulado em 12 meses, a retração é de 0,2%. No acumulado do ano, a alta foi de 0,6%.

O IBGE revisou as séries trimestrais desde 2015. A queda de 2016 passou de 3,6% para 3,5%, mesmo percentual de recuo do ano anterior. A variação anual dos primeiros três meses deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior passou de -0,4% para 0,0%. No segundo trimestre, a alta de 0,3% subiu para 0,4% na mesma base de comparação.

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