Férias: especialistas sugerem analisar orçamento antes de escolher destino

É preciso lembrar que início de ano é tempo de despesas com material escolar, matrículas e impostos, como IPVA e IPTU, que precisam ser pagos

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postado em 07/01/2018 08:00

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
 
Passadas as festividades de fim de ano, é hora de programar o descanso, quando as crianças estão de férias e dá para aproveitar o verão no país e a neve no exterior. A opção pelo período, entretanto, deve vir aliada à consciência de que viajar em janeiro ou em fevereiro vai implicar preços mais altos, pois passagens e hospedagem tendem a custar mais caro.
 
 
Para garantir o passeio sem que vire dor de cabeça no restante do ano, especialistas indicam pesquisar valores e se planejar previamente antes da compra. É preciso lembrar que início de ano é tempo de despesas com material escolar, matrículas e impostos, como IPVA e IPTU, que precisam ser pagos.

A consulta a sites das companhias aéreas e aos que comparam preços de passagens e hospedagem é uma boa opção para quem está preocupado com o bolso. Ainda é possível encontrar promoções atraentes que cabem no orçamento. Basta procurar. Outra alternativa para gastar menos é escolher destinos pouco tradicionais.

Tomada a decisão viajar, tomada, especialistas recomendam fazer um diagnóstico das finanças antes de decidir destino e duração do passeio. “É preciso ver os recursos financeiros e qual o montante do orçamento a pessoa vai poder destinar à viagem, principalmente se não houve planejamento antecipado”, aconselha a educadora financeira Cintia Senna.

Só depois de definir a quantia disponível é que a família deve analisar o destino. “Se não tenho dinheiro suficiente para ir à Disney, preciso procurar outros locais que são mais em conta, para que a minha família aproveite de forma equivalente. É importante procurar locais dentro padrão da família, evitando dívidas”, acrescenta Cíntia.

De acordo com o site de buscas Kayak, os destinos nacionais mais procurados pelos brasileiros em 2017 foram capitais, como Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e São Paulo. No exterior, Miami (EUA), Orlando (EUA), Paris (França) e Nova York (EUA) roteiros que foram  os escolhidos neste início de 2018, segundo a agência de turismo on-line ViajaNet.

Apesar das preferências, caso a viagem para os locais tradicionais não caiba no orçamento familiar, vale apostar em locais mais próximos. “É preciso ampliar as escolhas e começar a analisar o que a pessoa pode ter de lazer na própria cidade ou em locais próximos”, indica Cintia. “Dá para fazer diversos passeios mais baratos e até gratuitos, além de encontrar hotéis legais para passar dias sem ter que gastar muito”, complementa.

Outra opção para baratear o passeio é viajar com um grupo de amigos ou familiares. Essas viagens costumam ser mais baratas, já que as despesas são divididas coletivamente. “Com mais de uma pessoa, dá para negociar e pedir descontos em hotéis, restaurantes, além de ingressos para atrações turísticas ficarem mais baratos”, afirma o educador financeiro Regno Machado. “A viagem se torna mais econômica também no transporte, porque dá para utilizar o carro e dividir a gasolina entre as pessoas”, acrescenta.

Foi o que a família de Nilceia Almeida, 64 anos, decidiu fazer. Pensando em viajar todos juntos sem gastar muito, decidiram se planejar para ficar 15 dias em Porto Seguro no início deste ano. “Nós sempre fazemos isso e é muito vantajoso. Este ano, vão oito pessoas. Com passagens e hospedagem, gastaremos em torno de R$ 3,5 mil, cerca de R$ 400 por pessoa”, conta. Ela afirma que o passeio será muito mais barato do que se fosse sozinha com o marido. “Só em tarifas aéreas, nós conseguimos economizar cerca de 50% com a viagem em grupo”, diz.

Para a estudante Maria Isabel Félix, 22, viajar em família saiu mais em conta no Natal. Ela procurou os destinos mais baratos nos sites de buscas. “Vimos que a passagem para Florianópolis era  de R$ 230 para cada pessoa. Então, fomos para lá”, afirma. “Época natalina é tudo muito mais caro, então, fomos atraídos pela tarifa. Pesquisamos bastante até decidir que seria a melhor opção”, acrescenta.

“Outro quesito que tornou a viagem acessível para a minha família foi deixar de lado a tradicional estadia em hotel e apostar no aluguel de uma casa. Pagamos cerca de R$ 1,5 mil para os nove dias que ficamos na cidade, cerca de R$ 200, a diária. Em um hotel, pagaríamos o preço da diária multiplicado pelo número de pessoas”, alega Maria Isabel.
 
Thiago Fagundes/CB/D.A Press
 

Pechinchar

O educador Regno Machado destaca que, na compra de pacotes de viagem, o consumidor tem a oportunidade de pedir descontos. “Eu recomendo que a pessoa ligue para o local onde vai ficar hospedada, por exemplo, e peça alguma redução no valor. Algumas empresas dão até R$ 100 de desconto”, afirma. “Multiplicando isso pelo número de dias e de pessoas que ficarão no local, já é o valor de alguma atividade legal no destino planejado”, indica.

E com a tecnologia atual, os especialistas recomendam a todos ficarem atentos aos mecanismos de busca da internet. O consumidor pode ativar alertas nos sites para se manter informado dos preços mais baixos. “A web ajuda muito. Dá para fazer comparativos de valores, colocar limite de gastos e ativar notificações, caso algo esteja com o preço desejável”, sugere Cintia. “Como algumas empresas disponibilizam descontos durante a madrugada, a pessoa não precisa ficar acordada a noite toda à procura da compra mais em conta”, completa.

Mas se, durante as compras das passagens, surgir a dúvida: ir de carro, ônibus ou avião? Para escolher um dos três meios de transporte é importante levar alguns quesitos em consideração. “Ir de ônibus pode ser barato, mas consome muito tempo. Então, para destinos mais afastados, o conforto fica de lado”, alerta o educador financeiro Jonatas Bueno. “Viajar de carro pode ser vantajoso já que dá para dividir o valor da gasolina. Mas é importante ficar atento à qualidade das estradas e aos valores de pedágios nas rodovias”, diz. “Por fim, o avião é o meio de transporte mais caro, mas também o mais rápido e indicado para locais mais longes”, avalia.

Para quem opta pelas tarifas aéreas, é importante ficar atento às mudanças no despacho de bagagem. Antes, o consumidor tinha direito de levar uma mala de até 23kg em viagens nacionais e duas malas de 32kg, em voos internacionais. Agora, cada companhia tem seu critério para o despacho. Algumas ainda permitem que o consumidor leve a mala com 23kg, outras cobram taxas adicionais.

Planejamento

Além de comprar as passagens e reservar hospedagem, é importante fazer um roteiro da viagem com antecedência. Avaliar os locais que serão visitados e estipular valores a serem gastos. Dessa forma, a família terá uma noção das despesas e poderá fixar uma meta para o consumo durante a estadia.

Depois de ter escolhido o local e comprado as passagens para Florianópolis, a família de Maria Isabel Félix começou a juntar dinheiro para a viagem. “Compramos os pacotes e já começamos a nos mobilizar para poupar. Economizamos nos pequenos gastos e, hoje, temos em torno de R$ 4 mil para usar na viagem”, comemora.

De acordo com os especialistas, é importante não deixar as despesas apenas no cartão de crédito. “Além de fazer o planejamento e levar algum dinheiro extra para imprevistos, os gastos no cartão de crédito não podem ultrapassar os 30% do limite definido pela administradora”, indica Regno Machado. “As pessoas têm de deixar de gastar o que não planejado. O descontrole só faz com que, após a viagem, venham as surpresas indesejadas, como contas com valores inesperados e até limites de cartões estourados”, acrescenta.

Segundo Machado, a preparação da viagem não pode se tornar uma dor de cabeça e o passeio não deve deixar o consumidor endividado. “É uma semana na praia que pode comprometer todo o orçamento da pessoa no início do ano. É importante começar 2018 no azul e se programar desde agora para a próxima viagem que deseja fazer. Com mais tempo de preparo, maiores são as chances de o gasto ser menor”, sugere.

"Se não tenho dinheiro suficiente para ir à Disney, preciso procurar outros locais que são mais em conta, para que a minha família aproveite de forma equivalente. É importante procurar locais dentro padrão da família, evitando dívidas”
Cíntia Senna, educadora financeira
 
*Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira
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