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Walter Carvalho eleva o debate sobre função e alcance do cinema

Na abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro,o cineasta apresenta o documentário Um filme de cinema

postado em 15/09/2015 07:13 / atualizado em 15/09/2015 13:07

Diego Ponce de Leon

Breno Fortes/CB/D.A Press - 22/7/14
 
A retomada do cinema brasileiro acabou creditada ao filme Carlota Joaquina — Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati. Em termos populares, no entanto, Central do Brasil (1998), tornou-se obra fundamental na reaproximação do público com o cinema feito por aqui. Fernanda Montenegro contribuiu para isso. O diretor Walter Salles também. Assim como o diretor de fotografia do longa, Walter Carvalho.

O cineasta paraibano emprestou ainda o olhar peculiar para tantos outros filmes que marcaram época, como Lavoura arcaica, Madame Satã, Abril despedaçado, Carandiru e Cazuza — O tempo não para. Desde 1971, são mais de 80 trabalhos na carreira que o tornaram um cânone do cinema nacional.

Depois de diversas passagens (muitas vitoriosas) pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, cabe a Walter abrir esta 48ª edição, que ocupa o Cine Brasília a partir de hoje. A fita eleita, Um filme de cinema, traz provocações sobre o fazer artístico que o carrega há mais de quatro décadas. “Trata-se de um filme simples. Uma reflexão sobre o próprio cinema, sobre o plano, sobre o tempo”, antecipou em entrevista ao Correio.

A tal simplicidade, no vídeo, ganha depoimentos de Ariano Suassuna, Gus Van Sant, Béla Tarr, Ken Loach, José Padilha, Hector Babenco, Karin Aïnouz, entre outros, que discorrem sobre a função, os anseios e as adversidades da sétima arte. Algo que será debatido entre os espectadores e o que for exibido na tela do Cine Brasília durante a próxima semana. Seja por meio de vaias, aplausos ou indiferença.


Entrevista // Walter Carvalho

 

Adrienn Szabó/Divulgação

 

Seu irmão, o documentarista Vladimir Carvalho, será homenageado na cerimônia de abertura. Ele influenciou a sua escolha pelo cinema?
Isso começou ainda na Paraíba. O Vlad é quase 13 anos mais velho que eu. Ele é mais do que responsável por eu ter entrado nessa e virado um dependente. Ele é o culpado (risos). A primeira vez que entrei em um set de filmagem em minha vida foi por meio dele. Eu ainda era garoto. O cinema nos move. O primeiro filme que fiz foi com ele, em 1971.

Vladimir Carvalho trabalhou com Eduardo Coutinho em Cabra marcado pra morrer, ainda nos anos 1960. Você tem recordações desse período?
Eu lembro do Coutinho lá em casa. Um cara magro, de óculos, armações grossas, fumando muito. Ao final de cada frase, ele dizia: “Compreende?”. Eu achava aquilo muito engraçado. Por algum motivo, ficou na minha memória. Ele dormiu lá em casa algumas vezes. Foi assim que eu esbarrei com ele a primeira vez. Compreende?

 
Programação
Noite de abertura com o longa Um filme de cinema, de Walter Carvalho, às 20h30. Homenagem ao cineasta Vladimir Carvalho. Somente para convidados.

 

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