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Direita e esquerda dividem espaço pelos 50 anos do golpe de 1964

O epicentro da queda de braço será a cidade de São Paulo

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postado em 15/03/2014 10:17

Maria Clara Prates

Belo Horizonte — No rastro das manifestações que tomaram as ruas do país em junho do ano passado, grupos de direita e de esquerda prometem ocupar novamente as vias públicas, este mês, em razão do aniversário de 50 anos do golpe de 1964. Pela primeira vez, desde o fim da ditadura, defensores do regime militar prometem sair para defender publicamente o movimento. O epicentro da queda de braço será a cidade de São Paulo, onde está sendo reeditada a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que aconteceu uma semana antes de o Exército tomar o poder no país e defendia a queda do então presidente João Goulart. Agora, organizada por entidades civis, entre elas, a Organização de Combate a Corrupção (OCCAlerta Brasil), a marcha está marcada para o dia 22, na Praça da Sé.

Carlos Moura/CB/DA Press


No sentido contrário, a entidade Antifascista (Antifa), que atua em vários países, promete ocupar o mesmo espaço, a Praça da Sé, com o slogan “ditadura nunca mais”, também no dia 22. Inicialmente, a manifestação iria acontecer em 1º de abril, mas a data foi alterada após a convocação para a marcha conservadora. O Antifa diz em sua página nas redes sociais que mantém o anominato de seus integrantes, mas esclarece ser um grupo de combate a qualquer tipo de fascismo, lutando contra o racismo, a homofobia, o vandalismos, entre outras bandeiras.

De acordo com a OCCAlerta Brasil, que apoia a marcha da família e ajuda na divulgação do evento, disse que essa manifestação está sendo convocada em repúdio à “ditadura proletária do PT”, responsável pela “farsa do julgamento do mensalão” e por “obras superfaturadas da Copa, má gestão da coisa pública e a institucionalização da corrupção e da impunidade”. Defende ainda, segundo a organização, o impeachment da presidente Dilma. Em julho, a entidade capitaneou uma marcha com os mesmos propósitos em São Paulo e no Rio, mas não conseguiu reunir mais de 100 pessoas em frente ao Museu de Arte Moderna da capital paulista (Masp).

Militares

Pouco afeitos a manifestações públicas, militares começam a deixar a caserna para dar apoio à nova onda conservadora de protestos e, não raro, à ruptura institucional. Na revista Sociedade militar, o general de brigada Paulo Chagas se manifestou a favor da Marcha da Família. “Os militares em reserva se têm somados aos civis que enxergam em uma atitude das Forças Armadas a tábua da salvação para a Pátria ameaçada, quando não são eles próprios os alvos do clamor daqueles que já identificam nas imagens dramáticas da capital venezuelana a cor fúnebre do nosso destino”, publicou. Por sua vez, o general de Exército aposentado Rômulo Bini Pereira, depois de assinar um editorial em jornal impresso em defesa do golpe de 1964, convocou os que pensam como ele a se manifestarem no dia 31 de março, de forma simbólica, “com uma ruidosa saudação advinda de salva de foguetes, em hora e data marcadas”, a partir das 20h. Mas fez uma advertência: “Não usem armas”.

Memória
Onda conservadora


A Marcha da Família com Deus pela Liberdade é um nome comum a uma série de eventos ocorridos em março de 1964 em resposta à considerada “ameaça comunista” embutida no comício do presidente João Goulart, em 13 de março, na Central do Brasil. Naquele ato público, o presidente prometeu reformas de base — uma série de mudanças administrativas, jurídicas, econômicas e agrárias — que feriam interesses (e crenças) das classes mais favorecidas, já que havia a expectativa de que o governo iria estimular a distribuição de bens e de terras. Vários grupos sociais, o clero e setores sociais e políticos mais conservadores se organizaram em marchas, levando às ruas mais de 1 milhão de pessoas, para pedir a queda do presidente João Goulart do governo. A primeira passeata, em 19 de março — dia dedicado a São José, padroeiro das famílias —, em São Paulo, reuniu cerca de 500 mil pessoas, e foi organizada pelas organizações Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), União Cívica Feminina e Fraterna Amizade Urbana e Rural, entre outros grupos. Na ocasião, foi distribuído o Manifesto ao povo do Brasil, que pedia o afastamento de Jango.

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