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Em entrevista, especialista diz que tecnologia aproxima aluno e professor

Tablets, notebooks, redes sociais e softwares específicos para educação são, hoje, as principais formas de se aplicar as inovações tecnológicas em sala de aula

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postado em 30/10/2014 15:41 / atualizado em 30/10/2014 15:41

Ataide de Almeida Jr.

Intel/Divulgação
O uso da tecnologia em sala de aula é algo inevitável e o Brasil deve investir em um suporte tecnológico para a pedagogia. Isso é o que mostrou a pesquisa Intel Global Innovation Barometer, realizada pela Intel, com 12 mil pessoas em oito países. O estudo vai além e, segundo os brasileiros, 77% acreditam que o escolas e professores devem se apoiar mais nessa área para melhorar o sistema educacional — o número é superior à média mundial, que foi de 69%. Tablets, notebooks, redes sociais e softwares específicos para educação são, hoje, as principais formas de se aplicar as inovações tecnológicas em sala de aula. No entanto, a tendência é que isso evolua: de lousas digitais a trabalhos feitos apenas por videoconferência.Para entender um pouco mais sobre essa pesquisa, do uso da tecnologia em sala de aula e da relação com os alunos, o Correio entrevistou Edmilson Paoletti, gerente de Desenvolvimento de Negócios para Educação da Intel.

A tecnologia pode transformar a educação?
O brasileiro tende a ser mais aberto a novas tecnologias e acreditar nela como uma forma de evolução, assim como mostrou a pesquisa. Isso pode ser explicado pela rápida adesão da população a novas plataformas tecnológicas, como as redes sociais. E, por isso, acreditamos que aqui, sim, a educação pode ser transformada por meio da tecnologia, principalmente, por alterar a forma como ocorre o processo de ensino e aprendizagem. Ela sempre teve e ainda terá um papel fundamental daqui para a frente.

O senso comum é que a tecnologia afasta as pessoas — basta olhar WhatsApp e redes sociais. No entanto, na pesquisa, 65% dos brasileiros acreditam que ela vai aproximar o professor do aluno. Como isso ocorre?
Um dos grandes benefícios do uso da tecnologia é o desenvolvimento do trabalho em equipe e da colaboração. E isso ocorre não só entre alunos, mas também entre eles, os professores e os pais. A pessoas tendem a pensar em um afastamento, mas só porque o contato é feito de forma virtual. No entanto, isso é mais uma forma de se comunicar, uma opção. De forma alguma invalida algo pessoal e direto que, com certeza, deve acontecer no ambiente da sala de aula, é insubstituível.

Quais são as soluções tecnológicas que podem ajudar os estudantes e as escolas?
Hoje, o foco está tanto no hardware quanto no software. Juntos permitem o desenvolvimento de habilidades do século 21, que seriam: a colaboração, o trabalho em equipe, o pensamento crítico e as solução de problemas. Para isso, há programas voltados para a administração, que fazem a implementação e o gerenciamento do ambiente escolar, para comunicação entre os alunos, avaliação em sala, simulação de laboratório. Quanto ao hardware, as plataformas foram evoluindo; começou com os notebooks educacionais e recentemente começaram a surgir os tablets. Hoje, há uma divisão entre as implementações em sala de aula das pranchetas. Algumas instituições vão preferir equipamentos que sejam mais lúdicos, para séries do começo da escola. Em outras, faz sentido ter, por exemplo, um teclado físico, como no ensino médio, a fim de permitir a produção de conteúdo. Isso vai variar com a metodologia do lugar. A evolução trouxe ainda os modelos híbridos, uma mistura de tablet e laptops. É importante dizer que a tecnologia na educação já migrou da simples inclusão digital para realmente começar a trabalhar o uso de softwares e de conteúdo, o que possibilita uma nova forma de ensino. Um exemplo são os softwares livres e a tendência forte dos livros migrarem de formato, do físico para o digital, mas não de forma textual, sendo, na verdade, um aplicativo.

Investir em tecnologia ainda é caro para a maioria das escolas. Qual é o papel da indústria e do governo para levar isso para as salas de aula?
A implementação da tecnologia no seu ideal, ou seja, todos os alunos com acesso na sala de aula, o que convencionou a chamar de um a um, ainda é oneroso, principalmente porque não se trata de um investimento único, pois é algo contínuo, que deve ser sempre renovado. Para minimizar isso, as escolas tendem a colocar em prática aos poucos. Começam com projetos pilotos, fazem a simulação do uso no ambiente escolar, dão um notebook a um professor, que o utiliza com um projeto. Depois, passam a incluir a interatividade nesse modelo. Concomitatemente, as instituições têm que engajar o docente e mostrar como isso pode ajudar. Portanto, são dois lados, o custo e o engajamento. A partir de então, equilibrada essas duas vertentes, a escola começa a fazer uma inclusão maior, aumentar a tecnologia e oferecer aos alunos um dispositivo. É todo um processo que precisa ser transformado, feito de forma paulatina. O mesmo ocorre do lado governamental. O que percebemos é que cada vez mais os governos enxergam no uso da tecnologia algo fundamental e isso acaba por se tornar uma política pública.

Como o senhor imagina a sala de aula do futuro?
A visão que temos é de um uso massivo da tecnologia, por todos os alunos, não só dentro da sala de aula, mas também fora dela e com uma utilização colaborativa — com a ajuda de um software que permita a reunião entre eles para se permita trabalhar múltiplas disciplinas. Além disso, que permita uma comunicação constante por meio das redes sociais e com ferramentas que auxiliem no ensino personalizado. Aliás, vemos a participação cada vez maior de tecnologias de aprendizado adaptativo, no qual cada aluno aprende a seu passo. O programa mostra como o discente pode resolver certas deficiências, como em matemática, ou dá dicas de qual é a melhor forma para ele aprender, seja por meio de vídeos, seja por gráficos. Cada pessoa tem uma velocidade de aprendizado, e por meio disso há um aprendizado personalizado.

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