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Correio Braziliense

Brasileiros abraçam a venda direta como fonte de renda e satisfação pessoal

Na falta de empregos tradicionais, a saída pode estar no empreendimento

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postado em 28/11/2016 11:13

Arte/CB/DA Press
Toda crise encerra uma oportunidade. Com a economia brasileira sofrendo com o momento de recessão, as empresas enfrentam grandes dificuldades e têm sido obrigadas a dispensar funcionários, quando não fecham as portas simplesmente, terminando as atividades. Diante deste panorama, no entanto, abre-se uma nova janela: empreender.

 

Com pouco dinheiro e muita determinação, cada vez mais pessoas estão encontrando a saída para um mercado de trabalho tumultuado e cada vez mais restrito no próprio trabalho. Levando adiante o sonho de dispensar o patrão, milhares de brasileiros deixaram de sonhar com o próprio negócio e estão vivendo dele.

 

Na economia empreendedora, ganha força o setor de venda direta, um mercado que já movimenta 4,6 milhões de pessoas, com destaque para as mulheres, que formam um contingente de 75% delas. O Brasil já representa 6% do mercado mundial. Além de aumentar a renda, elas preferem trabalhar com a venda direta por causa das facilidades de horário.

 

“As mulheres procuram  a venda direta e o empreendedorismo de uma maneira geral, pela flexibilidade e pela autonomia de trabalho”, explica a presidente e fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), Ana Lucia Fontes, que esteve em Brasília, participando do Correio Debate sobre “Empreendedorismo: A Força da Venda Direta no Brasil”, que reuniu dezenas de empreendedores em painéis sobre o negócio no auditório do Correio Braziliense, em 22 de novembro, com apoio da Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta (Abevd).

 

Um dos painéis debateu as legislações trabalhista e tributária e os impactos no setor, contando com participação do ministro Guilherme Augusto Caputo, do Tribunal Superior do Trabalho, e do deputado federal Luiz Carlos Hauly, criador da legislação que permitiu o sistema de Microempreendedor Individual (MEI). O tema, aliás, permeou todo o debate, desde a abertura, feita pelo presidente do TST, ministro Ives Gandra Filho.

 

O deputado disse que é preciso avançar na legislação trabalhista para que o Brasil possa crescer mais livremente e as pessoas possam prosperar. Para ele, as relações de trabalho não podem depender apenas do emprego e é preciso reconhecer o direito que as pessoas têm de empreender.

 

Também participaram dessas discussões o diretor do Departamento de Fiscalização do Trabalho do Ministério do Trabalho, João Paulo Ferreira Machado, e a diretora da Abevd, Roberta Kuruzu. Ela afirmou que o setor assegura uma complementação de renda de maneira flexível, mostrando a preocupação de pessoas que “não podem correr o risco de ter o trabalho extinto pela instabilidade das relações trabalhistas”.

 

Temas mais diretamente envolvidos com a atividade fim do negócio foram debatidos entre o presidente da Avon, David Legher, e o gerente de atendimento setorial Comércio e Serviços do Sebrae, André Spínola. Legher falou sobre o pioneirismo da empresa que representa no setor, já que a Avon desenvolveu seu sistema de venda direta há mais de 130 anos, nos Estados Unidos, e da importância que ela tem para as famílias. Spínola afirmou que o Sebrae tem ferramentas para ajudar os empreendedores nessa atividade, que tem muito espaço para crescer no Brasil.

 

Outro painel contou com a presença da fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Lúcia Fontes, uma referência no país, que apresentou os resultados feitos por uma pesquisa feita com 1.300 mulheres de todo o Brasil, com dados reveladores. Na pesquisa, por exemplo, cerca de 66% das mulheres dizem trabalhar com o que gostam, enquanto 34% afirmam que empreender é realizar um sonho.

 

No mesmo painel, “Venda direta: uma oportunidade para todos”, o presidente da Amway, Odmar Almeida Filho, afirmou que a empresa norte-americana, que já teve forte presença no mercado brasileiro, voltou a investir fortemente no país, inclusive com instalações físicas, como uma fazenda de acerola, no Ceará, que segundo ele é a maior “fábrica de vitamina C” do mundo.

 

O evento foi um sucesso. Os debates foram atentamente acompanhados por pessoas que já estão empreendendo ou querem começar um negócio e não economizaram perguntas aos participantes. E, ao contrário do panorama econômico brasileiro atual, a sensação ali era de otimismo. A crise ficou do lado de fora e parecia que estava surgindo ali uma nova economia .

 

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