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Economista alerta sobre problemas políticos que impedem andamento do país

Para André Perfeito ainda há muitos entraves a serem superados, problemas que foram criados nos últimos anos e que custarão muito caro ao país

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Minervino Junior/CB/D.A Press

A Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento dos gastos públicos à inflação do ano anterior é a mãe de todas as reformas que estão por vir. Porém, a curto prazo, a nova lei não vai solucionar os problemas econômicos do Brasil, alertou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Para ele, ainda há muitos entraves a serem superados, problemas que foram criados nos últimos anos e que custarão muito caro ao país.

Na opinião de Perfeito, quando se discute economia, fala-se, na verdade, de uma equação simples, formada pelo consumo das famílias e do governo, pelos investimentos produtivos e pelas exportações líquidas. “O que temos, na atual conjuntura, é o consumo das famílias caindo fortemente, retração que continuará nos próximos meses devido ao aumento do desemprego. Temos o deficit público, gerado pela queda relevante das receitas e, para aumentá-las, só há dois caminhos, o aumento de impostos ou incentivos à economia. E mais: as empresas estão endividadas demais e sequer conseguem faturar para pagar juros aos bancos. Nesse contexto, fica difícil falar em recuperação rápida da atividade”, explicou.

Nem mesmo os consecutivos saldos da balança comercial animam o economista. Por uma razão simples: o resultado está positivo não porque o país está exportando, mas, sim, porque está importando menos diante da gravíssima recessão. Assim, Perfeito estima que o Produto Interno Bruto (PIB) registrará crescimento de apenas 0,2% em 2017, projeção muito inferior ao 0,7% da média do mercado e ao 1% estimado pelo Ministério da Fazenda. “Existe um mito de que juro baixo não garante crescimento. Se garantisse, o Japão, os Estados Unidos e a Europa seriam um canteiro de obras”, afirmou.

O ponto principal do Brasil, reforçou o economista, “é político, e é preciso estabilizar o país”. Ele lembrou que, no processo de impeachment de Dilma Rousseff, as pessoas tinham a sensação de que, após o afastamento da petista, a recessão acabaria e o Brasil voltaria a crescer. “Não é possível imaginar isso a curto prazo sem um sério ajuste fiscal”, frisou.

Donald Trump
Segundo Perfeito, o fato de o teto para os gastos públicos apontar para um ajuste fiscal nos próximos 20 anos e trazer, para o presente, juros menores, cria-se a sensação de que os investimentos produtivos aumentarão, puxando a demanda. Para ele, porém, esse raciocínio está descolado da realidade. “Não acredito que, mesmo com juros baixos, seja possível gerar um processo de investimentos robusto a curto prazo. Por isso, a economia terá crescimento muito tímido em 2017”, assinalou. Ele alertou ainda que é preciso ficar atento às condições de liquidez do mundo. “Com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos e o dólar forte, pode-se fazer um esforço brutal, mas os juros não cairão tanto”, advertiu.

Na visão do economista, mesmo com os incentivos dados pelo governo, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão caindo fortemente. Dados da Serasa Experian mostram que metade das empresas do Brasil está endividada. “O teto dos gastos é importante porque trará racionalidade para a máquina pública, mas, diante do momento político atual, do alto grau de temperatura com as delações da Odebrecht e de outras que estão por vir, é preciso ter muita cautela nas projeções”, destacou.

O economista reforçou que o Brasil necessita urgentemente que a crise política seja estabilizada. “Estamos muito tensos o tempo todo e, como economistas, não aguentamos mais mudanças bruscas”, frisou.
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