Empresários analisam desempenho do Brasil em 2017 e fazem planos para 2018

Para ter um panorama mais preciso das ambições das companhias no ano que vem - e registrar de que forma elas podem contribuir para virar de vez a página da crise - a reportagem entrevistou empresários, executivos e representantes de entidades setoriais

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postado em 07/12/2017 06:00 / atualizado em 07/12/2017 08:31



São Paulo — 
A economia brasileira está longe de deslanchar, mas ela atingiu aquele ponto em que já é possível afirmar com certeza: a questão não é saber se o país vai crescer, mas quanto. Todas as projeções mostram um salto mínimo de 2,5% em 2018, mas há quem fale em avanço de 4%, o que seria o melhor resultado desde 2010. Para ter um panorama mais preciso das ambições das companhias no ano que vem — e registrar de que forma elas podem contribuir para virar de vez a página da crise — a reportagem entrevistou empresários, executivos e representantes de entidades setoriais. O resultado da consulta indica um futuro promissor, mas ainda com enormes desafios.

 

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“No ano que vem, vamos injetar a maior parte do nosso ciclo de R$ 1,5 bilhão de investimentos, que termina em 2021”, afirma Roberto Cortes, presidente da MAN para a América Latina. “Independentemente de cenário positivo ou negativo, temos que estar sempre investindo para não perder a capacidade de competir. Em 2018, as vendas vão crescer cerca de 10%. É um número bom, mas que ainda não recupera a queda de 70% nos últimos cinco anos. De qualquer forma, só o fato de a economia estar em uma trajetória de alta é algo a se comemorar.”

A indústria começa de fato a se recuperar depois de três anos consecutivos de queda livre. Nesta semana, saíram os novos resultados do setor. Em outubro, a produção industrial cresceu 0,2% na comparação com o mês anterior, um avanço apenas tímido. O importante, nesse caso, é comparar o período atual com o mesmo mês do ano passado. Se isso for feito, o salto chega a 5,3%, ou à sexta taxa positiva seguida. Para 2018, as projeções são ainda mais otimistas. “Vamos investir em inovação e lançamento de novas linhas de produtos em 2018 para enterrar, definitivamente, essa angustiante fase de recessão que atravessamos”, diz Cleber Morais, presidente da Schneider Electric.

Apesar dos ventos favoráveis, a indústria está longe de recuperar o rigor. Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho está angustiado com a perda de relevância do setor. “Em 2018, a indústria deve fechar com 11,1% de participação no PIB. Com esse resultado, regrediremos 65 anos”, afirma. Qual é a saída? “Temos a expectativa de que a reforma da Previdência passe, mas é preciso também acelerar a Reforma Tributária. O problema é que discutimos isso há 30 anos e nenhum governo assume essa bandeira. Quem sabe a partir de 2019.”

Os problemas afligem diversos segmentos da indústria. O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, diz que as empresas do setor químico não têm investimento previsto pelos próximos cinco anos devido à grande capacidade ociosa, com uma média acima de 20%. Segundo o executivo, mesmo que o país volte a crescer, as empresas vão utilizar essa capacidade para atender uma possível expansão da demanda.

Além da ociosidade, ele reclama do alto custo das matérias-primas e da energia utilizadas na produção. No Brasil, o preço do nafta é 102% superior aos valores praticados em outros países concorrentes. Por aqui, o gás custa três vezes mais do que nos Estados Unidos e a energia elétrica é 40% mais cara. “É lamentável essa elevada capacidade ociosa e esses custos que quase inviabilizam a nossa atividade”, diz Figueiredo.

Em relação à previsão do governo, de que o PIB brasileiro crescerá em torno de 2% em 2018, o executivo diz que, se isso realmente acontecer, o setor químico deverá avançar 2,25%. “É uma vergonha comemorar um crescimento de 2% para um país com o potencial do Brasil”, critica o chefe da Abiquim.

Alguns setores estão em situação bem mais confortável. Poucos deles apresentam perspectivas tão favoráveis quanto o varejo. Com o consumo em alta e a volta da confiança dos brasileiros, as grandes redes começam a faturar alto. “O ano de 2017 foi fantástico para a nossa empresa”, diz Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, lembrando que as ações de sua companhia foram as que mais se valorizaram na bolsa. “Acredito que 2018 será um ano que nos fará esquecer a crise recente, com a volta dos bons indicadores ao varejo. As vendas já estão crescendo e, se tudo continuar caminhando para frente, teremos um 2018 muito melhor.”

O mesmo otimismo é observado no turismo. “A demanda que ficou reprimida durante a fase mais aguda da recessão voltará com força em 2018”, diz Guilherme Paulus, fundador da CVC e atual presidente do grupo hoteleiro GJP. “Ainda não sei qual será o valor dos nossos investimentos, mas posso garantir que vamos continuar de forma intensa.”

Crises são sempre experiências traumáticas e seria um exagero dizer que elas trazem aspectos positivos. Mas é inegável que episódios ruins sempre trazem ensinamentos. “Uma coisa descobri na vida: quando a gente não ganha, aprende”, afirma Sonia Hess, fundadora da Dudalina. “Aprendemos muito com os tropeços da economia nos últimos anos. Por isso estão mais fortes e experientes. Agora, sabemos que a recuperação está no horizonte.”

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