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"Aqui, a gente consegue fazer valer nossos direitos", diz cigana que mora na capital

Mineira Daiane da Rocha mora em um acampamento cigano com as filhas Vitória, de 10 anos, e Yasmin, 8

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postado em 21/04/2016 14:00 / atualizado em 21/04/2016 18:12

Correio Braziliense

Vinícius Santa Rosa/Esp. CB/D.A Press
 

 

Saias longas e esvoaçantes, sorrisos largos e maquiagem marcante. Sob a sombra de uma barraca, três moças se arrumam para falar sobre a vida em família. Ali, mãe e duas filhas vivem harmonicamente, na mais digna simplicidade. Ciganas, elas contam que o convívio familiar é como todos os outros. Companheirismo e alegria fazem parte da vida de Daiane da Rocha, 27 anos; e das filhas, Vitória Rocha da Silva, 10, e Yasmin Fernanda da Rocha Feitosa, 8. Elas não se desgrudam um momento sequer.

A história de vida de Daiane se confunde com a trajetória de Brasília. Mineira, ela conta que, em 1974, a família já apostava em Brasília. “Essa cidade sempre foi a rota dos ciganos. Naquela época, meus pais vieram trabalhar no comércio. Ainda era o começo de Brasília”, lembra. Morando num acampamento cigano com as duas filhas, ela não hesita em expressar o amor pela capital que tem acolhido seu povo.

“Eu gosto daqui porque foi o único estado que abriu possibilidades para os ciganos. Aqui, a gente consegue fazer valer nossos direitos. Afinal, estamos na capital da lei”, destaca Daiane. Coruja assumida, ela tem sido pai e mãe. Não deixa que nada falte para as pequenas — nem que, para isso, tenha que tirar algo de si. Sempre juntas, as três vivem uma verdadeira relação de amizade. Nascidas em Pernambuco, Vitória e Yasmim reconhecem o amor de Daiane e, em recompensa, são estudiosas e amorosas.

A mais velha lembra que a luta dos ciganos por respeito é longa e agradece à mãe por todo o encorajamento. “Antes, as pessoas não gostavam muito da gente, mas minha mãe sempre nos ensinou a não ligar pra isso”, conta. Nas horas vagas, ela descreve o que a família costuma fazer. “A gente dança, brinca e faz fogueira. Estamos sempre juntas”, diz. O acampamento onde vivem, em Sobradinho, abriga um total de 15 famílias. Em comunidade, o que vigora é o respeito. “Juntamos todas as famílias, e tudo é motivo de festa. Aqui, a gente é feliz”, garante Daiane.

Para ela, viver em Brasília é a chance de resgatar a cultura cigana. “Eu só posso agradecer a Brasília pela recepção que nos deu. Temos planos de continuar aqui, lutando pela preservação da nossa cultura”, vislumbra.

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