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Correio Braziliense

Sexo forte: venda direta é um negócio dominado pelas mulheres

E mais de 40% delas iniciam seu negócio sem qualquer capital

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postado em 28/11/2016 11:42 / atualizado em 28/11/2016 11:51

Minervino Junior/CB/D.A Press

 

Dados divulgados pela Avon mostram que, em 2015, 4,6 milhões de empreendedores atuaram no setor de venda direta. O Brasil representa 6% do mercado mundial de vendas diretas, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta (ABEVD). Desse total, as mulheres respondem por 75% das revendas globais e por 90% do quadro da América Latina.

 

“As mulheres procuram a venda direta, e o empreendedorismo de uma maneira em geral, pela flexibilidade e pela autonomia de trabalho”, explicou a presidente e fundadora da Rede Mulher Empreendedoras (RME), Ana Lucia Fontes. De acordo com uma pesquisa realizada pela Rede com 1.300 mulheres em todo o país, predominam as razões emocionais para buscar o negócio próprio. Cerca de 66% dizem trabalhar com o que gostam, enquanto 34% dizem que empreender é realizar um sonho.

 

A pesquisa, além de desvendar o perfil da mulher que empreende no Brasil, traz um panorama real do que elas enfrentam quando decidem entrar no mercado, com seus conflitos diários, a disputa entre maternidade e a carreira, o momento financeiro difícil e, principalmente, as dificuldades que a empreendedora brasileira enfrenta quando decide ter seu próprio negócio.

 

A maioria delas trabalha em casa, casada, com filhos, tem nível superior completo ou graduação ainda maior, não possui sócios e contam que o ritmo dos negócios está melhor agora do que estava há três anos. “Digo que quando nasce uma mãe, nasce uma empreendedora”, brincou a presidente da RME. Isso porque 75% das empreendedoras decidem empreender após a maternidade. Na classe C, a porcentagem aumenta para 83%.

 

Conforme o último Censo do IBGE, 38,7% as mulheres são chefes de família. Em mais de 42% desses lares, as mulheres vivem com os filhos, sem marido ou companheiro, aponta a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM).

 

 

 

Tarefas divididas

Com crianças pequenas em casa e o negócio próprio, quem pensa que as mulheres terminam se sobrecarregando está enganado. Na hora da divisão das tarefas domésticas e cuidados dos filhos, a maioria das empreendedoras conta com o apoio do marido e demais familiares. 

 

A exceção ocorre na Classe C, na qual o apoio do cônjuge é menor. “Sem esse apoio, o trabalho fica mais difícil, mas elas são guerreiras e não desistem”, afirma Ana Lúcia Fontes.

 

Mais de 41% dessas mulheres iniciaram seu empreendimento sem capital; 41% usaram poupança, investimento próprio ou rescisão após demissão, como principal fonte do capital para iniciar seu do negócio. Apesar de toda a dedicação, as finanças ainda são o ponto fraco das empreendedoras. Cerca 33% de fazem o controle financeiro de modo básico, criam uma planilha de Excel no computador ou nem isso: anotam em um caderno. Outras 33% fazem algum controle de modo mais elaborado, mas 14% das entrevistadas admitem que não fazem controle nenhum.

 

De acordo com o Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado pelo Sebrae em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apesar de as mulheres ainda serem minoria no comando das empresas, elas estão cada vez mais ganhando espaço. Em uma década, a presença de mulheres no comando de micro e pequenas empresas cresceu em 25 estados. 

 

Minervino Junior/CB/D.A Press

Superação

O empoderamento da mulher que vive em ambiente de violência doméstica é uma das áreas de interesse da mestranda em Turismo Flavia Paiva. Ao saber da presença da fundadora da Rede Mulher Empreendedora no evento, Ana Fontes, ela  literalmente correu para assistir ao debate. Envolvida com atividades acadêmicas, conseguiu chegar minutos antes de a palestrante falar “para conferir os estudos sobre como as mulheres brasileiras conseguem superar com iniciativas empreendedoras situações adversas”, disse a estudiosa. 

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