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Correio Braziliense

Em último discurso como presidente, Goulart fala sobre observância da lei

Ele também defendeu as reformas de base e um país com mais justiça social. Acabou deposto

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Indalecio Wanderley/ O Cruzeiro/ EM/D.A Press - 4/4/63


O ex-presidente João Goulart deixou o governo da mesma forma como o assumiu, em 1961, depois da renúncia de Jânio Quadros, sob a pressão dos militares que vetaram sua posse: voando de um lado para o outro, acossado pelos inimigos, traído pelos mais fortes e apoiado pelos que não tinham forças suficientes para resistir. Em 1964, entretanto, não houve acordo como em 1961 e ele acabou deposto e exilado, só retornando morto ao Brasil 12 anos depois.

Na noite do dia 30, contrariando alertas dos conselhos mais próximos, o presidente compareceu ao ato pelos 40 anos da Associação de Subtenentes e Sargentos da PM no Automóvel Club do Rio de Janeiro, onde fez seu último discurso. Pregou a observância da lei e da ordem, mas defendeu as reformas de base e um país com mais justiça social. “Assustou os civis e assustou demais os militares, que não o viam com simpatia. Assustou tanto que o general Mourão Filho antecipou o golpe. A previsão do golpe era para ocorrer depois de 15 de abril. A conspiração era nesse sentido”, analisa o historiador Ronaldo Costa Couto que, entre vários cargos de destaque na política brasileira, foi secretário de Planejamento e confidente de Tancredo Neves.

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Em 30 de março, quando Jango saiu do evento no Automóvel Club, depois das 22h, recolheu-se ao Palácio das Laranjeiras. “Como presidente da República, ele era também o comandante supremo das Forças Armadas. A leitura militar foi que a presença dele ali quebrou a hierarquia e a disciplina. E esses são dois valores fundamentais na cultura militar. Então, a partir dali em diante, ficou muito difícil”, contextualiza Ronaldo Costa Couto.

O historiador conta que Tancredo o confidenciou que, durante a tarde, Jango ligou e leu o discurso previsto para a noite. “O Tancredo estava no apartamento dele, em Copacabana. Ele fez o seguinte comentário: ‘belo discurso, mas talvez custe a Presidência da República’. O Tancredo era um sábio político e um estrategista”, avalia.

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