Currículo internacional

Para quem acha que estudar fora é privilégio apenas de jovens de alta renda, uma boa notícia: é possível fazer um intercâmbio para se profissionalizar em qualquer idade e ainda conseguir ajuda de custo

postado em 07/11/2017 13:02 / atualizado em 10/11/2017 12:20

Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press

De repente, ter no currículo um curso de línguas passou de um diferencial para algo essencial. Essa mudança está cada vez mais visível no mercado, que acompanha as mudanças do mundo globalizado e que agora vê outras características como fundamentais. É o caso da internacionalização do currículo, também facilitada pela proximidade simbólica dos países, mas ainda considerada por muitos como um privilégio de pessoas de alta renda.

A boa notícia para quem deseja dar um destaque internacional ao currículo é que são várias as opções de bolsas — desde aquelas em que são financiados todos os custos da viagem até as que pagam gastos consideráveis. Há também pacotes que permitem ao brasileiro estudar e trabalhar para gerar a própria renda enquanto está fora do país. O caminho para conseguir tais incentivos é outro tópico com muitas alternativas, pois o profissional pode concorrer a bolsas de órgãos de fomento nacionais e internacionais, públicos e privados.

Cláudio Vaz, 52 anos, analisa todas as opções enquanto pensa no próximo pós-doutorado. O vice-diretor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) tem no currículo passagens pelos Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Israel, todas com bolsas de órgãos brasileiros — do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O professor alerta para o corte de recursos financeiros por que essas instituições estão passando, mas abre o leque de opções. “É preciso investigar caminhos de órgãos de fomento no exterior também, observando fundações como a Fulbright e a Ford”, exemplifica.

O professor relata que essas experiências fazem com que o profissional se destaque entre tantos outros. Ele dá o caminho das pedras: “O mercado e o mundo passam a ter uma visão diferente do profissional que sai para fazer uma especialização internacional. E se você tem um projeto inovador, que é o principal, e os links de um contato lá no exterior que aposte no seu projeto, você consegue essa especialização sem precisar ter alta renda”, esclarece.
 
 

Networking global
Palavra tão reverenciada no mercado de trabalho, o networking — a criação de uma corrente de contatos e conexões profissionais — fica ainda mais valorizado quando se amplia a rede para outros países. Luciana Fernandes Coelho, 31, é a prova de que essa experiência internacional acrescenta tanto para o currículo quanto para a vida. “Eu tive aulas com os melhores professores do planeta e estabeleci contatos com grandes pesquisadores e juristas do mundo inteiro. Trocamos informações, oportunidades de emprego, tiramos dúvidas... Enfim, estabeleci bons laços”, conta a advogada.

Luciana sempre procurou acrescentar aos seus estudos acadêmicos práticas profissionais. Passou por três formações fora do Brasil e ganhou bolsa do governo alemão na última em que se graduou — o curso de direito internacional para o direito do mar, em Hamburgo, que ela considera o ponto alto para a carreira na ONG em que trabalha, a Oceana.

“A grande maioria dos cursos tem disponibilidade de bolsas. Você só precisa preencher uma série de requisitos elencados nos editais para conseguir.” No caso do curso em Hamburgo, explica Luciana, os principais pontos a seu favor passaram pela identificação de que ela não poderia arcar com o custos sem um apoio financeiro e pela demonstração de como o curso impactaria na sua trajetória profissional e acadêmica.

A vez da experiência
As agências de intercâmbio têm registrado uma maior procura de gente com o perfil de Luciana Coelho — já com uma certa experiência no mercado, empregada e sem tempo para viajar por meses ou anos. E elas contam com programas específicos para esse tipo de profissional, como explica Santuza Bicalho, diretora de produtos da Experimento Intercâmbio Cultural. “Nunca é tarde para fazer um intercâmbio e, se no passado, esse tipo de viagem era mais exclusivo a jovens que tinham disponibilidade para morar de seis meses a um ano no exterior, hoje desperta o interesse de profissionais mais maduros.”

Para Santuza Bicalho, essa mudança é um reflexo das modificações do mercado de trabalho. “À medida que a competição pelos empregos no Brasil se torna cada vez mais acirrada, a busca pelos cursos profissionalizantes no exterior crescem na mesma intensidade. Principalmente, entre a faixa etária de brasileiros que, no passado, não tiveram tempo ou condições financeiras de ter vivência internacional”, analisa.

Percebendo essas mudanças, as agências de intercâmbio estão sempre criando mais programas voltados para esses profissionais, pensando, principalmente, na dificuldade de tempo. “Nunca é tarde para fazer um intercâmbio. Hoje, esse tipo de viagens desperta a atenção de profissionais maduros que querem conciliar férias para ter uma vivência internacional focada em sua área de atuação profissional.”

* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte
 
 
Profissionalização e estudo
Caso o intercambista brasileiro não consiga uma bolsa de estudos, ainda pode recorrer às opções de profissionalização que unem um emprego com o curso a ser realizado. Confira algumas opções da Experimento Intercâmbio:
 
Canadá
» Quem pode trabalhar: brasilerio a partir dos 18 anos que faça no mínimo 14 semanas de curso
» Duração do programa: mínimo de 26 semanas
» Tipo de trabalho: atendimento ao público
» Nível de inglês desejado: básico
» Benefícios do páis: certificado no Diploma in Customer Service; ótimo custo-benefício; diversas datas de início ao longo do ano e com duração de 26, 48, 50, 52 ou 92 semanas.  
 
Austrália
» Quem pode trabalhar: brasileiro a partir dos 18 anos que faça no mínimo 14 semanas de curso
» Duração do programa: mínimo de 14 semanas
» Tipo de trabalho: atendimento ao público
» Nível de inglês desejado: intermediário
» Benefícios do país: retorna ao Brasil com dois certificados; oferece oito opções de cursos profissionalizantes; pagamento de apenas uma taxa de matrícula para os dois cursos; férias de até oito semanas, com possibilidade de trabalho por até 40 horas semanais; sai do Brasil pelo período dos dois programas, eliminando a renovação do visto. 
 
 
 

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