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Primeiro longa da mostra competitiva traz realismo mágico e e regionalismos

Filme conta a história de pai e filhos após a mãe literalmente evaporar de paixão

postado em 16/09/2015 07:30 / atualizado em 16/09/2015 11:31

Ricardo Daehn

Caraminhola Produções Artísticas Ltda/Divulgação

“Não carecemos de profissionais na área de roteiro, mas precisamos de uma reestruturação de mercado, que sempre pende para o que seja comercial. Nas comunidades, os espectadores respondem bem, de forma erudita — se reconhecem e se emocionam, com filmes elaborados. Basta oferecer”, analisa o diretor Alan Minas, do longa que inaugura a mostra competitiva do 48º Festival de Cinema. Aos 46 anos, à frente do filme A família Dionti, Minas estabelece na tela o que chama de “a lógica da criança”: pesa nisso, um cinema que bebe de realismo mágico e de regionalismos, enamorado do fantástico. “A minha influência total é Guimarães Rosa e Manoel de Barros”, entrega.


Em A família Dionti, personagens ardem na estrada de terra e o calor do sol “roseano” se afirma. Na trama, um pai cria, sozinho, dois filhos: o mais velho é tão seco, a ponto de chorar areia. Já o outro derrete ao se apaixonar pela primeira vez. O pai fica atento à condição do caçula, uma vez que a esposa evaporou, apaixonada por outro. “A mãe permeia toda a história, sem aparecer uma única vez”, destaca o diretor.

Jogar com imagens impactantes foi um risco assumido. “Desde o primeiro tratamento da história, pensava: ‘Não é uma coisa muito absurda e que beira o ridículo?’”, relembra. Dúvidas foram demovidas pela proposta de sugestionar, mais do que expor imagens. “Gosto muito do potencial da transfiguração. Tive o suporte de efeitos especiais com alunos da National Film and Television School (Inglaterra), mas preciso que o espectador construa comigo o conteúdo”, observa.

O menino derretendo, por exemplo, vai ficar restrito à imaginação das pessoas. É parte do cinema de quebra-cabeças de Alan Minas que percebe influências do iraniano Abbas Kiarostami e do sérvio Emir Kusturica nas realizações dele. Orçado em R$ 920 mil, com reservas da Secretaria de Cultura do Rio, do Canal Brasil e do Polo Audiovisual de Cataguazes (MG), A família Dionti alinha interpretações de três adolescentes vindos de cursos de teatro amador: Murilo Quirino (Kelton, o jovem que se derrete), Bernardo Lucindo (Serino, revestido de secura) e Anna Luiza Paes Marques (a fabuladora Sofia).

 

 

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