Eurogrupo elege novo presidente para uma Eurozona renovada

Mário Centeno, um ministro independente dentro do governo socialista liderado por António Costa em Lisboa, sai como favorito para suceder Dijsselbloem

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postado em 04/12/2017 14:04 / atualizado em 04/12/2017 14:14

AFP / EMMANUEL DUNAND


Os ministros das Finanças dos 19 países do euro elegem nesta segunda-feira o presidente que deverá guiá-los durante os trabalhos de reforma da Eurozona, cargo que tem como favorito o português Mário Centeno. Eleito para um mandato de dois anos e meio, o presidente do Eurogrupo comanda as reuniões mensais do bloco da moeda única europeia, cujo objetivo principal é coordenar as políticas econômicas nacionais em uma Eurozona que, nos próximos anos, aspira uma integração maior. E representa ainda um dos cargos de maior peso na União Europeia (UE), ao lado dos presidentes da Eurocâmara, Antonio Tajani, da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk - todos conservadores -, e da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini (social-democrata).
"Penso que a eleição acontecerá em duas ou três fases", afirmou uma fonte europeia sobre a votação na tarde desta segunda-feira entre os quatro ministros candidatos: Centeno, a letã Dana Reizniece-Ozola, o eslovaco Peter Kazimir e o luxemburguês Pierre Gramegna. O primeiro a obter 10 dos 19 votos de seus colegas sucederá o holandês Jeroen Dijsselbloem, que presidiu o organismo intergovernamental por cinco anos, marcados pelo resgate da Grécia e a crise da dívida.

Liberal em governo socialista

Mário Centeno, um ministro independente dentro do governo socialista liderado por António Costa em Lisboa, sai como favorito para suceder Dijsselbloem, que deixou de ser ministro holandês após o fracasso de seu partido trabalhista nas eleições legislativas de março. Apesar de o português ser considerado centrista e até liberal nos círculos econômicos, a afiliação socialista do Executivo português e a ausência de candidato do Partido Popular Europeu (PPE, direita) favorece sua candidatura.

"Gostaria de agradecer o apoio de toda a família socialista ao candidato que apresentamos para a presidência do Eurogrupo e à sua eleição na segunda-feira", disse Costa neste fim de semana na capital belga, onde aconteceu uma reunião do Partido Socialista Europeu. Centeno conta também o apoio da Grécia de Alexis Tsipras (esquerda radical), para quem sua candidatura traz "esperança", além da "afinidade ibérica" do ministro espanhol Luis de Guindos (conservador), que concorreu contra Dijsselbloem em 2015 sem sucesso.

Apesar de pertencer também à social-democracia europeia, sua falta de fluência em inglês e a intransigência durante a crise grega poderia ir contra a candidatura do eslovaco Kazimir, enquanto sua oposição no passado à entrada na zona do euro afetaria a da letã Reizniece-Ozola. 

Futuro da zona do euro 

O sucessor do holandês deverá conduzir os trabalhos já lançados para reformar a zona do euro e, neste sentido, Centeno se comprometeu na quinta-feira a "contribuir para a formação de consensos necessários para completar a União Econômica e Monetária". O português é "um dos candidatos" que "cumpre os três critérios": "competência, experiência e uma visão para uma zona do euro mais integrada", disseram na quinta-feira fontes do entorno do ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, antes de serem anunciados os candidatos. 

Neste contexto, a oposição do luxemburguês a uma maior integração fiscal poderia frear suas opções para liderar o Eurogrupo, cujo primeiro presidente foi seu compatriota Juncker (2005-2013). Este último não veria com bons olhos a eleição de Gramegna, segundo diversas fontes europeias.

Os ministros, reunidos com todos seus equivalentes da UE, exceto o britânico, devem tratar, em seguida, o futuro do euro, com temas que polêmicos, como capacidade orçamentária da zona do euro, ou simplificação da legislação tributária europeia. Dijsselbloem vai comandar os debates de 15 de dezembro em uma cúpula de mandatários na UE, antes de ser substituído a partir de de janeiro pelo futuro presidente do Eurogrupo.
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