Braskem busca desenvolver novos usos para o plástico

Empresa se aproxima de universitários e da indústria para desenvolver formas melhores de utilizar a matéria-prima

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postado em 08/12/2017 06:00

Arquivo pessoal/Divulgação

 
São Paulo — O desafio de desenvolver um produto a partir do plástico mobilizou durante dois meses 21 jovens, representantes de sete universidades de São Paulo. A missão do 5º Desafio de Design Odebrecht Braskem era criar uma coleção, feita com plástico injetável, que tivesse uma solução para o piso, outra que servisse como revestimento e uma terceira que fosse uma parede flutuante. O grupo vencedor foi o do Instituto Mauá de Tecnologia, de São Paulo, formado por Danilo Garbato, de 26 anos, Luiza Grein, 20, e Sergio Milani, de 21. Para o trio, além do prêmio de R$ 15 mil, o primeiro lugar representou a possibilidade de ter um produto criado pelos alunos (que estão terminando o terceiro ano do curso), fabricado e vendido nas lojas da Leroy Merlin.

 

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Para a Braskem, apoiar o concurso é uma forma de estar mais próxima das universidades e mostrar aos futuros profissionais das áreas de arquitetura e design que o plástico pode ir além dos copinhos de café e das embalagens. A estratégia é disseminar o uso do plástico em outros produtos, explica Mônica Evangelista, responsável pela área de Desenvolvimento de Mercado de Polipropileno (ou PP) na companhia.

Procurar outros usos para o plástico tem sido uma tarefa de diferentes áreas da companhia. Seus executivos participam de feiras internacionais para encontrar novas vocações para o polímero. A ideia de patrocinar o Desafio de Design, por exemplo, nasceu de uma necessidade interna. Quando a Braskem mudou para o atual endereço, conta Mônica, há cinco anos, foi feita a proposta de usar móveis de plástico na área de convivência, mas o que havia no mercado eram apenas cadeiras para áreas externas. Foi quando a Braskem procurou a Tramontina para desenvolver um móvel com novas características. O molde levou nove meses para ser feito na Itália e a cadeira chegou a ganhar um prêmio e a fazer parte de um dos ambientes decorados da Casa Cor.

Segundo Mônica, os cursos de design e arquitetura não estão preparados para o uso do plástico e acabam se concentrando em outros materiais, como madeira, vidro e aço. Daí a importância de investir no treinamento dos universitários. Da mesma forma, a Braskem tem procurado estar próxima da indústria para encontrar novas funções para o PP. Foi assim que conseguiu substituir em parte o uso de poliestireno pelo PP nos copos de água, nos copos de requeijão, nos cestos de máquinas de lavar, nas sacarias de café (feitas tradicionalmente de juta) e nas formas que a Atex usa para fazer lajes planas. “Sabemos que é importante envolver todos os elos da cadeia para ampliar o mercado”, lembra a executiva.

Além do prêmio de R$ 15 mil, entregue na noite de quarta-feira, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, os alunos da Mauá deverão ter suas criações produzidas pela Atex Brasil, do segmento de produção de lajes, e comercializadas nas lojas da Leroy Merlin. A previsão, segundo Pedro Augusto Penna, diretor executivo da Atex, é que o produto criado pelos estudantes da Mauá comece a ser comercializado no segundo semestre de 2018. A estimativa é que sejam investidos cerca de R$ 800 mil no desenvolvimento das formas para a fabricação dos módulos.

Segundo Penna, participar do concurso foi uma forma de a empresa obter uma solução inovadora em um tempo muito menor do que se o desenvolvimento tivesse sido feito internamente. “Dificilmente conseguiríamos pensar fora da caixa como esses estudantes fizeram”, diz.

Depois de pesquisar pelo menos 150 imagens, Luiza, Sergio e Danilo encontraram inspiração nas formas orgânicas de um tipo de cogumelo do mar para criar o projeto vencedor do desafio da Braskem. A equipe criou um módulo de plástico injetado, formado por peças encaixáveis vazadas, que pode ser usado tanto no calçamento no jardim como numa espécie de parede flutuante, que é presa apenas no teto.

Raio-X da Braskem


» Funcionários: cerca de 8 mil

» Posição: maior produtora de resinas do continente americano, com produção anual de 20 milhões de toneladas (incluindo produtos químicos e petroquímicos básicos)

» Faturamento: R$ 55 bilhões em 2016

» Mercado internacional: exporta para aproximadamente 100 países

» Produção: opera 41 unidades industriais, localizadas no Brasil, EUA, Alemanha e México (em parceria com a Idesa).
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