Empresas abrem capital após recuperação da economia e queda dos juros

Somente este mês, três companhias devem fazer ofertas iniciais de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, num valor estimado de R$ 9,1 bilhões. Segundo analistas, recuperação da economia e queda da taxa básica de juros estimulam os lançamentos

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postado em 13/12/2017 06:00 / atualizado em 14/12/2017 12:27

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press


O ano de 2017 termina com várias companhias em busca de capitalização no mercado. Entre elas, a maior empresa do país, a Petrobras, que anunciou a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora para este mês. Assim como a subsidiária da petroleira, Neoenergia e Burger King também estão com seus IPOs em avaliação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e a aprovação pode sair a qualquer momento. Esses três processos são os mais maduros, dizem os analistas, e somam uma captação estimada de R$ 9,1 bilhões. Outras duas empresas, Algar Telecom e Blau Farmacêutica, estão na fila para abrir capital.


Para os especialistas, o momento escolhido para a abertura de capital tem a ver com a recuperação da economia e com a queda da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 7%, o que torna qualquer rentabilidade acima disso atrativa. A CVM não informa as datas dos IPOs, tampouco a BM&FBovespa (B3). Uma fonte a par dos trâmites explicou que até mesmo o dia divulgado pelas empresas não é preciso, porque os processos precisam ser aprovados pela CVM, o que pode ocorrer de uma hora para outra. “Ninguém arrisca a data, mas os IPOs saem em 2017”, garantiu.

Em prospecto preliminar entregue à CVM, a Petrobras definiu o preço das ações da BR Distribuidora entre R$ 15 e R$ 19 e fez uma estimativa de captação de R$ 4,8 bilhões, descontadas as comissões. Vista como joia da coroa da estatal, a companhia é líder na distribuição de combustíveis e tem uma rede de mais de 8,2 mil postos no país. A abertura de capital, aprovada havia dois anos, aguardava o momento econômico mais adequado. O IPO pode ocorrer até sexta-feira.

Para o ex-presidente da CVM Renê Garcia, a BR volta ao mercado em um ambiente melhor, com liberdade de preços dos combustíveis. “A BR já foi aberta e extremamente lucrativa. Está esperando que uma colocação de ações possa trazer a rentabilidade do passado”, avaliou. Hugo Monteiro, analista de investimento do Bullmark Financial Group, considera os papéis bons ativos. “Só pelo market share (participação de mercado) que a BR tem”, justificou.

 

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Garcia ressaltou que os IPOs estão ocorrendo agora para aproveitar a taxa de juros baixa. “Isso aumenta o apetite dos investidores, uma vez que o rendimento desses papéis estão na faixa de 10% a 12% ao ano”, projetou. Na opinião de Rui Coutinho, consultor e presidente da Latin Link, as aberturas de capital marcam a retomada da temporada de caça a investidores. “Os processos da BR, Burger King Neoenergia estavam estruturados na CVM. Agora estão maduros.”

Conforme os prospectos apresentados à CVM, o Burger King espera capitalização de R$ 1,6 bilhão, e a Neoenergia estima injeção de R$ 2,7 bilhões. Para o mercado, a projeção da Neoenergia é muito ambiciosa. A empresa não quis comentar. Disse apenas que “o IPO está marcado para 18 de dezembro” e que, até amanhã, “a companhia tem que confirmar a abertura, divulgando a faixa de preço das ações”.

Renê Garcia destacou que a Neoenergia está muito associada ao modelo de privatização da Eletrobras. “Isso contamina o setor”, ressaltou. No entender de Fábio Carvalho, gerente de mesa da CM Capital Market, o momento para ativos do setor elétrico não é bom. “É hora de avaliação dos ativos da Eletrobras. A questão regulatória pode interferir e, nesse caso, a política tem como exercer influência”, disse.

  • Nova opção

    O mercado brasileiro tem poucas ações do setor de alimentação listadas em bolsa. Nesse aspecto, a abertura de capital do Burger King é vista com bons olhos pelos analistas. “Temos pouca oferta de varejo, por isso o IPO do Burger King deve ser interessante. Permitirá a diversificação de portfólio. Não tem nenhuma outra empresa similar”, destacou Fábio Carvalho, analista da CM Capital Market. Para Hugo Monteiro, do Bullmark, os papéis da empresa estão caros. “O Burger King tem um endividamento alto”, justificou. A abertura de capital da companhia está prevista para 18 de dezembro.
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