São Paulo — O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, decidiu apostar todas as fichas no debate religioso para tentar vencer o segundo turno das eleições. Ontem, em São Paulo, ele disse ser a favor da união civil de casais gays e ressaltou que “casamento” é questão ligada à religião. “A união em torno dos direitos civis já existe, inclusive, na prática, no Judiciário. Outra coisa é o casamento, que tem o componente religioso. Cabe à Igreja decidir sua posição”, ressaltou.
Enquanto fala de religião em todos os eventos que faz nessa etapa da campanha, o telemarketing de Serra opera freneticamente. Em São Paulo e em outros estados, centenas de militantes estão ligando para a casa dos eleitores. A maioria é mulher. Elas ligam em horário comercial no telefone fixo e procuram saber se há eleitor de Marina Silva (PV) na residência. Caso haja, as atendentes insistem na tecla de que a petista é a favor do aborto e que ela hoje se diz contrária apenas para ludibriar o eleitor.
A bancária Maristela Aires, 34 anos, recebeu a ligação em casa, em Osasco, Grande São Paulo, na quarta-feira pela manhã, quando saía de casa para trabalhar. Eleitora de Plínio de Arruda Sampaio (PSol) no primeiro turno, ela estava indecisa até a ligação. “Na verdade, a atendente falou mais com a minha mãe, que me convenceu a votar no Serra”, relata.
A professora Doraci Costa também recebeu uma ligação dos tucanos em Belém do Pará. Eleitora de Marina Silva, ela decidiu votar em Dilma, mesmo reconhecendo a confusão que a petista fez ao se dizer a favor e depois contra a descriminalização do aborto. “Acho que suscitar o debate sobre o tema já é um grande avanço”, diz a professora. Em outra frente de campanha religiosa tucana, os militantes de Serra distribuem santinhos em redutos petistas. No panfleto mais comum, há a seguinte frase ao lado da foto do candidato: “Jesus é a verdade e a justiça”.
Mais abaixo tem a assinatura de Serra e o número de sua candidatura. Na maioria dos panfletos distribuídos em São Paulo e no Rio de Janeiro, as cores do santinho são dois tons de azul e de amarelo, que lembram o partido. No entanto, há uma versão do santinho nas cores verde-claro e verde-escuro, numa alusão à onda verde que Marina Silva instalou no Brasil no primeiro turno, conseguindo arrastar 20 milhões de eleitores. O Correio procurou o comando de campanha de Serra em São Paulo e ninguém quis se manifestar sobre o telemarketing agressivo que enfatiza o aborto nas ligações nem sobre os santinhos com temas religiosos.
Independentes
No Rio de Janeiro, o PSDB informou que os militantes mandam fazer santinhos por conta própria e distribuem voluntariamente nos bairros mais pobres e nos calçadões à beira-mar. No evento em que disse ser a favor da união civil de gays, Serra voltou a criticar Dilma e a carta aberta que a campanha dela estuda publicar afirmando ser contra a legalização do aborto. “A Dilma tem os problemas dela. Ela diz uma coisa, depois outra”, cutucou. Na carta, a petista pretende se comprometer a não alterar a legislação que trata do aborto e considera o casamento entre homossexuais uma questão das igrejas, e não do governo.
Serra prometeu também, caso seja eleito, reforçar as campanhas de prevenção à Aids no país. Segundo ele, o grande problema da proliferação do vírus no país ainda é a falta de informação quando à transmissão. Ontem, o tucano assinou uma carta-compromisso com prioridades das entidades para o setor e criticou o tratamento feito pelo governo do PT. “A campanha contra a Aids no Brasil começou a derrapar por falta de medicamentos. O que está por trás disso? Falta de planejamento”,ressaltou. Ele criticou a forma como é conduzida a quebra de patentes de remédios ligados ao combate à doença.
De acordo com Serra, uma das estratégias a ser mantida é a distribuição de preservativos, apesar de as entidades religiosas, como a Igreja Católica, serem contra o método. “No Ministério da Saúde, nós fizemos uma política de difusão dos preservativos. A Igreja nunca colocou obstáculos. A Igreja sempre colocou sua posição, mas nunca fez campanha propriamente contra isso”, destacou.
PMDB gaúcho com José Serra
Capitaneado pela bancada da Câmara e por prefeitos do partido, o PMDB do Rio Grande do Sul optou por manifestar apoio à candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência. A executiva regional da legenda decidiu por maioria dos votos recomendar ao Diretório Nacional preferência pelo tucano, mas como o comando peemedebista não tem reunião marcada até o segundo turno, o pedido de apoio formal virou “manifestação de apoio”. Os dois principais nomes do partido no estado, no entanto, permanecem neutros. Candidato derrotado ao governo gaúcho, José Fogaça preferiu não emitir posição, assim como o senador Pedro Simon, licenciado da legenda.
FHC desafia Lula, o “mesquinho”
» Denise Rothenburg
Enviada especial
São Paulo — Meio recolhido nos últimos dias e acusado pelo PT de ter feito um governo atrasado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso abriu o encontro de 1.500 militantes do PSDB em prol da candidatura de José Serra com um discurso incisivo, em que chamou a candidata do PT, Dilma Rousseff, de “duas caras”. FHC afirmou que os petistas “caíram da cadeira” porque não contavam com o segundo turno. Fez, ainda, um desafio ao presidente Lula: “Quando você (Lula) descer da pompa e perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil, no PT que seja. Quero ver o presidente Lula que votou contra o Real dizer que estabilizou o Brasil”, afirmou Fernando Henrique, chamando Lula de “mesquinho”.
“Terminadas as eleições, quando você puser o pijama, será bem recebido. Você fez muita coisa boa, agiu bem na crise atual, financeira, eu reconheço. Mas para que, meu Deus, ser tão mesquinho? Você recebeu uma boa herança. Usou e aumentou. O Serra vai pegar as duas heranças. Isso diminui você? Não precisa, o Brasil é de todos nós”, declarou o ex-presidente, para delírio dos militantes que lotaram um dos salões do hotel.
Fernando Henrique falou por 10 minutos e não esqueceu o caso Erenice Guerra, a ministra que substituiu Dilma na Casa Civil e acabou fora do governo sob suspeita de tráfico de influência: “Não queremos um Brasil de preguiçosos, de amigos do rei, um Brasil de companheiras Erenices”, afirmou. E continuou cutucando. “Essa senhora candidata, essa que tem duas caras, que não sabe de que lado está? Ela disse outro dia que vendemos as refinarias da Petrobras. É mentira”, disse ele, que, momentos antes, havia sido mais direto: “Agora vem falar que eu queria privatizar a Petrobras. Quem é esse Gabrielli para falar isso comigo? Fui presidente da República. Ele tem que me respeitar”, disse, referindo-se ao presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.
Receio
Segundo o tucano, os petistas estão receosos da derrota. “Eles estão nervosos, muito nervosos. Nunca imaginaram que haveria segundo turno. Caíram da cadeira. Se Lula foi para a segunda fase, por que Dilma não iria?“, comentou o ex-presidente. “Só que agora, ela vai às cordas com o nosso voto.”
Fernando Henrique nem esperou terminar o encontro, que reuniu o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab, deputados estaduais, federais e líderes comunitários tucanos. Todos saíram de lá com a missão de ampliar a vantagem de Serra no estado. No primeiro turno, o ex-governador de São Paulo teve 3% de vantagem sobre Dilma Rousseff.
Esta matéria tem: (3) comentários
Autor: antonio seabra
Um presidente que honra seu país nem o povo, pelo contrário chama trabalhadores de vagabundos e idosos de preguiçosos, nao merece respeito nem de um animal irracional, esse FHC é desqualificado para falar sobre governo pois ele teve 8 anos e nao fez nada senao privatizar nosso patrimonio. | Denuncie |
Autor: Hildo Evaristo
Calúnia é crime ou não neste País? | Denuncie |
Autor: HILBER SILVA
Mesquinharia é: em 8 anos dar aumento aos servidores de 0,1%; mobilizar a maior "tropa de choque" do mundo para conseguir mudar a Constituição em favor da própria reeleição; vender o nosso patrimônio por não ter competência para gerir sobre as empresas do povo. | Denuncie |