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Estado de Minas

Previdência privada é boa opção, mas é preciso atenção com taxas

Entretanto, quem pretender contratar um plano precisa ficar atento às formas de tributação e taxas cobradas, que consomem os ganhos e afetam o resultado final


postado em 11/02/2018 08:00 / atualizado em 11/02/2018 10:37

O temor de perda de benefícios com a reforma da Previdência Social levou ao aumento da procura por planos privados com foco na aposentadoria em todo o Brasil. Algumas empresas registraram crescimento de mais de 60% na demanda em Brasília, por exemplo. Especialistas destacam que essa modalidade de investimento pode ser uma boa opção para acumular recursos. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que no ano passado, os fundos de previdência renderam entre 9,8% a 26,7%, dependendo da composição da carteira. Apesar disso, quem pretender contratar um plano precisa ficar atento às formas de tributação e taxas cobradas, que consomem os ganhos e afetam o resultado final.

A lógica da previdência complementar particular é fazer uma reserva financeira de longo prazo, que se somará à aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, o teto do benefício pago pelo governo é de R$ 5,6 mil por mês. Essa quantia, em muitos casos, é insuficiente para o segurado que, ao final da vida, terá uma série de despesas prioritárias com saúde, como remédios e, talvez, acompanhamento médico.

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É o que pensa o arquiteto de software André Felipe Carneiro Pereira, 35 anos. Ele se preocupa em se aposentar com um orçamento compatível com as suas necessidades. “Não quero que meu padrão de vida caia”, justifica, destacando que está à procura de um plano de previdência. Enquanto pesquisa as melhores opções, André faz investimentos de longo prazo no Tesouro Direto, em títulos públicos federais. “Não posso deixar de fazer uma reserva. É como se fosse uma previdência paralela”, diz.

Na prática, os planos de previdência privada são parecidos com o investimento feito por André. A pessoa contrata uma empresa ou uma instituição financeira que vai gerir os recursos por um período de tempo. Ou seja, o consumidor transfere o dinheiro para o banco, por exemplo, que, por sua vez, estuda as melhores aplicações que formarão o montante desejado.

(foto: Arte/CB/DA Press)
(foto: Arte/CB/DA Press)

Taxas

Por isso, é cobrada uma taxa de administração nos planos de previdência privada, que prejudicam a rentabilidade. O educador financeiro Jonatas Bueno, da Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar (DSP), afirma que o melhor caminho é a pessoa estudar as aplicações financeiras e fazer por conta própria, mas contratar uma empresa para gerir os recursos não deixa de ser uma alternativa para se preparar para o futuro. “As pessoas não podem só contar com a aposentadoria do governo, porque o Estado não conseguirá custear. A população está envelhecendo e precisa tomar a iniciativa de investir o próprio dinheiro desde o começo da vida profissional, com o objetivo de somar o que será ganho com o benefício do INSS”, explica.

O superintendente comercial da empresa Mongeral Aegon, Rodrigo Moscoso, conta que, para conseguir fazer o dinheiro render mais na previdência privada, a pessoa precisa encontrar taxas de administração menores que, pelo menos 1,5% ao ano. “Há cobranças de taxas de administração que variam de 0,7% a mais de 2% ao ano. Se passar desse nível de 1,5%, prejudica a rentabilidade”, indica.

Na hora de contratar o plano, é necessário verificar qual o produto indicado para seu perfil. O Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) é recomendado para pessoas que fazem a declaração completa do Imposto de Renda. A vantagem é que a pessoa pode deduzir anualmente a aplicação, desde que ela não passe de 12% da renda bruta do investidor. A desvantagem é que, ao sacar o dinheiro, a tributação vai incidir sobre todo o recurso aplicado e o rendimento obtido.

Já o plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) é sugerido para quem preenche o formulário simplificado do Imposto de Renda. Essa opção também é indicada para os isentos. O bom é que, no resgate do dinheiro, a tributação incide apenas sobre os ganhos obtidos, ou seja, o rendimento. O contra é não poder abater as aplicações na declaração anual do IR.

A família do empresário Vinícius Gouveia, 25, fez, desde os seus 10 anos, um plano de previdência para ele. “Como eles queriam que eu virasse sócio da empresa, planejaram para eu ter uma graninha acumulada, e até hoje eu coloco um pouquinho todos os meses”, afirma. “Invisto um valor relativamente baixo, R$ 100, mas pretendo aumentar”, completa.

Um dos motivos para que Vinícius mantenha o plano é porque ele tem receio de ficar desempregado quando estiver mais velho. “Caso tudo dê errado, é muito mais fácil arrumar um trabalho agora, enquanto estou jovem. Não vejo um mercado que abre muitas portas para as pessoas mais experientes”, avalia.

O professor Lauro Faria, economista do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro, da Escola Nacional de Seguros, conta que o plano de previdência é uma boa opção para quem deseja acumular para a aposentadoria. “O importante é se organizar para fazer desde cedo. Quanto mais tarde for, maior será o volume necessário para formar o montante necessário. Mas quem está no meio da carreira ainda tem tempo para isso. Não é recomendado para quem é idoso, porque aí não faz sentido uma aplicação de longo prazo”, explica.

Ao escolher o plano, a pessoa precisa se organizar financeiramente. O investimento não pode ser nem tão alto, a ponto de comprometer a renda mensal do consumidor, nem tão baixo, pois não terá efeitos significativos. Em vez de definir o valor fixo, o investidor pode estabelecer uma parcela da remuneração do mês, que pode variar, na maioria dos casos, de 10% a 30%.

Rentabilidade

A taxa básica de juros (Selic), que é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), norteia os juros da economia brasileira. Quanto mais baixa estiver, menor será o rendimento de algumas aplicações financeiras, como as de renda fixa. Na última semana, o BC decidiu por baixá-la para 6,75% ao ano, o que contribui para a redução dos ganhos de vários investimentos, inclusive de planos de previdência privada.

Rodrigo Moscoso afirma que, com os juros menores, a pessoa precisa dobrar a atenção para as taxas cobradas pelas empresas. “Quando essas cobranças aparecem, é possível perceber que é até mais rentável a pessoa deixar na poupança. Ainda mais que algumas instituições cobram outras taxas, de certa forma escondidas”, alerta. Mas, com pesquisa, o consumidor consegue encontrar plano de previdência privada que dê rendimentos muito satisfatórios para a aposentadoria.

Moscoso explica que o Imposto de Renda regressivo é uma vantagem da previdência privada frente às outras aplicações. “Numa aplicação de 30 anos, por exemplo. Com o passar do tempo, a cobrança é muito menor. A tributação sairá da casa dos 30% e chegará em 10%, por exemplo, ao final do período”, diz.

Jonatas Bueno defende que a pessoa deve procurar conhecimento sobre os tipos de investimentos e “fazer o próprio caminho”. “O plano de previdência, para valer a pena, precisa render, por ano, no mínimo, o que Selic oferece hoje. Mas há aplicações que apresentam rentabilidade melhor, e as pessoas podem conseguir, se pesquisarem”, ressalta.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Silva Pinto

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