SIGA O
Correio Braziliense

Cine Brasília exibe primeiro longa de ficção filmado no Distrito Federal

Lançado em 1966, "Amor e desamor", de Gerson Tavares, narra o envolvimento de um ex-professor da UnB com uma mulher casada; exibição é uma homenagem aos 56 anos de Brasília

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 18/04/2016 19:12 / atualizado em 18/04/2016 19:49

Fernando Jordão - Especial para o Correio /

 

 

Ícone cultural da cidade, o Cine Brasília preparou uma homenagem para celebrar os 56 anos da capital. Na próxima quinta-feira (21), o local será palco da exibição do primeiro longa-metragem de ficção filmado integralmente no Distrito Federal, “Amor e desamor”. O filme será exibido ainda em outras duas sessões, em 22 e 24 de abril, às 21h.

Rodado em 1966, quando Brasília tinha apenas seis anos de existência, a produção do cineasta fluminense Gerson Tavares conta a história de Alberto (Leonardo Villar) e Norma (Leina Krespi). Ela é uma mulher casada que um dia se encontra por acaso com o ex-professor da Universidade de Brasília (UnB). O drama gira em torno do embate entre as personalidades bem distintas de ambos.

Apesar de a trama se desenrolar quase toda em uma casa do Lago Sul, o público será capaz de reconhecer locais famosos da recém-inaugurada capital. A Catedral, o Congresso e o saguão do Hotel Nacional são alguns exemplos. Além de ter sido a primeira ficção rodada no DF, “Amor e desamor” também marca a estreia da atriz Betty Faria no cinema.

Resgate
Nas sessões, antes do longa-metragem, será exibido ainda o curta “Brasília, capital do século”, filmado em 1959, também sob a direção de Gerson Tavares. As duas produções, assim como várias outras obras do cineasta produzidas entre as décadas de 1950 e 1970, foram recuperadas através de um projeto comandado pelo professor Rafael de Luna Freire, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

De acordo com o docente, Gerson parou de produzir filmes na década de 70 e, desde então, sua obra foi gradativamente esquecida. Algumas produções, inclusive, corriam o risco de desaparecer, pois as poucas cópias existentes estavam mal conservadas.

O processo de restauração começou em 2010. “Eu trabalhava na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro quando assisti o ‘Antes, o Verão’ (1968) e me surpreendi com o fato de ninguém conhecer. Depois, descobri que o filme corria o risco de desaparecer e alimentei a ideia de fazer o projeto”, afirma Freire. “Hoje a gente pode ver os filmes do Gerson com um olhar diferente e reconhecer méritos que não foram reconhecidos na época”, completa.

Por fim, o professor avalia como “muito apropriada” a escolha de duas obras do cineasta para homenagear os 56 anos da capital. “Apesar de carioca, o Gerson tem uma relação muito próxima com Brasília. O curta reúne filmagens raras da construção e algumas das poucas imagens que existem das cidades-satélites nessa época. E o longa apresenta dois retratos da cidade: o de personagens das classes média e alta e um outro retrato mais amargo, o da ditadura. O protagonista é ex-professor da UnB e fica subentendido que ele deixou a universidade por causa do regime militar. Os dois filmes são muito bons e praticamente desconhecidos”, finaliza.

 

Confira um trecho de "Amor e desamor":

 

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade