O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou ontem os humoristas a fazerem piadas ou sátiras com políticos nos programas veiculados em emissoras de rádio e televisão durante o período eleitoral. Em julgamento iniciado na quarta-feira e encerrado somente na noite de ontem, depois de mais de quatro horas de debate em plenário, por seis votos a três os ministros referendaram a liminar concedida na semana passada pelo ministro Carlos Ayres Britto à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert).
A liminar suspende o inciso 2º do artigo 45 da Lei Eleitoral, que proibia às emissoras de rádio e de televisão, a partir de 1º de julho do ano da eleição, de “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito”.
Os ministros também decidiram suspender trecho do inciso 3º do artigo 45, que vetava às emissoras “difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, seus órgãos ou representantes”. Com isso, os comentaristas das rádios e TVs ficam liberados para fazer críticas, embora as emissoras continuem proibidas de se posicionar a favor de candidaturas e de veicular propaganda política. No período eleitoral, a única forma de propaganda permitida é o horário eleitoral gratuito, além das inserções.
No julgamento, prevaleceu o voto do relator do processo, Carlos Ayres Britto, para quem o artigo da lei em questão configurava uma forma de censura. “Nos editoriais é possível fazer críticas. O que não se pode é encampar, patrocinar, bancar determinada candidatura. Eleição é um período em que a liberdade de imprensa deve ser maior”, sustentou o relator.
Seguiram o voto de Ayres Britto os ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ellen Gracie, Celso de Mello e o presidente do STF, Cezar Peluso. Ficaram vencidos somente José Antonio Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, que, apesar de terem se posicionado pela liberdade de expressão dos humoristas, discordaram da suspensão dos incisos da lei.
Os três avaliaram que bastava que o Judiciário seguisse a interpretação de que não há veto ao humor e às críticas contra políticos em período eleitoral, sem a necessidade de que os incisos fossem suprimidos. Toffoli e Lewandowski — que acumula o cargo de ministro do STF com o de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — destacaram que a Corte Eleitoral nunca puniu humoristas. “Jamais a Justiça Eleitoral proibiu o humor, a sátira, a comédia”, disse.
O decano do Supremo, Celso de Mello, defendeu com veemência a suspensão dos artigos. “O riso e o humor são expressões de estímulo à prática da cidadania. São transformadores, renovadores, esclarecedores, saudavelmente subversivos. É por isso que são temidos pelos detentores do poder, são armas preciosas e instrumento de insurgência contra os desmandos do poder, contra o predomínio da mentira.”
Nos editoriais é possível fazer críticas. O que não se pode é encampar, patrocinar, bancar determinada candidatura. Eleição é um período em que a liberdade de imprensa deve ser maior”
Ministro Carlos Ayres Britto, relator do processo
» Humoristas comemoram
Igor Silveira
Humoristas de todo o Brasil comemoraram a decisão do STF favorável à classe no início da noite de ontem. Depois da liminar concedida pelo ministro Carlos Ayres Britto, na semana passada, os comediantes estavam na expectativa pela sentença definitiva. Fábio Porchat, um dos idealizadores da passeata pela liberação das sátiras a políticos que reuniu cerca de mil pessoas no Rio de Janeiro, em 22 de agosto, vibrava a cada voto pela rede de microblog Twitter. Na terça-feira, ele se reuniu em Brasília para um encontro com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que também apoia a causa. “Pronto, agora está liberado mesmo: dispositivos da Lei Eleitoral são suspensos por maioria de votos”, escreveu, minutos antes de subir ao palco para uma apresentação.
Ouça entrevista com a repórter e comediante Mônica Iozzi
Esta matéria tem: (5) comentários
Autor: severino freitas
estes humoristas brasileiros estão pouco criativos, tem que precisar das ladroagens políticas para poderem criarem suas artes, os artistas deveriam é fazer o povo brasileiro relaxar um pouco diante de tantos escandalos e não deichar o povo mais decepcionado com tantos desprazeres | Denuncie |
Autor: João Oliveira
CQC precisa definir-se como programa: Humoristíco ou Jornalístico. Na verdade, fazer graça de forma capsiosa, como vem fazendo o CQC, não está certo. Precisa definir-se. Que saudades de Alvarenga e Ranchinho e de Jaraca e Ratinho. Humor a toda prova. | Denuncie |
Autor: Jorge Jorge Pacheco
Pelos acontecimentos não deveria nem haver tantos recursos. FICHA LIMPA neles STF!!!!!! | Denuncie |
Autor: edson oliveira
Srs. Ministros do STF aqueles q.foram presos pelos milit.na ditadur,es- tão receb.dinheiro as custas do gov. Nenhum deles foi penaliz.por ter pertenc.a organiz.armadas contra o gov.da época,por terem assalt. bancos,sequestr.embaix.e matado militares.E ainda tem uma candid.a Presidênc.FICHA LIMPA. | Denuncie |
Autor: Moisés Carvalho
Srs. Ministros do STF, assim como o povo merece ter direito à informação política com humor, também merecemos o direito a um pleito composto por pessoas com FICHA LIMPA. Assim, o país inteiro sai ganhando. Pensem nisso. | Denuncie |