Após último pregão, Bolsa de Valores acumula ganhos de quase 27% em 2017

O dólar fechou 2017 em R$ 3,315, muito próximo do que o mercado esperava -- R$ 3,30, segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A alta foi de 0,07%.

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VANDERLEI ALMEIDA


No último pregão do ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) subiu 0,43% e fechou 2017 em 76.402 pontos. O resultado foi obtido depois de seis dias de altas consecutivas. Com isso, o Ibovespa, que é o principal indicador, teve uma valorização de 26,9% no ano, registrando o segundo consecutivo de expansão, já que em 2016 aumentou 38,9%. O último fato similar foi no biênio de 2009 e 2010. 

 

Nas últimas seis sessões, o ganho acumulado foi de 5,08%. Foi a maior sequência de ganhos desde maio, antes do vazamento do áudio de Joesley Batista e o presidente Michel Temer. Na cotação de ontem, a Bolsa foi beneficiada com o cenário favorável para os índices norte-americanos e o melhor resultado das contas públicas de novembro.

Entre os destaques de 2017 estão a Usiminas (122%), Estácio (111%), Rumo (111%), Localiza (107%) e Bradespar (105%). No lado negativo, BRF (-24%), CSN (-23%) e CPFL Energia (-23%) desapontaram.

O dólar fechou 2017 em R$ 3,315, muito próximo do que o mercado esperava -- R$ 3,30, segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A alta foi de 0,07%. A alta anual foi de 1,9%, após cair 17,7% em 2016.

Rogério Storelli, gestor da GGR Investimentos, disse, porém, que, apesar dos ganhos no final do ano, o patamar de 76 mil pontos está em linha com uma expectativa do mercado em relação à aprovação das reformas. “Os dados econômicos estão melhores, mas nada que justifique este nível. Os balanços das empresas estão menos piores, com recuperação de venda e outros índice. Mas o que podemos perceber é uma força maior das perspectivas para 2018 e 2019”, avaliou.

William Castro Alves, analista da Valor Gestora de Recursos, declarou que um crescimento de 26% não é nada desprezível, mas países com economias similares tiveram altas maiores em 2017. “A Bolsa de emergentes ficaram muito melhor e nós podemos perceber que o que nos atrapalhou foi o cenário político, que prejudicou a retomada da economia. Existe um cenário econômico favorável de redução dos juros, inflação controlada e recuperação em curso. Então, o que mina a confiança é a política”, destacou.

Próximo ano

Para 2018, os analistas esperam volatilidades, mas que não devem interromper o ciclo de crescimento da Bolsa. Como é um ano eleitoral, o mercado acredita que é inevitável grandes oscilações diárias. “Mas, particularmente, eu estou otimista. O principal driver vai ser o lucro crescente das empresas que serão favorecidas com a conjuntura de intensificação da recuperação da economia”, avaliou Alves.

Renato Nobile, CEO da Bullmark, acredita que o próximo ano terá um cenário ainda melhor, já que o contexto externo tem favorecido os países emergentes. “A economia mundial como um todo deve ajudar. Mas, claro, ficamos dependente da reforma da Previdência Social para que as contas públicas se tornem mais sustentáveis nos próximos anos”, contou.

O mercado prevê que o dólar fique num patamar muito parecido com o atual, fechando 2018 em R$ 3,32.

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