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Correio Braziliense

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Candidato da UNE lembra da invasão e queda do Congresso de Ibiúna em 1967

A partir do golpe militar de 1964, os movimentos estudantis passaram a ser reprimidos. O AI-5 praticamente decretou o silêncio dos grêmios e centros estudantis

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postado em 29/03/2014 08:01

Julia Chaib



No dia da sessão do Congresso que decretaria vaga a Presidência da República e abriria caminho para a ascensão do regime militar, foi desferido o primeiro golpe contra a juventude. Em 1° de abril de 1964, a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro, foi incendiada. O momento marcou o início de uma luta que deixou pelo menos 131 alunos mortos ou desaparecidos, segundo registros da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria de Direitos Humanos. Além de lutarem contra a privatização das universidades e o regime militar, as reivindicações estudantis passavam por pedidos de maior repasse de verbas às instituições e à melhoria dos restaurantes universitários.

De acordo com a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Maria Ribeiro do Valle, autora do livro 1968: o dialogo é a violência. O movimento estudantil e a ditadura militar no Brasil, o golpe contra o governo de João Goulart não pegou inicialmente os estudantes mais articulados. No entanto, o regime os enxergava como ameaça, devido às correntes progressivas e de esquerda. “Os estudantes são catalogados como mal a ser varrido pelos militares. Eles eram considerados subversivos”, analisa Maria Ribeiro.

Entrevista com Jean Marc von der Weid, presidente da UNE em 1969


 Em outubro de 1964, a UNE passou a ser considerada ilegal, por meio da Lei Suplicy, o governo criou os diretórios nacional e estaduais de estudantes, além de vincular os Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) e Diretórios ou Centros Acadêmicos (CAs). Mesmo assim, muitos dos DCEs e dos CAs conseguiram desviar da repressão. Jean Marc von der Weid, 68 anos, eleito presidente da UNE em 1969 e aluno da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que as mobilizações e as passeatas dos estudantes eram organizadas justamente em assembleias realizadas nesses centros.

“Os DCEs, naquela época, perderam autonomia, tinham restrições, mas menos do que as estruturas da UNE, tanto nacionalmente quanto estadualmente. Quem estabelecia a vigilância e a repressão em cima desses organismos (DCEs e CAs) eram as reitorias e as diretorias das universidades. Com o tempo, esse diretórios foram se tornando movimentos cada vez mais ativos, apesar da repressão” conta Jean, que era membro do movimento político Ação Popular, do qual outros estudantes também eram integrantes.
Colaboraram Amanda Almeida e Ana Pompeu

Espancamentos
A partir de 1965, foram organizadas as primeiras passeatas contra a Lei Suplicy. Um ano depois, aconteceu um dos episódios mais marcantes da luta estudantil, que ficou conhecido como Massacre da Praia Vermelha. Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na época Universidade do Brasil, saíram em passeata reivindicando autonomia e mais verbas para a instituição e cerca de 600 alunos ocuparam a Faculdade de Medicina, na Praia Vermelha. Centenas foram espancados por agentes da repressão.

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