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Correio Braziliense

Casal brasiliense conta com quatro filhos adotivos

Mário e Aira Carina têm uma escadinha de filhos. O mais velho é filho biológico dele; a segunda é filha adotiva dela; os outros três foram adotados pelo casal.

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postado em 21/04/2016 13:30 / atualizado em 21/04/2016 17:59

Maria Eduarda Cardim - Especial para o Correio /

 

Vinícius Santa Rosa/Esp. CB/D.A Press

 

“Existem famílias bicolores, tricolores. A nossa é colorida, tem ruiva, negro, pardo, cadeirante.” Foi assim que Aira Pereira, 43 anos, mãe adotiva de Monise, 22; Kauan, 10; Nicolas, 8; e Rodrigo, 7, definiu sua família para um coleguinha das crianças que questionou se ela era mesmo a mãe de um deles, por ele ser negro, e ela, branca. A ideia de adotar estava presente na família antes de ela começar a ser formada e antes mesmo de Aira conhecer Mário Luiz Balthar, 53. O carioca veio a Brasília fazer tratamento no Hospital Sarah após um acidente que o deixou paraplégico. “O plano era vir só para o tratamento porque o hospital era referência, mas fui ficando, voltei a trabalhar, construí família e até hoje vivo aqui.”

Desde a adolescência, quando viu chegar sua irmã mais nova, o operador de áudio e vídeo convive com a ideia de adoção. Já a professora de artes tinha esse desejo desde pequena, tanto que, ao conhecer Monise, aluna do ensino especial com uma paralisia cerebral, se apaixonou. Ainda solteira, resolveu tornar a menina sua filha do coração. “Quando a conheci, foi paixão à primeira vista”, conta. Em 2004, numa viagem a Caldas Novas, o casal se conheceu. Um mês depois, estavam casados. A deficiência de Mário sugeria a dificuldade de ter filhos biológicos. “A gente até poderia ter tentado por inseminação artificial, mas seria um processo longo e cansativo”, explica Aira. Foi nesse momento que entraram na fila da adoção. Após cinco anos na fila, chegaram os irmãos Rodrigo e Kauan. Em dezembro de 2015, o casal adotou Nicolas, um presente de Natal, como descreve a mãe.

Além disso, Erick Balthar, 27 anos, filho mais velho de Mário, chegou no ano passado em Brasília para estudar e completar a grande família. A rotina mudou radicalmente. “De uma hora pra outra, tudo se multiplicou, desde o pão do café da manhã até a ajuda no dever de casa”, brinca Aira. Todos vivem na mesma casa, em Sobradinho I.

A relação com Brasília é diferente para o casal. Como Aira nasceu e foi criada na capital, admira e ama a forma como é organizada. Já Mário viveu 28 anos no Rio de Janeiro e teve de se acostumar com a cidade planejada. Hoje, depois de 25 anos na capital, ele comenta que muitas coisas evoluíram na cidade, mas que ainda nem todos os lugares são adaptados. “Já viajei muito e vejo, às vezes, cidades de interior que atendem melhor a um deficiente do que Brasília”, desabafa.

A família gosta de mostrar a cidade para as crianças e gosta de aproveitar os espaços que a cidade oferece, como os parques públicos. Como é professora de artes, um dos programas preferidos de Aira é levar os meninos para peças de teatros e exposições pela cidade. O CCBB é um dos lugares favoritos, pois o espaço reúne arte com uma grande área verde, onde as crianças adoram brincar.

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