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Identidade sulista marca filme de Davi Pretto no primeiro dia do Festival

História de família de pequenos proprietários rurais narrada no longa "Rifle"

postado em 21/09/2016 07:30 / atualizado em 21/09/2016 12:17

Ricardo Daehn

Rodrigo Migliorin/Divulgação

 

Não há espetacularização de tema ou de tratamento, em Rifle, o primeiro longa concorrente ao 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Davi Pretto, diretor da fita, conta que a produção remete aos westerns antigos, donos de olhar cru, em cima de paisagens com clima duro, ao estilo das fitas de John Ford e livre da “beleza da revisitação do western”, na linha dos irmãos Ethan e Joel Coen, Terrence Malick e Quentin Tarantino. Longe disso, a exibição de Rifle não desperta no diretor receio da reação do público de Brasília. “A gente vai se acostumando a passar filmes em diferentes lugares: o primeiro longa, Castanha, passei em Berlim e no Festival do Rio, com diferentes reações. Tenho mais é uma ansiedade em mostrar o filme logo”, pontua o gaúcho.

A vontade de assistir aos diversos filmes em competição anima Pretto. “Não vejo os diretores como meus concorrentes, vejo como colegas de trabalho. Aliás, acho que, na conjuntura, vai ser um festival histórico, não tenho dúvidas”, observa o cineasta, encantado com a diversidade de regiões representadas na seleção da capital. Sem a explosão de fenômeno cinematográfico, como o do cinema pernambucano, nas palavras do diretor, pela posição geográfica o boom do audiovisual gaúcho ainda não se deu.

“Quero que olhem para cá (para o Sul)”, sublinha ele, que filmou Rifle, em quatro semanas, com pouco menos de R$ 1 milhão, em Vacaiquá e Serrilhada, perto do Uruguai e das cidades de Dom Pedrito e Bagé.

Rifle, como reforça o cineasta, fala sobre identidade, a “cruza” vinculada à história do Sul. “O gaúcho representado no filme é uma mistura muito mais de latinos, com sangue de uruguaios, espanhóis e índios”, explica. O cenário escolhido para Rifle é rural e revela exploração irregular de terras e forças humanas. “Permanecer numa terra ou não, numa situação de esvaziamento e de dificuldades, é um dos aspectos do longa”, conta Pretto.



No filme, os personagens são de uma família de pequenos proprietários e nisso há uma questão: o dono de uma grande fazenda quer comprar as terras dos menores. Pairam as dúvidas quanto à venda, a exemplo do que acontece em Aquarius, assistido por Pretto no Festival de Cannes. “Achei uma coincidência muito bonita”, observa.

Elenco forte

No elenco estão atores como Dione Ávila de Oliveira, Elizabete Nogueira e Evaristo Goularte. Longe de escola, de hospital, os personagens de Rifle habitam campos inseguros. “O motivo de ficarem lá ou não é muito delicado. Há violência, que nem é tão física e óbvia, em comparação à violência psicológica, do dia a dia”, adianta o realizador.

Mesmo com diferenciação nas personalidades, atores iniciantes vivenciam histórias próximas deles. “Não gosto da expressão não atores; eles estão encenando. Tivemos um método de aproximação de trabalho, sem muitos ensaios. Preferi filmar, antes do set, os atores conversando, jogando cartas, para maior entrosamento. O elenco é muito forte, e nos filmes gaúchos sempre tinha vontade de ver cenas interpretadas por moradores da região”, observa o diretor. Grosso modo, prevaleceu a construção de intimidade e confiança, ao estilo do feito em Castanha, primeiro longa de Pretto, feito há dois anos, e que mesclava ficção e realidade, tendo por norte a vida do transformista João Carlos Castanha.

Contar com o elenco preparado para circular entre as engenhocas de set de filmagens foi primordial para Rifle. “Tinha equipe, tinha câmera, tinha fotógrafo. Tinha todo o maquinário que um set de cinema envolve”, demarca o diretor, formado em cinema, pela PUC de Porto Alegre. Produtor de laboratório de longas, num aparato que chega à segunda edição, com o Plataforma Lab, desde 2009, Pretto é curador e realizador de mostras, um operário do audiovisual que não se diz “muito voltado para esta coisa de prêmio”. Quem sabe muda de opinião, com o 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro...


Divulgação/Festival de Brasília



Os curtas da noite

Ótimo amarelo
(Bahia, 20 minutos, classificação indicativa livre)
O baiano Marcus Curvelo dirige e protagoniza o curta, uma história que acompanha o personagem principal em sua volta a Salvador, após uma tentativa frustrada de viver fora da Bahia. Em meio a um cenário de gentrificação (processo no mercado imobiliário de revitalizar uma região periférica), o protagonista se atualiza sobre as transformações na cidade que abandonou enquanto questiona as mudanças urbanas e pessoais.

Quando os dias eram eternos
(São Paulo, 12 minutos, classificação indicativa livre)
Marcus Vinicius Vasconcelos, diretor do curta feito em animação, está curioso para receber a reação do público, na primeira participação no festival. Integrante de O menino e o mundo, fita de Alê Abreu que foi indicada ao Oscar, Marcus conta que o novo curta trata do destino de jovem rapaz que volta para casa para cuidar da adoentada mãe.

O Correio no festival
Além da cobertura diária no jornal impresso, a equipe do Correio produzirá conteúdo ao vivo sobre o Festival e um hotsite criado especialmente para o evento. Nas páginas oficiais do Facebook do Correio (Correio Braziliense) e da Editoria de Cultura (Cultura Correio Braziliense), transmissões ao vivo diretamente do Cine Brasília e um programa diário sobre a festa do cinema brasileiro farão parte da cobertura. No Snapchat, os perfis snapcorreio e culturacb trarão flashes de tudo o que movimentar o festival. Além disso, os perfis do Twitter (@correio e @CulturaCB) ou com a #cbnofestival; e no Instagram (@cbfotografia) completam a programação. O hotsite com toda a cobertura, programação e vídeos do festival é ttp://www.correiobraziliense.com.br/especiais/festival-de-brasilia.

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