Publicidade

Estado de Minas

Acionistas da Oi fazem assembléia em hotel após serem barrados na empresa

Representantes da Pharol, do fundo Société Mondiale, da associação dos minoritários e do BNDES participaram do encontro. A decisão, contestada pela operadora, foi pelo afastamento do atual presidente da companhia, Eurico Teles


postado em 07/02/2018 17:36

A homologação do plano de recuperação judicial da operadora Oi, em 8 de janeiro, pela Justiça, não acabou com a polêmica em torno da companhia. Nesta quarta-feira (7/2), 35 acionistas e da Pharol, do fundo Société Mondiale, da associação dos minoritários e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que juntos somam 34% das ações da empresa, foram impedidos de entrar na sede da Oi no Rio de Janeiro por seguranças da companhia.

A assembléia geral de acionistas (AGE), que tinha sido convocada pela portuguesa Pharol, maior acionista individual, com 22% das ações, foi transferida para um hotel no centro do Rio de Janeiro. Insatisfeitos com a proposta homologada pela 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o grupo de acionistas da Pharol e do Société Mondiale, tentam inviabilizar o plano de recuperação judicial da Oi. Os credores aprovaram o plano que vai acabar por diluir a participação dos acionistas.


Leia as últimas notícias de Economia

 

A Oi, contudo, se baseou justamente em um despacho do juiz da 7ª Vara Empresarial para impedir a realização da assembleia em seu edifício. No fim de janeiro, a Justiça decidiu que não havia necessidade de convocar uma AGE para rever o que já havia sido aprovado pelos credores.

Mesmo assim, a assembléia foi realizada e começou às 11h40 no Hotel Íbis do Rio de Janeiro. Como precisavam de dois terços para votar toda a proposição da agenda e tinham apenas um terço de representantes, os acionistas deliberaram apenas sobre dois itens. Aprovaram o afastamento do presidente da empresa, Eurico Teles, e indicaram os nomes para substituir a diretoria: Pedro Leitão, português e conselheiro da Pharol para presidência; Thomas Reichenehein, ex-conselheiro afastado durante a homologação do plano para a diretoria financeira, e Leo Simpson, para a diretoria jurídica.

O único acionista que se absteve de votar foi o BNDES, mas a aprovação ocorreu com 99% do quorum. “A posição da Pharol é que a decisão seja acatada pela companhia como diz a lei”, afirmou, em nota.

A Oi informou, também em nota, que não reconhece a legalidade e os efeitos de reunião realizada pelo grupo de acionistas. “Tal encontro com o intuito de realizar assembleia constitui flagrante desrespeito aos mais básicos princípios da legislação brasileira e de decisões judiciais sobre a matéria, como ressaltou no referido encontro o acionista BNDESpar. A pretensa assembleia é ilegal e desobedece sucessivas decisões judiciais que deliberaram sobre o tema, além de desrespeitar o plano de recuperação judicial aprovado por ampla maioria pelos credores da companhia e homologado pela Justiça”, destacou.

A operadora ainda destacou que “as diversas iniciativas desse grupo tomadas de forma ilegal têm prejudicado os negócios da companhia, gerado instabilidade na gestão e afetado suas ações no mercado, com danos irreparáveis”. “A companhia tomará a devidas providências em esferas administrativas e judicias, inclusive com contratação de advogado criminalista”, afirmou. “Existem fatos a apurar de possíveis práticas de acionistas e ex-administradores sobre desobediência de decisão judicial, quebra de dever fiduciário, não cumprimento de obrigação de confidencialidade e manipulação de mercado, entre outros”.

A Oi acrescentou ainda que não vai adotar nenhuma medida que tenha sido deliberada na assembléia. “Esta posição da Oi está respaldada em sucessivas decisões da Justiça, corroboradas por despacho tornado público hoje do juiz em exercício da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Ricardo Lafayette, que considerou ‘inviável, sem validade e, sem eficácia, qualquer deliberação extrajudicial que atente contra as questões já homologadas no plano’”.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade