Indústria automotiva fecha 2017 com o melhor resultado em cinco anos

Onda inédita de lançamentos atrai novos consumidores. Para 2018, a expectativa é de desempenho ainda melhor

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postado em 02/01/2018 06:00

CB/D.A Press

São Paulo – Poucos setores reagem de forma tão veloz à retomada da economia quanto a indústria automobilística. Basta o PIB sair do negativo para o número de emplacamentos aumentar. Em 2017, as vendas de automóveis cresceram em torno de 10% — o melhor resultado em cinco anos —, embora os indicadores oficiais ainda não tenham sido divulgados. Para 2018, projeta-se um avanço acima de dois dígitos, e não será surpresa para ninguém se as altas resvalarem na casa dos 15%. É de se supor, portanto, que todos os modelos estão acelerando com força máxima. Não é bem assim. Um balanço dos negócios fechados nos últimos meses mostra que a briga por mercados será pesada neste ano.
No segmento que mais vende no Brasil, o de hatches compactos (alta de 26% em 2017, contra 22% dos SUVs e 20% dos veículos de entrada), dois movimentos recentes já provocam sustos na concorrência. Lançado em maio, o novo Fiat Argo (que custa a partir de R$ 46.800) começou a trajetória de forma tímida. Em junho, seu primeiro mês integral de vendas, foram menos de 2 mil emplacamentos. A partir daí, o Argo acelerou até se tornar, em dezembro, o carro mais vendido da Fiat no país.

Em setembro, a Volkswagen lançou o novo Polo ao custo de R$ 49.990, e logo na largada ele vendeu mais de 4 mil unidades em um único mês, marca considerável para veículos recém-saídos da linha de produção. O objetivo da VW é colocar o Polo entre os cinco mais vendidos no país no fim de 2018. Se vier, o resultado poderá levar a empresa a brigar novamente pela liderança geral do mercado brasileiro, atualmente nas mãos na GM.

As chegadas do Polo e do Argo alteraram o jogo de forças do setor automobilístico. Entre junho e novembro, o Renault Sandero, um dos 10 modelos mais comercializados no Brasil, perdeu 40% das vendas, um estrago que poderá alterar os planos da montadora no país. Depois do lançamento do Argo, o Nissan March também viu sua performance cair.

Para a Renault, a queda nas vendas no Sandero tem sido recompensada pelo sucesso do pequenino Kwid, que substituiu o ultrapassado Clio. Em setembro passado, o Kwid foi o segundo carro mais vendido no Brasil, atrás apenas do Onix, da GM, resultado que nem a própria montadora francesa esperava. Mas o bom resultado inicial do Kwid foi impulsionado pela pré-venda, e no mês seguinte o modelo caiu várias posições no ranking dos mais emplacados.

A retomada da indústria automotiva provocará uma avalanche de lançamentos em 2018. Estima-se que mais de 40 modelos, de todas as categorias e preços, chegarão ao mercado brasileiro neste ano. “Esse movimento não se deve apenas ao aumento das vendas, mas também à necessidade de cada empresa de apresentar novidades para enfrentar a crescente concorrência”, diz Eduardo Tancinsky, consultor especializado em marcas. “O mercado vai chegar a um ponto de maturidade em que só fará sucesso quem tiver produtos excelentes para oferecer.”

Poucos setores vêm passando por mudanças tão profundas. Se antes o que fazia a diferença em vendas era o design e o espaço interno do automóvel, atualmente itens como tecnologia e segurança são mais valorizados pelos consumidores. E talvez a maior transformação ainda esteja por vir. O mercado brasileiro não entrou na era dos carros elétricos, tendência que os especialistas consideram irreversível. Na Europa e nos Estados Unidos, estima-se que, até 2030, eles serão responsáveis por metade das vendas.

Em 2017, pelo segundo ano consecutivo, o carro mais vendido no Brasil foi o Chervrolet Onix. O interessante é que, mesmo diante do ótimo desempenho em 2016, a GM não se acomodou. Além de fazer algumas modificações estéticas, deu ao Onix dois novos motores (1.0 e 1.4), lançou uma versão aventureira (Onix Activ) e criou uma versão de entrada (Onix Joy). Fabricado em Gravataí, no Rio Grande Do Sul, o modelo caminha para atingir 600 mil unidades produzidas desde o seu lançamento, em 2012.
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