Meirelles minimiza impactos de novo rebaixamento do Brasil pela S&P

"A agência faz o trabalho deles e nós fazemos o nosso. Na medida em que isso vai funcionando, elas vão reconhecendo", disse o ministro da Fazenda

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postado em 12/01/2018 17:11 / atualizado em 12/01/2018 18:59

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, minimizou os impactos do novo rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor’s, que reduziu nessa quinta-feira (11/1) a nota de risco do país de BB para BB-, três níveis abaixo do grau de investimento. Ele destacou que essa medida faz parte do trabalho das agências e evitou polemizar sobre de quem é a responsabilidade no governo por esse novo downgrade dos títulos soberanos de longo prazo em moeda nacional e estrangeira.


"A questão de rating das companhias é normal, faz parte do trabalho e não devemos transformar isso em uma grande discussão política", disse o ministro na tarde desta sexta-feira (12/01). Ele avaliou que a bolsa ficou "praticamente estável" e o dólar teve leve queda porque o mercado já tinha precificado esse downgrade. Para Meirelles, apesar de a S&P demonstrar preocupação com o ritmo "mais lento do que o esperado" nas reformas para a recuperação do equilíbrio fiscal.

"A agência faz o trabalho deles e nós fazemos o nosso. Na medida em que isso vai funcionando, elas vão reconhecendo", disse o ministro, acrescentando que, em 2007, ele foi uma das primeiras pessoas a receber a notícia de que o Brasil tinha recebido o grau de investimento. "Não discuto as opiniões da agência", frisou.

Apesar de a diretora de ratings soberanos da S&P, Lisa Schineller, ter afirmado  que a reforma da Previdência dificilmente será aprovada este ano, Meirelles voltou a repetir o mantra de que confia na continuidade das reformas, a despeito das incertezas nas eleições de outubro. "Estamos na direção certa e vamos aguardar de novo que o país [em 2019], vai se encontrar em uma condição muito melhor do que hoje depois de ter crescido em 2018 e ter tido a aprovação da reforma da Previdência. Em resumo continuamos seguros e confiantes no sucesso dos processos de ajuste econômico e de retomada do Brasil”, afirmou. “As razões que nos levam a estar seguros com a trajetória de crescimento do país e com ajuste fiscal é exatamente o histórico. As reformas importantes têm sido aprovadas pelo Congresso Nacional, seja na área fiscal, seja na produtividade da economia”, completou ele, citando a reforma trabalhista e a emenda do teto de gastos.

Meirelles, inclusive, não descartou sua possível candidatura à presidência da República e, mesmo negando que pediu para que esse rebaixamento fosse antecipado, ele adiantou que esse assunto deverá ser mais aprofundado durante a campanha eleitoral.

"Essa questão poderá ser discutida melhor para que a população possa escolher o melhor candidato nas eleições presidenciais de 2018", afirmou. O ministro, no entanto, reafirmou que a decisão se ele será candidato ou não só será tomada em abril, quando expira o prazo para a desincompatibilização.
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