"Nosso mercado vai crescer 40% em 4 anos", diz comandante da Volkswagen

Em entrevista ao Correio, Pablo Di Si, Presidente da Volkswagen para o Brasil, América do Sul, Central e Caribe, fala da retomada do setor e dos planos da empresa para o país

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postado em 11/12/2017 06:00

São Paulo — Desde 1º de outubro, Pablo Di Si é quem comanda a operação da Volkswagen na divisão Brasil, América do Sul, Central e Caribe. O argentino chegou ao cargo em momento decisivo para a companhia, que decidiu, há três anos, reestruturar os negócios na região. O plano foi colocado em prática por seu antecessor, David Powels, que assumiu a vice-presidência comercial da joint-venture Saic Volkswagen na China. A multinacional tem planos ambiciosos. Promete renovar todo o portfólio de produtos até 2020, com 20 novos modelos de veículos. O Novo Polo foi o primeiro carro da lista de renovações. Em janeiro próximo, chega às concessionárias o Virtus. Para tirar o projeto do papel, a companhia promete desembolsar R$ 7 bilhões até 2020. “É a maior ofensiva de produtos da nossa história no país”, conta Di Si. Ao ser apresentado como novo comandante da operação da Volkswagen na região, Di Si deixou claro que quer atropelar a concorrência. Na ocasião, ele afirmou: “Um time grande nunca vai jogar pelo segundo ou terceiro lugar, vai jogar para ganhar o campeonato. Queremos ser o líder”. A missão do argentino será difícil. Dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram que o total de emplacamentos de automóveis de janeiro a novembro dá uma boa vantagem à General Motors (18,78% do mercado) em relação à Volkswagen (11,67%), a segunda colocada no ranking. A alemã tem no seu retrovisor a Hyundai (10,65%) e a Ford (10,22%). Para avançar, a empresa pretende focar em inovações que agradem em especial ao público jovem, além de desembarcar em segmentos onde ainda não tem produtos. 

Omar Paixão/Divulgação

Alguns setores são mais afetados pela crise econômica do que outros.  No caso específico da indústria automobilística, a retomada é real?
Sim. Estamos verificando um processo de retomada, com um ciclo mais positivo de queda de inflação e de juros, assim como aumento de confiança dos consumidores. Por isso, enxergamos os próximos anos de forma bastante positiva, com expectativa de crescimento do mercado total de veículos a um ritmo de 8% a 10% ao ano, chegando a uma alta de 40% nos próximos quatro anos.

Nos últimos anos, as empresas do setor tiveram que fazer fortes ajustes para atravessar a crise econômica. Agora que o  cenário mudou, o que a Volkswagen está fazendo para aproveitar a onda positiva?
Com base nesse cenário, contamos com um plano de investimentos de R$ 7 bilhões a serem aplicados até 2020, que vai proporcionar à Volkswagen a realização da maior ofensiva de produtos de sua história no país, com 20 novos modelos. Além do lançamento do Novo Polo e do Virtus, teremos muito mais novidades nesse período, que chegarão para preencher segmentos nos quais ainda não estamos presentes.

A redução da taxa de juros deve estimular novos financiamentos. Além deste, que outros fatores levam ao aumento das vendas?
A retomada da confiança, a queda na inadimplência e maior oferta de crédito devem contribuir para o crescimento das vendas de veículos. Muita gente quer comprar carro e esse cenário colabora com a retomada do patamar de juros mais próximo da nossa realidade. Em outubro, segundo a Anfavea, mais de 50% das vendas do setor foram financiadas.
 
A Volkswagen já chegou a liderar com folga o mercado nacional, mas hoje a situação é diferente. Atualmente, a empresa passa por um processo de reinvenção da sua marca. Como isso é percebido na prática?
A Volkswagen é uma marca com uma intensa ligação com os brasileiros, com produtos que se tornaram ícones em suas gerações, como o Fusca, a Kombi e o Gol. Nos últimos anos, porém, estava se distanciando de seu público. A Nova Volkswagen que estamos construindo busca resgatar a proximidade com nossos parceiros, sendo uma marca totalmente voltada às pessoas e aos clientes, além de ser uma empresa muito mais moderna, enxuta e eficiente.

O senhor poderia detalhar melhor essa estratégia?  Quais são exatamente os planos da empresa?
A nossa estratégia é apoiada em uma completa renovação de portfólio, oferecendo tecnologias inovadoras em todos os segmentos e com foco na classe média de atitude moderna e aspiracional. É um momento que nos possibilita olhar o futuro com bastante confiança, com veículos que despertam o desejo dos nossos consumidores. Estamos construindo um novo posicionamento para a marca se aproximar ainda mais das futuras gerações de consumidores.

Como a subsidiária brasileira está posicionada nos negócios globais da Volks? O Brasil ainda está entre os principais mercados da marca?
O Brasil é o quarto maior mercado para a marca Volkswagen mundialmente, atrás apenas de China, Alemanha e Estados Unidos, e sempre esteve no foco das ações da empresa. Apesar da crise econômica do Brasil nos últimos anos, a empresa mantém ciclos de investimentos consistentes no país, sempre visando ao desenvolvimento de novos produtos e à modernização de unidades produtivas.

Do ponto de vista da operação do negócio, qual é o papel da Volkswagen Brasil? 
É a partir do Brasil que é fabricada a maior parte dos veículos comercializados pela Volkswagen na região América do Sul, Central e Caribe, formada por 29 países, como Argentina, Chile, Uruguai, entre outros. Juntos, esses mercados foram responsáveis pelo crescimento de 27% nas vendas de veículos da Volkswagen entre janeiro e outubro de 2017, contra o mesmo período de 2016, o maior percentual de alta entre todas as estruturas regionais da marca no mundo.

A indústria automobilística brasileira foi alvo de muitas críticas ao longo dos anos por se beneficiar de programas de incentivo de diferentes governos. Mais recentemente, até por conta da situação das contas públicas, a possibilidade de um novo pacote de incentivos fiscais foi descartada. Como a Volkswagen pretende administrar seu plano de negócios sem esse apoio e em um momento de retração no consumo?
A cadeia automotiva no Brasil é responsável por 22% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial e 4% do PIB total, além der gerar, anualmente, R$ 40 bilhões de tributos diretos sobre veículos. Entre 2012 e 2017, o Inovar-Auto recebeu incentivos da ordem de R$ 1,5 bilhão ao ano em pesquisa e desenvolvimento, que resultaram em melhorias na eficiência energética dos veículos. Esse aperfeiçoamento permitiu uma economia em torno de R$ 7 bilhões por ano apenas considerando o consumo de combustível.

Mas como a Volkswagen enxerga a possível descontinuidade dos programas existentes?
A Volkswagen apoia e vê como extremamente importante uma política para o setor que evite a descontinuidade dos programas hoje vigentes. Neste momento, porém, ainda precisamos entender como serão definidas as bases da nova política industrial para o setor automotivo que está sendo discutida entre o Governo Federal e as fabricantes. De qualquer forma, é sempre importante lembrar que o setor automotivo já conta com uma carga tributária bastante elevada.

Recentemente, o presidente-executivo da companhia, Herbert Diess, anunciou que a montadora pretende lançar 20 novos produtos até 2020, sendo 13 deles fabricados no Brasil. Será preciso algum reforço extra de caixa além dos R$ 7 bilhões? Qual será a faixa de preço prioritária nesses lançamentos?
O plano de R$ 7 bilhões contempla o lançamento dos 20 modelos até 2020, sendo que o Novo Polo, que chegou às concessionárias em novembro, e o Virtus, que será lançado em janeiro de 2018, são os dois primeiros modelos dessa ofensiva de produtos da marca. O Novo Polo, por exemplo, chegou ao mercado com um preço bastante competitivo, com versões que variam entre R$ 49.900 e R$ 69.190.

Nesse contexto de expansão da produção, qual será o impacto da nova legislação trabalhista? A empresa tem alguma projeção sobre redução de despesas trabalhistas e, por outro lado, de contratação de trabalhadores?
Consideramos uma boa evolução a reforma trabalhista. Essas alterações proporcionam flexibilidade e segurança jurídica aos nossos negócios.

Diante da recuperação em 2017 e das previsões otimistas para 2018, está no horizonte da Volkswagen a abertura de vagas e a ampliação do quadro de funcionários?
Não há no momento a expectativa para a criação de vagas. Temos utilizado nossa mão de obra atual. O sucesso do Novo Polo e o lançamento do Virtus nos permitiram trazer os funcionários em layoff e férias coletivas para retorno do terceiro turno na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), fazendo com que a fábrica voltasse a trabalhar 24 horas por dia.
 
 
 
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