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Correio Braziliense

Após temor com a seca candanga, magistrado se diz fã da capital

Juíz Maurício de Campos Bastos consolidou sua família no Planalto Central, onde criou nove filhos

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postado em 21/04/2016 11:00 / atualizado em 21/04/2016 17:53

Helena Mader

 

Arquivo pessoal


“Vocês vão penar com o ar seco e com o barro vermelho, que gruda na gente e não solta nunca mais.” O vaticínio, anunciado em tom de zombaria pelos amigos de Juiz de Fora, assustou o juiz Maurício de Campos Bastos. Mas não o demoveu do firme propósito de trocar a Zona da Mata pelo Planalto Central. Ele chegou à capital no início dos anos 1970, ao lado da mulher, Cléa Caputo Bastos, e dos nove filhos. A profecia dos camaradas nunca se concretizou. O magistrado se adaptou perfeitamente à cidade, à baixa umidade e até mesmo à terra vermelha. Só sofre com saudades de um bom café mineiro e dos grupos de carteado dos amigos. Na cidade planejada, Maurício criou os filhos e consolidou o clã Caputo Bastos como uma das mais tradicionais famílias de advogados de Brasília. Aos 86 anos e aposentado, não cogita voltar a Juiz de Fora. “Sou um fã incondicional da capital”, justifica.

O magistrado veio para cá com a missão de consolidar a Justiça Trabalhista no Distrito Federal. Trabalhava na antiga Junta de Conciliação e Julgamento, depois chamada Vara do Trabalho. Ao desembarcar na capital, em janeiro de 1973, a família se instalou em um apartamento na 104 Norte. Como as crianças estudavam do outro lado da asa, eles logo se mudaram para a 313 Sul, onde viveram por mais de uma década. Lá, Maurício e Cléa criaram os filhos com o que Brasília tem de melhor: muita brincadeira nos pilotis, boas amizades nas escolas classe e parque, além do corre-corre nas extensas áreas verdes das superquadras.

A família rapidamente se apaixonou pela criação de Lucio Costa. “Eu fiquei impressionado com as avenidas largas e arborizadas, com a qualidade de vida. Gostava de caminhar da Esplanada até a Rodoviária”, revela Maurício. Aos sábados, o casal seguia com os nove filhos para o Country Club, onde a criançada brincava e os adultos batiam papo e jogavam baralho. Aos domingos, iam todos tomar café no aeroporto, à tarde.

Apaixonado por futebol, Maurício gostava de assistir a partidas no antigo estádio Pelezão, no SIA. Antes de virar magistrado, ele trabalhou como locutor esportivo de rádio e narrou até a trágica derrota do Brasil para o Uruguai, na final da Copa de 1950, diretamente do Maracanã. Outro programa obrigatório eram caminhadas pela W3 Sul. “Eu adorava passear por ali. A Cléa frequentava a Bibabô e a Fofi, onde comprava coisas para as crianças. Hoje, fico muito triste de ver o estado de abandono da avenida, que já foi a mais tradicional de Brasília. Está uma decadência completa”, comenta Maurício.

O magistrado aposentado é um crítico do péssimo estado de conservação dos monumentos da capital. “O mobiliário urbano está abandonado e se exaurindo. Não há investimento em manutenção. Veja que tristeza a situação do Teatro Nacional e do Museu da República. Brasília é uma cidade muito nova, e não deveria estar assim”, justifica. “Infelizmente, restaurar o patrimônio não dá voto.”

Além de trabalhar como juiz, Maurício Campos Bastos deu aulas no Centro Universitário do DF (UDF). A paixão pelo direito passou para os descendentes: cinco dos nove filhos e oito dos 24 netos seguiram a carreira jurídica e o sucesso profissional do patriarca. Carlos Eduardo foi ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2004 e 2008. Guilherme Augusto é ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde 2007. Gustavo Henrique e Francisco são advogados — o último presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil do DF entre 2009 e 2012. Eveline, também advogada, é servidora aposentada do TST. Maurício e Cléa tiveram ainda Sérgio Maurício, que é engenheiro eletricista, e Liliane, empresária. Adriana trabalhou na Organização Internacional do Trabalho, e hoje vive no Chile, e Denise é educadora.

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