SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Filho de Jango diz que Brasil ainda precisa refletir sobre reformas de base

Ele participou, no Senado, de sessão solene para lembrar o discurso que o ex-presidente fez na Central do Brasil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/04/2014 19:40

Agência Brasil

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

O filho do ex-presidente João Goulart (Jango), João Vicente Goulart, disse nesta sexta-feira (4/4) que o Brasil ainda precisa refletir sobre as reformas de base propostas por seu pai há 50 anos. Ele participou, no Senado, de sessão solene para lembrar o discurso que o ex-presidente fez na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, para anunciar que colocaria em prática as reformas agrária e universitária e a nacionalização do petróleo, entre outras coisas.

Para João Vicente, os acontecimentos que levaram ao golpe militar devem ser recordados para que o país retome as discussões sobre as mudanças que precisam ser feitas. “Por isso, a reflexão se faz presente; a reflexão de uma proposta que o [ex-]presidente João Goulart tinha há 50 anos e que não era apenas de uma proposta de governo. João Goulart fez a propositura das reformas de base que modificariam as estruturas sociais, econômicas e políticas”, disse.

Em seu discurso, o filho do ex-presidente citou a remessa de lucro das empresas de telefonia para o exterior, sem investimentos no setor, no Brasil; a estagnação da reforma agrária; e o que chama de “competitivismo” nas universidades. Isso para dar exemplos, segundo ele, dos efeitos nocivos que a interrupção das reformas de base trouxe. “Jango, já no exílio, dizia que um país mais rico não é aquele que tem um PIB [Produto Interno Bruto] maior, não é aquele que exporta mais, não é aquele que tem uma balança comercial favorável. Um país mais rico é aquele em que o seu povo tem o índice de desenvolvimento melhor, em que as crianças estão mais bem cuidadas, em que as oportunidades são idênticas para todos”, disse.

Leia mais notícias em Política

Em concordância com João Vicente, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que a nação brasileira ansiava por mudanças naquela época, como se “estivesse grávida de um tempo novo”. Na opinião dele, o golpe militar, ao impedir as reformas, provocou um retrocesso no desenvolvimento do país. “Embora o dia 13 de março seja lembrado mais como ponto de partida do golpe conservador, eu sempre gosto de lembrar a data como um ponto de coroamento da tentativa de fazer as reformas que o Brasil precisava: frustradas, derrotadas, mas necessárias. Necessárias a tal ponto que até hoje a gente sabe que muitas delas continuam como uma necessidade. Aquele Brasil que ansiava nascer foi interrompido e, no lugar, foram feitas reformas pelo lado conservador”, disse o senador.

Autor do requerimento para a sessão solene, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que a lembrança dos momentos históricos é importante para que o Brasil supere de vez os traumas provocados pela ditadura militar. “Assim como na vida pessoal, é necessário para todos nós fazermos a catarse quando passamos por traumas e procuramos um psicólogo, é preciso fazermos catarse dos traumas que passamos, é necessário a vida nacional brasileira fazer uma profunda catarse do trauma que foram os 21 anos de tristeza, tortura, dor e morte”, disse.

Para ele, “muitas mentiras” foram divulgadas pelo regime militar, entre elas a de que os 21 anos dos governos de exceção foram os anos em que o Brasil mais cresceu. Relembrando números, Randolfe disse que os anos em que o Brasil mais cresceu economicamente foram os de democracia pré-golpe. “Naquele período, durante três vezes consecutivas, o Brasil chegou a crescer 11% ao ano. A nossa média de crescimento econômico era de 7,6% ao ano. No período seguinte, da ditadura, mesmo tendo crescido 14% em um ano, o crescimento não foi, em média, superior a 6%, e o período seguinte – o período em que vivemos até hoje – foi de baixo crescimento econômico, o pior”, disse.

O Congresso fez várias sessões solenes nesta semana para lembrar fatos relacionados ao golpe militar, que completou 50 anos no último dia 31. O discurso de João Goulart na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e o anúncio das reformas de base são considerados, historicamente, o estopim para o golpe, quando os militares entenderam que precisavam frear as medidas consideradas comunistas do então presidente da República.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade