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Juros no Brasil têm que cair rápido, avalia o economista Tony Volpon

Na avaliação de Volpon, que, quando foi diretor do BC defendia uma política mais dura em relação aos juros, não há, hoje, a preocupação que se tinha, em 2015, com a escalada da inflação

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postado em 20/12/2016 10:37

Minervino Junior/CB/D.A Press
 

A forte recessão que atormenta o país e a inflação convergindo para o centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, permitirão que o Banco Central  (BC) acelere os passos e corte mais rapidamente a taxa básica de juros (Selic) em 2017. Essa é a avaliação do economista Tony Volpon, ex-diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC. “O BC precisa ser mais agressivo na condução da política monetária”, disse. Para ele, apesar de o consenso no mercado financeiro ser de que a Selic cairá 0,5 ponto percentual em janeiro, ele vê espaço para uma baixa de 0,75 ponto, dos atuais 13,75% para 13% ao ano.


Na avaliação de Volpon, que, quando foi diretor do BC  defendia uma política mais dura em relação aos juros, não há, hoje, a preocupação que se tinha, em 2015, com a escalada da inflação. Mesmo com todos os artifícios usados pelo governo de Dilma Rousseff, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cravou alta de 10,67% no ano passado, o nível mais elevado desde 2002. “Não há como comparar o quadro atual com o de 2015, quando a inflação estava saindo do controle. Naquele momento, precisávamos ser muito duros na condução da política monetária. Agora, a inflação caminha para a meta e a recessão está profunda”, afirmou.


O ex-diretor do BC destacou, porém, que há um peso excessivo sobre a política monetária. Como o ajuste fiscal prometido pelo presidente Michel Temer só começará a surtir efeito em 2018, o BC precisa ser mais rigoroso com a Selic. “Um erro fundamental nas diretrizes econômicas do governo Temer é a política monetária relativamente apertada e política fiscal frouxa. Temos que ter uma política fiscal mais apertada agora e não ficar jogando a conta para o próximo governo,  para 2018, 2019”, assinalou. O descompasso, acrescentou Volpon, custa caro para a economia. Não por acaso, os economistas estão pessimistas quanto à capacidade de recuperação da atividade em 2017.

Descompasso
Enquanto essa equação não for resolvida, ajuste fiscal firme e cortes efetivos nos juros, as empresas e os consumidores não conseguirão alforria do endividamento que acumularam durante os governos de Dilma Rousseff. “As empresas e as famílias estão em situação muito difícil. Mantido o quadro atual, não haverá investimentos nem compra de bens duráveis. O resultado será uma lenta recuperação da economia.


“É preciso ver uma coisa muito importante para se entender o porquê de termos um padrão de recuperação muito lento da economia: essa é a primeira recessão pós-crescimento do mercado de crédito no Brasil. Entre 2012 e 2014, houve um incentivo muito grande para que o setor produtivo e as pessoas físicas se endividassem. Com a queda na produção e o desemprego, ficou difícil fechar as contas”, frisou Volpon.


Para ele, as medidas de incentivo à redução anunciadas pelo governo podem, ao longo do tempo, dar um alívio no caixa das empresas e dos consumidores. Mas será um processo lento, gradual. Será preciso ter muita paciência para que os resultados possam  aparecer. O estrago na economia nos últimos anos foi grande demais.

 

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