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Mostra Brasília serve como vitrine para os cineastas locais

Os filmes que fazem parte da mostra disputam R$ 200 mil em prêmios

postado em 15/09/2015 07:10

EdisonVara/Pressphoto

A competitividade não fica restrita aos filmes selecionados para a mostra nacional. A Mostra Brasília, que recebeu 81 inscrições (18 foram escolhidos), também gera tensão e expectativa entre os participantes. Eles disputam R$ 200 mil em prêmios. “Fiquei surpreso e honrado com a seleção. Principalmente ao perceber que estaria entre filmes de grande produção e qualidade”, celebra o cineasta, arquiteto e designer Edson Fogaça, diretor do longa Félix, o herói da Barra.

O documentário traça a biografia de Félix José Rodrigues, uma figura mítica do povoado quilombola de Barra de Aroeira, em Tocantins. O ex-escravo teria participado da Guerra do Paraguai e recebido de dom Pedro II um pedaço de terra no centro do país. “Espero que a exibição gere um interessante debate em torno dos temas relacionados à questão dos quilombolas”, antecipa Edson, que faz questão de provocar desde agora: “Uma antropóloga, por exemplo, é taxativa ao descartar a figura do quilombola como sendo de um ex-escravo ou algo similar. De acordo com ela, ser quilombola implica simplesmente uma atitude cidadã, em um ato contemporâneo”.

O Félix, de Edson, orçado em R$ 35 mil, terá que enfrentar, por exemplo, O outro lado do paraíso, de André Ristum. O longa de Ristum, protagonizado por Eduardo Moscovis, consumiu R$ 7 milhões, sendo a produção mais cara já realizada em Brasília. “Contei com a ajuda de amigos. Trata-se de um trabalho coletivo, de generosidade. Levar isso adiante, para o público do festival, já é muito significativo”, conta Edson, que levou o prêmio de melhor montagem em 2012, com o documentário Jangada de raiz.

Representantes

Edson Fogaça e André Ristum recebem ainda a companhia de outros diretores na mostra competitiva de longas locais. A antropóloga estreante Delvair Montagner se junta ao cineasta Armando Bulão na exibição de Alma palavra alma. Na obra, eles focam na situação crônica das terras indígenas em Dourados, Mato Grosso do Sul.

O último a figurar na seleta lista é Santoro — O homem e sua música, do diretor inglês radicado em Brasília John Howard Szerman, que se debruça sobre a vida do maestro Claudio Santoro, ou seja, teremos três documentários na luta pelo prêmio principal contra apenas uma ficção.

Entre os curtas-metragens, prevalece uma pluralidade de temáticas e gêneros. Punks, mazelas sociais, relações amorosas, por exemplo, aparecem como enredo das fitas selecionadas. O destaque fica por conta da presença do jovem diretor Faustón da Silva.

Desde que passou pelo festival, em 2012, e arrebatou crítica e público com Meu amigo Nietzsche, criou-se expectativa em torno do trabalho do brasiliense, que acumula prêmios nacionais e estrangeiros. Este ano, ele defende O melhor fotógrafo do mundo. Ainda assim, seria injusto falarmos em favoritos. A programação pode surpreender o espectador e o júri.

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