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Presidente da Cbic cobra do governo ações para a retomada de obras

Segundo José Carlos Martins, ações são vitais para o crescimento do país

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postado em 20/12/2016 09:57 / atualizado em 20/12/2016 10:06

Minervino Junior/CB/D.A Press

A retomada da economia a partir de 2017 exigirá um esforço redobrado do governo para melhorar a infraestrutura do país. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, "se a infraestrutura não avançar, vão sofrer a agricultura, a pecuária, o comércio, a indústria, os serviços, tudo". Ele ressaltou que a retomada das obras, todas de longo prazo, precisará de regras claras e consistentes.

 

Na visão de dele, há uma boa expectativa dos investidores em relação ao programa de concessões e de privatizações que está sendo elaborado pelo governo, mas não há como acreditar que os projetos darão um impulso mais forte à atividade no ano que vem. "O retorno será sentido bem mais à frente", disse. "Estamos falando de empreendimentos que levam tempo. Consomem mais de um ano para elaboração e início das obras. Assim, dificilmente a construção civil começará a alavancar a economia antes do segundo semestre de 2018", destacou.

 

Para o presidente da Cbic, uma alternativa a curto prazo seriam as parcerias com os municípios que demandam empreendimentos menores, como saneamento básico, iluminação pública, rodoviárias e parques. Os recursos estão garantidos pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e as obras podem começar rapidadmente.

 

Dados levantados pela entidade indicam que o país precisa investir 3% do Produto Interno Bruto (PIB) somente para manter a infraestrutura. "Estamos, contudo, aplicando apenas 1,8%, ou seja, estamos perdendo o que existe e não estamos mantendo o que já temos", assinalou.

 

Mão de obra

 

Segundo Martins, a capacidade e a velocidade da construção civil de absorver mão de obra é enorme. Os investimentos em infraestrutura podem gerar pelo menos 2 milhões de empregos, um dado relevante se levado em consideração que o país tem hoje mais de 12 milhões de desempregados.

 

Um dado alarmante: 57% dos trabalhadores da construção civil não recolhem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "Caso esses trabalhadores sejam formalizados, o potencial de arrecadação chega a R$ 30 bilhões por ano. Essa é uma preocupação que temos, porque distorce o setor. Isso deveria ser fiscalizado, tanto para regular melhor o mercado quanto para melhorar a arrecadação", afirmou Martins.

 

Na opinião do presidente da Cbic, há um excesso de burocracia que encarece o valor dos imóveis em 12%. "É algo que tem que ser enfrentado. Não é justo que as famílias paguem tão caro pela ineficiência da máquina pública", criticou. Ele lembrou que, além da burocracia, é preciso acabar com a insegurança jurídica e mudar a lei trabalhista. Ressaltou ainda que uma das características do mercado imobiliário é oferecer um produto de longo prazo. "Você não pode lançar um empreendimento hoje querendo vender amanhã", afirmou.

 

Sobre as perspectivas para o próximo ano, Martins mantém os pés na realidade. "Trabalhamos com o PIB do setor zerado. Só teremos resultado melhor se houver queda significativa de juros". De acordo com a entidade, 2016 foi marcado por queda nos postos de trabalho. Foram fechadas 392 mil vagas e não há, até o momento, indícios de recuperação. 

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