Para o bem e para o mal

Redes sociais extrapolam os limites pessoais e podem até ser decisivas na hora da contratação. Cuidados na hora de publicar fotos e textos, porém, são cruciais para manter bom relacionamento com a empresa

postado em 07/11/2017 13:00 / atualizado em 09/11/2017 14:44

Minervino Junior/CB/D.A Press


As redes sociais ocupam um espaço cada vez maior no dia a dia do brasileiro. Segundo estudo divulgado pela eMarketer, empresa de pesquisa de mercado especializada no universo on-line, o Brasil é o país mais conectado da América Latina, com 93,2 milhões de usuários mensais ativos — que acessam qualquer plataforma social pelo menos uma vez por mês. O que pouca gente sabe é que as redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, podem ser usadas para mais do que o simples compartilhamento de fotos e vídeos.

Graças ao alcance e à praticidade, as ferramentas também marcam presença na vida profissional do usuário e podem ser até a porta de entrada para um emprego. De acordo com o último levantamento da Pesquisa dos Profissionais Brasileiros, realizada pela Catho, 31,5% dos entrevistados procuram vagas em redes sociais. Uma delas é o LinkedIn, considerada a maior rede profissional do mundo. Com mais de 30 milhões de usuários só no Brasil, a plataforma dispõe de cerca de 300 mil vagas de trabalho.

Para marcar uma entrevista, basta conseguir chamar a atenção de um recrutador. “Um bom exercício é pensar: como buscariam alguém como eu? Ou seja, se eu quisesse encontrar alguém com as minhas qualificações, que filtros eu usaria? Que palavras seriam importantes? A partir disso, redigimos nosso perfil. Temos que pensar que ninguém nos conhece e que a ‘mágica’ que fará um recrutador chegar a nós é puramente tecnológica e funciona por junção e aproximação de palavras”, explica Fernanda Brunsizian, gerente sênior de comunicação corporativa do LinkedIn para América Latina, Espanha e Portugal.

 
Após receber o convite de alguns amigos, o analista de sistemas Pablo Henrique, 36 anos, resolveu fazer o cadastro na plataforma. “Comecei a usar com frequência, sempre atualizando informações sobre empregos, certificações e promoções, até que passei a receber propostas.”

Com o interesse por parte das empresas, o atual gerente de TI da GlobalWeb conseguiu negociar salários e aprimorar parte da experiência. “O contato foi para saber se eu queria participar do processo seletivo. Participei de entrevistas com o headhunter, com o pessoal do RH e com o diretor da organização e, em seguida, recebi a oferta para contratação. Em menos de um mês, já estava trabalhando no projeto.”

Mesmo com a passagem breve, a oportunidade mediada pelo LinkedIn trouxe benefícios para a carreira de Pablo. “Quando encerrei minha parte no projeto, eles me desligaram e comecei a entrar em contato com outras empresas por meio da rede. Fiz mais de 20 entrevistas e fui chamado de volta para o local em que eu trabalhava, só que em um cargo melhor, graças à bagagem adquirida nesse emprego temporário”, explica.
 

Aliados importantes

 
As redes sociais também podem ser usadas pelas empresas para vender serviços e formar o próprio público. Dono de uma choperia em Águas Claras, o empresário Leonardo Ribeiro contratou uma agência especializada só para cuidar dos perfis do estabelecimento. “Em um mundo onde todo mundo está conectado o tempo inteiro, ficar fora das redes sociais é praticamente impossível. Você precisa marcar presença, dizer o tipo de produto que tem, promover o seu lugar”, conta.

Juntando Instagram e Facebook, a choperia já tem aproximadamente 9 mil seguidores. Leonardo conta que parte do movimento do local é resultado da divulgação nas redes sociais. “Se a gente faz uma postagem na terça-feira, na quinta, a casa lota. Para mim, é a maneira mais fácil e barata de promover o serviço.”
 
 

Todo cuidado é pouco
 

Mas as redes sociais também exigem cuidados. Publicar fotos ousadas, expor opiniões polêmicas e até criticar a atual conjuntura política e econômica do país são costumes relativamente comuns na internet. Entretanto, por mais que aquele espaço seja seu, é necessário tomar alguns cuidados antes de clicar no botão “postar”, principalmente se você estiver à procura de um emprego.

A Consultora de RH Sênior do Grupo Spot Soluções em Recursos Humanos, Maurikeli Teles, explica que a forma como as pessoas se expressam em redes sociais pode influenciar na hora de concorrer a uma vaga. “É muito comum que os próprios gestores entrem nas páginas do candidato para verificar como essa pessoa se posiciona sobre determinados assuntos. Às vezes, a empresa fica em dúvida entre dois profissionais e essas publicações podem ser o critério de desempate.”

Discursos de ódio, posicionamento político, publicações negativas sobre o antigo emprego e até mesmo o tipo de imagem compartilhada podem afastar os recrutadores. “Estamos passando por um processo de transformação, em que as empresas estão muito focadas em verificar os valores dos candidatos para saber se eles são compatíveis com os da organização.”

Maurikeli explica ainda que as plataformas sociais funcionam como uma espécie de portfólio e podem oferecer oportunidades interessantes. “É comum que pessoas que se destacam por um trabalho legal nas redes sejam chamadas para atuar dentro de determinadas empresas, mesmo sem possuir nenhum tipo de experiência na área”, conta. Para evitar problemas, nada melhor do que a boa e velha sensatez. “Bom senso e cautela são essenciais para qualquer um, em qualquer situação. Antes de fazer uma publicação, é só pensar se aquele conteúdo vai ofender alguém.”

No caso do LinkedIn, onde as conexões são estritamente profissionais, os usuários devem tomar ainda mais cuidado. “As redes sociais fazem os conteúdos chegarem a pessoas que não conhecemos, que possuem referências e histórias de vida completamente diferentes das nossas. O LinkedIn é a nossa marca profissional e deve refletir o cuidado que temos com a nossa carreira”, diz Fernanda Brunsizian, do LinkedIn.

Portanto, ela aconselha avaliar se a sua publicação pode estar ofendendo alguém. Para diminuir esse impacto, a sugestão é que mais pessoas leiam o seu texto antes de publicar, de preferência gente de opiniões diversas. “Os assuntos pessoais devem ficar de fora, e discursos de ódio são proibidos”, completa.
 
 


Em busca do melhor

 
O “caçador de cabeças”, no termo em inglês, é uma espécie de mediador entre a empresa e o futuro funcionário. Ele é responsável por selecionar os melhores profissionais de determinadas áreas do mercado, levando em consideração as necessidades e os desejos da organização. Diferentemente de um simples recrutador, que, na maioria das vezes, recebe currículos e ainda não conhece os candidatos, o headhunter mantém uma rede de relacionamentos e garimpa pessoas que têm carreira dentro do campo de atuação.

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