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Correio Braziliense

Determinação: novos empreendedores mostram histórias de sucesso

Com pouco dinheiro, muita determinação e a decisão de mudar de vida, novos empreendedores surgem a cada dia, fortalecendo uma nova economia e com muita satisfação pessoal

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postado em 28/11/2016 12:12 / atualizado em 28/11/2016 13:45

O emprego tradicional está mais difícil. As empresas enfrentam os efeitos da crise financeira nacional com a demissão de funcionários e a diminuição do mercado de trabalho é uma realidade que já criou uma legião de mais de 12 milhões de desempregados em todo o país. A necessidade, aliada à oportunidade, tem feito com que várias pessoas busquem alternativas para não depender mais de patrões e empresas. E as histórias de sucesso são cada vez mais comuns.

Não é preciso muito. Com pouco dinheiro, muita determinação e a decisão de mudar de vida, novos empreendedores surgem a cada dia, fortalecendo uma nova economia e com muita satisfação pessoal. Um atleta que não depende mais de patrocínio, uma dona de casa que aproveita seus dotes culinários, uma professora que cria artigos de papelaria e uma ex-faturista que perdeu o emprego já não têm do que reclamar. São exemplos de brasileiros que estão driblando a crise e encarando o futuro com mais otimismo.
 
Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press
O golpe matador do lutador Hudson
A técnica apurada do lutador de jiu-jitsu Hudson Amorim, 25 anos, já lhe garantiu a conquista de mais de 100 prêmios. A habilidade para desfechar os melhores golpes, no entanto, não foi suficiente para manter os patrocínios, que foram escasseando à medida que a crise econômica recrudescia no país.

Consagrado e com ótimos resultados no cartel de lutas, mas cansado de passar o pires para se manter no tatame, há um ano Hudson estava pronto para abandonar o quimono quando recebeu a proposta de usar sua rede de relacionamentos no esporte para ganhar dinheiro.

Com um capital inicial de R$ 340,00, ele adquiriu um kit de produtos de perfumaria, cosméticos e bem-estar, produzidos por uma empresa brasileira. “Alguns dos produtos, como suplementos alimentares, são muito consumidos pelos atletas, ou seja, consegui unir o agradável para mim que é lutar, ao lucrativo, que é ganhar dinheiro para  que eu possa me manter como atleta”.

Um ano depois do primeiro kit, Hudson é seu próprio patrocinador. Sua agenda de lutas para 2017 está fechada, inclusive com previsão de participação em campeonatos internacionais. Ao lado das conquistas como atleta, graças ao lado empreendedor, também acumula conquistas pessoais. “Pude até me casar, o que vinha adiando por falta de independência econômica”.

O trabalho sério com venda direta é compensador, garante o atleta empreendedor.  “Hoje no Brasil só se fala em desemprego como se a única solução fosse ter carteira assinada. Mas existe um plano B, que pode ser bem mais lucrativo e que está ainda engatinhando no Brasil”, diz satisfeito com sua nova conquista.
 
Minervino Junior/CB/D.A. Press
Da cozinha de casa ao paladar alheio
Bastou uma foto das pastas de amendoim e castanhas, produzidas na cozinha da casa de Daniela Correa, 51 anos, ser publicada em uma rede social para que chovessem pedidos de encomenda. “Meu queixo caiu”, admite a empresária, que não esperava tanto sucesso logo no início. 

Mesmo entusiasmada com a ideia da filha Ana Luiza Azevedo, 22 anos, de transformar produtos de consumo da família em negócio, Daniela não esperava um retorno tão rápido e que, em menos de dois meses, cresce exponencialmente e já programa novos planos e expansão .

Na contramão da crise, mãe e filha não pestanejaram em investir R$ 4 mil na compra de equipamentos para dar conta das encomendas. Elas acreditam que as pastas são pioneiras no mercado de Brasília. “Fizemos uma pesquisa e a pasta de amendoim é fácil de ser encontrada nos supermercados, mas pasta de castanha ainda não achamos”, diz Daniela.

Cheias de planos para estruturar o negócio, ao mesmo tempo que deram início à produção das encomendas tiveram de correr para registrar a empresa como microempreendedor individual (MEI), criar embalagens, papelaria e encomendar a tabela nutricional da linha de produtos da Nutty Pastas Oleaginosas.

Mesmo confiantes no sucesso do produto que oferecem, “gordura boa e inserida em um conceito de alimentação saudável”, ressalta Daniela,  mãe e filha não têm dúvida que propaganda é a alma do negócio. Por isso, oferecem aos potenciais clientes um kit de degustação composto por seis potes variados de 30 gramas”. Depois de experimentar, o cliente costuma optar pelos potes de 250 gramas”, diz a empresária.

A media semanal de encomendas tem girado entre 20 e 30 kits, mais 20 potes de 250 gramas. Com uma faixa de preço que vai de R$ 25 a R$ 55 por produto, todo o faturamento tem retornado para o negócio. “Lançamos um produto que está dando um retorno fantástico e agora vamos atrás de profissionalização e de um lugar maior para a produção, porque a cozinha de casa ficou pequena”, comemora Daniela. 

É a segunda empreitada de Daniela Correia que, por dois anos, trabalhou com a entrega de cestas de café da manhã. As encomendas eram constantes, mas o empreendimento anterior nunca teve o mesmo sucesso que ela tem conseguido, agora, trabalhando com a filha.

Antonio Cunha/CB/D.A Press

Desempregada tem quatro vendedoras
Ex-faturista de uma empresa de cestas básicas, Eleonora de Souza já trabalhava como consultora da empresa Hinode havia dois anos quando perdeu o emprego, no mês passado. Com 53 anos, moradora do Guará 2, divorciada e mãe de três filhos, ela decidiu investir no marketing multinível como nova fonte de renda para a família. 

“Antes eu era consultora apenas para poder comprar os produtos com desconto. Agora eu resolvi fazer o desenvolvimento com capacitação dentro da empresa para crescer mais e transformar essa oportunidade em uma renda fixa para a minha família”, contou a profissional, que afirma conseguir receber R$ 1.500 por mês com vendas dos produtos. 

Eleonora já conta com uma equipe com quatro revendedoras sob seu comando. “Estou agora fazendo cursos de especialização dentro da Hinode mesmo para aprender a usar e vender melhor os produtos”, acrescenta, na esperança de aumentar ainda mais o rendimento.  
 
Antonio Cunha/CB/D.A Press
Da sala de aula ao artesanato
A professora Janaína Almeida Palmar faz parte das estatísticas dos novos empreendedores. Em 2015, ela abandonou o emprego tradicional para realizar o sonho de empreender por conta própria. Começou a produzir em casa acessórios de papelaria para festas infantis e criou a marca Confraria do Sino. “Eu queria ter mais tempo disponível para cuidar da minha filha pequena. Precisava de flexibilidade de horário, de independência. Como sempre gostei de fazer artesanato, resolvi arriscar e está dando certo”, conta, feliz com a opção. 

A Confraria do Sino ainda não garante à Janaína uma renda fixa que lhe sustente, já que ela está focada na ampliação do negócio. “Tudo que eu ganho eu reinvisto na empresa. Não fiz nenhum tipo de capacitação, comecei com investimento zero e não tenho um salário”, conta. 

Mas as encomendas não param de crescer. “Meu foco agora é me profissionalizar como microempreendedora e me capacitar para gerir a empresa”, destacou Janaína, que já pode se dedicar mais à filha. 
 
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