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Fim do corporativismo é um dos vetores para o crescimento do país

Segundo o presidente da Arko Advice Murillo de Aragão o Brasil chega a um momento de sua história em que a sociedade começa a perceber o quão perversa é a relação que algumas corporações impõem à sociedade

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Minervino Junior/CB/D.A Press
 crise política não dará trégua tão cedo e vai continuar ditando os rumos da economia. “O momento é absolutamente desafiador”, disse o cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice. Para ele, será preciso manter a cabeça fria “nesse nevoeiro de incertezas”, para que os fatos sejam examinados com clareza, porque muitas coisas importantes estão acontecendo. “Os vetores do nosso futuro estão sendo colocados desde já. Vejo que esse futuro poderá ser melhor do que o nosso presente”, disse.

O primeiro vetor, segundo Aragão, é o caráter transnacional do controle da corrupção, reforçado com o conjunto de regras internacionais que elevou, nos últimos anos, o nível de combate à corrupção em todo o mundo. Empresas nacionais e estrangeiras passaram a ser submetidas a um conjunto de regras muito mais rigorosas. “À medida que as empresas brasileiras passam a ter uma integração, uma interação com o mundo exterior, elas são submetidas a essas regras, como a Petrobras, que está sendo examinada, processada e investigada nos Estados Unidos. Isso faz com que práticas nefastas para o nosso sistema econômico sejam também combatidas por essa exposição”, explicou.

No entender de Aragão, a emergência do compliance, o terceiro vetor, é uma necessidade atual para qualquer empresa minimamente organizada. “As empresas devem seguir mecanismos rigorosos de combate à corrupção e ao tráfico de influência e devem pautar, por normas éticas e institucionais, o seu relacionamento com os poderes, com os concorrentes e com os demais atores da sociedade”.

O vetor da transparência dos governos é absolutamente essencial no Brasil, mas, aliado aos dois vetores anteriores, combate transnacional da corrupção e compliance, força a existência de um grau de transparência classificado como incomum por Aragão. “O relacionamento da sociedade e do mundo econômico com o governo será mais transparente. A corrupção tem, de um lado, alguém que cria dificuldades e, do outro lado, alguém que compra uma facilidade. O fato de termos um governo opaco, com excessivo poder burocrático, favorece a ocorrência de corrupção”, afirmou.

Cidadania
O cientista político citou também a questão da intolerância ao corporativismo como o quinto vetor. Segundo ele, o Brasil chega a um momento de sua história em que a sociedade começa a perceber o quão perversa é a relação que algumas corporações impõem à sociedade. “Essa existência de cidadãos de primeira e de segunda classes revela uma vocação muito forte do corporativismo no Brasil. Mas esse corporativismo hoje começa a ser questionado. O próprio debate da reforma previdenciária e dos supersalários coloca em xeque o corporativismo.”

Outro vetor para o futuro do Brasil é o que o cientista político descreve como “o naufrágio do modelo fiscalmente irresponsável e populista que existia no Brasil”. Segundo Aragão, não há mais como manter governos fiscalmente irresponsáveis. “Isso leva à paralisia, à desordem, ao caos.” 

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