SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Escolas usam tecnologia para que pais participem da vida escolar dos filhos

A vigilância vai desde conferir as notas do boletim até ter acesso às imagens das câmeras no pátio

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/11/2014 18:26 / atualizado em 30/12/2014 16:56

Paula Bittar - Especial para o Correio /

Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press


A falta de tempo é o motivo mais alegado pelos pais para deixarem de participar das atividades escolares dos filhos. Escolher um colégio com um bom currículo não garante um processo de aprendizado satisfatório — nem os excelentes resultados que você tanto sonhou para o futuro da criança. O desinteresse pela vida acadêmica pode afetar diretamente o desenvolvimento dela. Pesquisas na área comprovam que pais que acompanham de perto o crescimento dos filhos são fundamentais para o melhor desempenho social e escolar.

Para resolver o problema, as escolas têm se valido do meio tecnológico para, de alguma forma, aproximar-se mais dos pais. “A ausência deles nas reuniões escolares é um problema que ainda existe. Poucos comparecem com frequência ou participam das atividades. A tecnologia ajuda a suprir essa carência, criando interfaces específicas, como grupos em redes sociais”, diz Gilberto Lacerda, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

Segundo o docente, oferecer esse tipo de serviço pode funcionar também como uma estratégia de marketing. “Não deixa de ser uma medida para tentar a aproximação. Mas algumas questões são discutíveis, como fazer com que os pais vigiem os filhos. Essa decisão implica em uma vigilância constante, o que pode ser ruim para a convivência da criança no ambiente escolar”, pondera o especialista.

Participação
Na escola dos filhos do publicitário Ricardo Tibães, 46 anos, o “portal dos pais”, ferramenta de acesso restrito à mãe e ao pai no site da instituição,tem apenas dois anos no ar. “Achei ótimo quando resolveram implementar essa tecnologia, mas percebi que alguns pais ofeceram resistência. Quebra um pouco a tradição de ir ao colégio receber as notas e conversar com os professores. O virtual oferece mais praticidade, pois fica mais fácil o controle da vida educacional do filho”, conta Ricardo.

O acompanhamento pela internet não exclui a participação presencial. A tecnologia é um complemento ao papel de educadores. No portal, o pai ou a mãe pode identificar um problema que passaria despercebido na correria diária. O monitoramento on-line também serve para avaliar a qualidade do ensino e os métodos da escola. A esposa de Ricardo, Cida Tibães, 45 anos, entra semanalmente no portal. O marido também acessa, mas prefere ir à escola. Assim, o casal divide a tarefa de estar sempre presente na vida dos filhos.

“Não deixo de ir à escola, mas isso é uma característica minha. Vejo nitidamente que não se estende a todos os pais. Alguns se acomodaram. Se eram ausentes na parceria família e escola, algo em que acredito muito, ficaram mais ainda. Mesmo com as ferramentas, faço questão de ir e conversar com os professores. Não é perfeita, mas ali conseguimos muitas informações.

Aspecto negativo
Algumas escolas permitem o acesso pela web às imagens das áreas comuns da instituição. Em tempo real, é possível ver tudo que se passa no pátio. Antes, as câmeras eram apenas para ajudar na segurança do colégio. Hoje, é mais um serviço que muitos procuram nas escolas. O recurso conquista a confiança dos pais, mas gera incômodo aos alunos. “É útil, mas sei que o público vigiado não fica muito satisfeito por ter sua privacidade invadida. Eu prego muito pela segurança dos meus filhos”, diz Ricardo. O publicitário ressalta que sempre manteve o diálogo com os filhos para saber como eles se sentem a respeito das ferramentas de vigilância.

As câmeras podem inibir o comportamento natural do filho. Primeiro, porque ele se sente vigiado até mesmo longe da presença dos pais, ato que já acontece em casa. E, segundo, por, na maioria das vezes, não participar do acordo (pais e escola) que decidiu implementar o monitoramento. “A criança perde a liberdade. Isso diminui a relação de confiança que ela deposita a escola, além de coibir o desenvolvimento da noção de responsabilidade por si só”, afirma o especialista Giberto Lacerda.


Dicas para escolher uma escola tecnológica
» Principais ferramentas tecnológicas usadas para informar os pais:
» Portal exclusivo no site da escola;
» Acesso às imagens das câmeras do espaços comuns;
» Grupos em redes sociais;
» E-mails informativos;

» Boletim on-line.

publicidade

Tags:
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade