Impacto da inflação em novembro foi menor para famílias de baixa renda

O impacto foi medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 12/12/2017 20:09 / atualizado em 12/12/2017 23:26

O impacto da inflação dos aumentos de preços na economia no mês de novembro foi menor para famílias de renda baixa, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O indicador Ipea de Inflação por Faixa de renda registrou, para a classe de renda mais baixa o indicador registrou uma inflação de 0,07% contra um crescimento de 0,34% na faixa mais alta. No ano, a taxa inflacionária dos mais pobres acumula uma alta de 1,8%, inferior à registrada pela classe de renda mais alta, que teve uma elevação de 3,2%.


José Ronaldo de Castro, diretor de macroeconomia do Ipea, informou que o estudo tem por objetivo informar, de forma desagregada, o comportamento da inflação levando em conta a diferença do consumo de acordo com as classes. “É possível avaliar melhor como se comportou o poder de compra de cada família de acordo com a diferença de comportamentos”, completou.

Castro explicou que o percentual da perda de poder de compra foi menor para as famílias de menor renda. “Podemos afirmar que terá mais poder de compra nessas famílias, estimulando o consumo. As famílias de renda maior diversificam mais o consumo e a participação de cada item é menor na cesta de consumo”, disse. Segundo ele, essa diferença ocorreu por causa de uma deflação de preço dos alimentos, que são o item com maior peso nos gastos totais das famílias mais pobres. A deflação dos alimentos contribuiu para diminuir 0,16 p.p. a inflação dos mais pobres, ao passo que, para a classe mais alta, a ajuda foi de 0,05 p.p.

Leia as últimas notícias da Economia


Com uma intensidade menor, os transportes também influenciaram, com a queda nas tarifas dos ônibus urbanos, 0,6%, e interestaduais, 1,6%, itens de grande peso na inflação da classe mais baixa. Por outro lado, nas classes mais ricas, para as quais o gasto com combustíveis é maior, a alta de 2,9% no preço da gasolina fez com que a contribuição do grupo transportes fosse positiva.

Os reajustes das tarifas de energia elétrica, 4,2%, e do gás do botijão, 1,6%, significaram um aumento de 0,29 p.p. na inflação das famílias menos abastadas e de 0,11 p.p. na dos mais ricos. A análise concluiu que, nos últimos meses, a desaceleração da trajetória inflacionária ocorreu de modo significativo em todas as faixas de renda.

O economista-chefe da MB associados, Sérgio Vale, observou que no geral há uma diferença entre um número e outra mas que ambos são baixos. “Isso impacta positivamente tanto para a classe baixa quanto para a alta. Se em 2018 a economia crescer 3%, como o esperado, não terá pressão sobre a demanda ao ponto de pressionar a inflação, o que indica uma boa perspectiva para próximo ano”, finalizou. Para ele é difícil imaginar que a inflação possa sair do controle de modo a afetar negativamente o consumo de uma das classes no ano que vem.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.