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Ato público celebra 50 anos do discurso de Jango anunciando reformas

Conjunto de medidas incluía estatização de refinarias e desapropriação de terras, entre outras pautas que acabaram por catalisar a chegada da ditadura militar no Brasil

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 O Cruzeiro

Um ato público na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, celebrou ontem o Comício da Central, episódio em que, no mesmo local, há 50 anos, 200 mil pessoas ouviram o então presidente João Goulart anunciar as reformas de base.

O conjunto de medidas incluía estatização de refinarias e desapropriação de terras, entre outras pautas que acabaram por catalisar a chegada da ditadura militar no Brasil. Convocado principalmente por centrais sindicais e partidos políticos, o evento contou com a presença do filho de Jango João Vicente Goulart e de Waldir Pires, consultor-geral da República em 1964.

Durante o dia, uma longa programação debateu temas relacionados ao golpe e ao aperfeiçoamento da democracia atual. Em um dos debates, a viúva de Jango, Maria Thereza, se emocionou ao falar do marido, “que tanto sonhou”. “Meu tempo já é pouco, mas, aos jovens, desejo que lutem pelo futuro do Brasil e pela paz”, disse a ex-primeira-dama.

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A homenagem de ontem se encaixa em uma série de eventos em todo o Brasil para debater o período da ditadura e suas consequências para o país. No Recife, o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón Real, responsável pela ordem de prisão contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, na década de 1990, foi o principal palestrante do dia no Congresso Internacional sobre os 50 anos do golpe. Garzón disse que as comissões da verdade instaladas no Brasil não devem substituir a ação da Justiça.

“As comissões da verdade são um mecanismo de justiça restaurativa, que deve ser completado com alguma ação da Justiça que proponha a reparação inteira da vítima.” Para o espanhol, “o que se sucedeu no Brasil é que, durante muito tempo, a aplicação da Lei de Anistia foi total e absoluta, e a ação da Justiça não foi questionada”.

Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por não investigar e punir os responsáveis pelas mortes na campanha contra a Guerrilha do Araguaia. “Estamos em tempo de buscar essas respostas e, sobretudo, para que os culpados tenham a obrigação de prestar contas diante das vítimas, e isso deve ser em esfera judicial”, opina. (colaborou EM)

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