Queda dos juros reduz atratividade de aplicações de renda fixa

Com a redução dos juros, muitos investidores começam a olhar com mais interesse para a bolsa de valores

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postado em 05/01/2018 06:00

Ano novo sempre vem com simpatias, promessas de melhorias pessoais e o eterno desejo por felicidade, saúde e dinheiro no bolso. Mas, para multiplicar os recursos, não basta boa intenção, é necessário planejamento. Com a redução dos juros, muitos investidores começam a olhar com mais interesse para a bolsa de valores, onde são negociadas ações de empresas de capital aberto, com o intuito de melhorar o rendimento de suas aplicações em 2018 .
 
“Se os investimentos em renda fixa estão com retornos menores devido à queda dos juros, a tendência é de que as pessoas se arrisquem e invistam mais na bolsa”, explica o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli.
 
 
O principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Índice Bovespa, acumulou uma valorização de 26,9% em 2017, percentual bem maior que os 6,58% pagos por um Certificado de Depósito Bancário (CDB) pré-fixado em 12 meses, por exemplo. Mas ganhos passados não são garantia de rendimento futuro. Ações são títulos de renda variável, e encarar o sobe e desce das cotações é para quem tem sangue frio, avisam os especialistas, que indicam a bolsa para aplicações de médio e de longo prazo. 
 
Ouvir um bom orientador de finanças pessoais é uma dica importante para quem quer investir nesse mercado. Em muitos casos, esse tipo de orientação pode ser obtido nas próprias corretoras de valores, instituições por meio das quais são feitas as operações, lembra Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos. Mas existem também empresas de assessoria especializadas em levantar informações sobre oportunidades de mercado.


Aposentadoria


O estudante Diego Silva Lucindo, 23 anos, começou a investir na bolsa em meados de 2016. O objetivo dele é garantir um padrão de vida satisfatório na aposentadoria, por isso, diz não ter preocupação com ganhos de curto prazo. “Comecei a investir com cerca de R$ 5 mil”, afirma. O estudante conta que, mesmo vendo as ações um pouco mais caras do que o normal, ainda consegue enxergar oportunidades de compra valiosas. Para Lucindo, a bolsa é uma boa alternativa de investimento, porém, com supervisão e atenção. “O mercado de capitais é um excelente investimento, desde que se estude bastante ou que se tenha um profissional qualificado acompanhando”, aconselha.

Lucindo conta que sempre investiu com orientação de um especialista, embora tenha lido vários livros sobre o assunto. E critica a falta de informação sobre o tema nas escolas. “A gente não aprende a lidar com dinheiro nem no ensino médio, nem na faculdade, nem em lugar nenhum”, reclama. Segundo ele, essa lacuna no setor educacional é um dos fatores que leva o brasileiro a temer o mercado acionário. Para Lucindo, é preciso ainda melhorar a fiscalização dos órgãos competentes para evitar que pequenos investidores sejam prejudicados com a circulação de informações privilegiadas que, geralmente, beneficiam os grandes aplicadores no mercado.

O professor Roberto Piscitelli explica que existem formas diversas de ganhar dinheiro com a bolsa de valores. Uma delas é conseguir comprar ações quando estão baratas e vendê-las depois que se valorizam, lucrando com a diferença de preços. Outra forma é por meio do recebimento de dividendos pagos aos acionistas quando as empresas registram lucro. Para se dar bem nesse campo, é preciso acompanhar os relatórios das companhias dos setores de interesse e apostar nas mais rentáveis.

Piscitelli ressalta, no entanto, que investimentos em ações devem ser vistos, sobretudo, como aplicações de longo prazo. Por isso, é preciso paciência. “Investidor de bolsa tem que ter sangue frio para não entrar em pânico e não desistir da aplicação quando houver muita oscilação no mercado”, orienta. Ele assume, inclusive, ser do tipo que prioriza aplicações mais longas para garantir maior retorno do capital. “Eu entendo que, a longo prazo, não perco dinheiro”, afirma.

Para o professor da UnB, o brasileiro ainda precisa passar por um processo de educação sobre como lidar com o mercado acionário. Segundo ele, a bolsa deveria ser vista como uma excelente maneira de formar patrimônio, como ocorre nos mercados mais maduros de países desenvolvidos, nos quais muitas pessoas investem em ações ao longo da vida, visando garantir a aposentadoria. “As pessoas precisam perceber que ação é um bom negócio a longo prazo”, reforça.

A convivência durante muitos anos com a inflação muito elevada fez o investidor brasileiro apostar mais na especulação financeira e nas aplicações de curto prazo em vez de buscar o mercado de ações, diz Piscitelli. Ele observa ainda que, apesar de muitos ainda se sentirem inseguros para investir em ações, a regulamentação do segmento melhorou bastante nos últimos anos, o que reduziu o risco para os pequenos investidores.

*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

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