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Vem aí a 49ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

A mostra atual chegará quente e cheio de polêmicas, a partir da próxima terça-feira

postado em 19/09/2016 17:29 / atualizado em 19/09/2016 18:02

Ricardo Daehn

 

Rifle

“Os personagens do meu filme integram, na vida real, uma família de pequenos proprietários”, demarca o diretor gaúcho Davi Pretto, ao comentar da instável trajetória de Dione, que, na ficção, se encontra em uma sinuca de bico: a fazenda na qual vive está em risco. Atento a questões geográficas — que calibram certo apartamento dos gaúchos em relação ao centro das decisões no país —, Pretto comemora a seleção para o festival do Centro-Oeste. “Acho que temos, no Sul, filmes interessantes feitos principalmente pelos novos cineastas, que nunca conseguiram tanta visibilidade, como agora”, diz. Nome de relevância no cenário nacional, vale ressaltar que Davi Pretto esteve na Sessão Fórum do Festival de Berlim, com o longa Castanha (2014). 

 

Malícia

 

Depois de investir nos curtas Verdadeiro ou falso (2009) e Quase de verdade (2008), o diretor brasiliense Jimi Figueiredo parece aprofundar no revelar de falcatruas. “No mundo, a gente representa muito: fingimos muito, muito, mesmo. A gente sabe que os outros estão representando, e a gente finge que acredita”, diverte-se, ao contar do novo longa estrelado por Viviane Pasmanter e Sérgio Sartório. No terceiro longa, Figueiredo conta as tramoias entre um dono de restaurante e um voyeur. “Narro uma história e, no meio do filme, o espectador se dá conta de que não estava percebendo tão bem a história. Existe uma situação paralela ao enredo”, adianta Jimi Figueiredo.

 

Martírio

 

Com um documentário que totaliza mais de duas horas e meia de projeção, o diretor Vincent Carelli dá continuidade ao veio indigenista, incrementando a incendiária produção audiovisual pernambucana. Há sete anos premiado com o título de melhor filme, por Corumbiara (no Festival de Gramado), Carelli — que formatou toda uma escola de integração entre índios e demais brasileiros, com o projeto Vídeo nas Aldeias – traz para o palco do Cine Brasília a acirrada guerra entre o agronegócio e indígenas da tribo Guarani Kaiowá (Mato Grosso do Sul), em marcha contra massacres e a favoráveis à reconquista de terras sagradas.

 

Antes o tempo não acabava

 

O diretor manauara Sérgio Andrade, reconhecido até no exterior pelo longa A floresta de Jonathas, e o parceiro de cinema dele, Fábio Baldo, são velhos conhecidos de Brasília, por curtas-metragens Geru e Cachoeira. Exibido no segmento Panorama do Festival de Berlim, Antes o tempo não acabava espalha o talento de Andrade e Baldo em funções múltiplas, da trilha sonora à edição de som, passando por montagem e roteiro. Na trama, Anderson Tikuna interpreta um rapaz em choque com a cultura de berço, indígena. Ilhado na periferia da cidade grande, ele se desvencilha de rituais, mas há um inconformado líder, o Velho Pajé, no encalço dele. 

 

Elon não acredita na morte

 

Estreante em longas, o diretor Ricardo Alves Jr. já obteve reconhecimento, em Brasília, com curtas como Tremor (2013). Para a nova etapa da carreira, recorreu a talento saído da capital: o ator Rômulo Braga (O que se move), nome de peso para as artes cênicas. “Gosto muito de aplicar, no teatro, a potência do cinema e, no cinema, pensar na capacidade ofertada pelo teatro. Filmo muitos plano-sequências, alguns de quatro minutos, em que o ator se move dentro de um quadro estanque”, comenta o cineasta, formado em Buenos Aires e aplicado na produção vinda de Minas Gerais. No filme, o sumiço de uma mulher compromete a sanidade do marido. Clara Choveaux (Exilados do vulcão) também está em cena. 

 

A cidade onde envelheço

 

Na produtora Anavilhana, ao lado das parceiras cineastas Luana Melgaço e Clarissa Campolina, a diretora Marília Rocha tem feito história para o cinema brasileiro. Com esta fita, concorrente aos prêmios Candango, a mesma diretora de A falta que me faz (2009) estende o alcance: esta produção ficcional mineira contou com equipe portuguesa. Na trama, Francisca se sustenta, no Brasil, com nostálgicas lembranças de Lisboa. Teresa, uma amizade antiga que é reatada, pode vir a mudar a cena, pela vivacidade com a qual desvenda o Brasil. 

 

O último trago

 

A sinopse do mais recente longa da dupla de criadores Luiz e Ricardo Pretti, além de Pedro Diógenes, imprime um tom quase de manifesto. Conclama a um protesto geral e prevê a união dos miseráveis. Com os brasilienses Mariana Nunes (Liberdade, liberdade) e Rodrigo Fischer, a quinta experiência coletiva dos mesmos criadores de Estrada para Ythaca e Os monstros vem do Ceará

 

Deserto

 

O longa de estreia do também ator Guilherme Weber traz dois nomes de grande relevância na cultura brasileira: Lima Duarte e Cida Moreira. Integrante da Sutil Companhia de Teatro, Weber, que esteve em longas como Árido Movie e Cleópatra, conta no filme as desventuras de uma trupe de artistas. Em livre adaptação do texto Santa Maria do Circo, criado pelo mexicano David Toscana, Weber reserva um verdadeiro oásis, cheio de suplementos e comidas, para artistas andarilhos que terão a vida desandada, diante das benesses, nesta produção carioca. 

 

Vinte anos

 

Três casais cubanos, duas décadas e seis destinos de esperanças, conquistas e também de atrasos compõem o novo documentário de Alice de Andrade, conhecida por qualquer cinéfilo, como a filha de Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma). Vencedora de prêmios na capital, com o curta Dente por dente (1994) e o longa O diabo a quatro (2004), aos 50 anos, Alice – que é formada na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños (Cuba) – adianta: “Meu filme trata de vida, de humanidade”. 

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