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SEGUNDO DIA

Festival de Cinema: público aplaude A Família Dionti ao fim da sessão

Longa que mostra pai e filhos afetados pelo abandono da mãe abriu a Mostra Competitiva da 48ª edição do evento

postado em 16/09/2015 21:46 / atualizado em 16/09/2015 23:32

Diego Ponce de Leon

Ansiedade: esse é o clima que pairava no ar antes da sessão que abriu a Mostra Competitiva da 48ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. E o sentimento não vinha apenas do público. Alan Minas, diretor de A Família Dionti, primeiro longa dessa edição, aguardava tenso o momento em que as luzes do Cine Brasília iriam se apagar.

Fred Bottrel/ CB/ D.A Press


“Confesso que estou com as pernas tremento pela expectativa. A estreia no Festival de Brasília representa para gente a realização de um sonho”, disse. Seu trabalho estava para ser julgado pela primeira vez diante de uma plateia que, por tradição, sempre demonstrou seus gostos e desgostos de forma veemente. A recepção, contudo, foi boa: ao fim da sessão, sua obra foi aplaudida por 15 segundos. Na trama, um pai cria, sozinho, dois filhos: o mais velho é tão seco, a ponto de chorar areia. Já o outro derrete ao se apaixonar pela primeira vez. O pai fica atento à condição do caçula, uma vez que a esposa evaporou, apaixonada por outro.

O elenco também marcou presença e dividiu com Minas a apreensão. “Estou impressionado com o tamanho do festival. Não desmente a importância que ele tem dentro do Brasil”, disse Antônio Edson, que interpreta o pai na trama. A atriz Anna Luiza Paes Marques celebrou a estreia lembrando que ganhou uma família com o trabalho. “Nunca vi o filme pronto. Estou muito ansiosa para ver o resultado.”

Criatividade
O ator e diretor Werner Schünemann, um dos jurados desta edição, não esquece dos prêmios que ganhou aqui. "Toda vez que vim, saí premiado daqui", celebrou. Ele aproveitou para questionar os diretores de cinema brasileiros, com uma solicitação: "Queria ver o olhar brasileiro sobre o mundo. Adoraria ver nas telas nossa abordagem sobre uma história da Irlanda, de Israel, do Chile", sugeriu.

Frequentador do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o ator, diretor e professor emérito da UnB João Antônio não acredita que a alegada passividade da plateia nos anos recentes seja uma característica do evento em si. "A juventude está mais passiva. De alguma forma, nossos jovens se arrefeceram. Também tínhamos filmes mais polêmicos, no passado, que provocavam uma reação mais expressiva do público.”

Até a próxima segunda, serão seis longas, ao todo disputando R$ 340 mil em prêmios. Amanhã, a Mostra Competitiva segue com a exibição do longa Fome, de Cristiano Burlan. O filme apresenta um velho que abandona todos os fantasmas do passado e perambula pelas ruas paulistanas, invisível.

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