Em 'A cidade onde envelheço', Marilia Rocha traduz relações históricas entre Brasil e Portugal

'No mapa imaginário construído pelo filme, Belo Horizonte e Lisboa, apesar de tão distantes, parecem conectadas por um impulso comum que inquieta os personagens', contou a diretora ao Correio sobre o longa que será exibido hoje

postado em 23/09/2016 10:19 / atualizado em 23/09/2016 10:26

Adriana Izel

Anavilhana/Divulgação

O filme mineiro em coprodução do Portugal, A cidade onde envelheço, é uma dos longa-metragens na disputa na mostra competitiva do 49ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com direção de Marilia Rocha, a fita está na sessão desta sexta-feira (23/9), às 21h30, no Cine Brasília (Asa Sul). Confira abaixo entrevista com a diretora e com a produtora do filme Luana Melgaço.

Qual foi a inspiração para criar a história de A cidade onde envelheço?
Marilia Rocha: Tudo começou quando conheci a Francisca Manuel, que passava uma temporada em Belo Horizonte e tentava permanecer como imigrante na cidade. Logo no início me senti atraída pelas forças opostas que se chocavam em seu coração lusitano, uma irresistível vontade de partir e um desejo simultâneo de voltar para casa. E percebi que quem vive este paradoxo nunca estará confortável em sua terra nem fora dela. No filme, os dramas das protagonistas Teresa e Francisca acabam traduzindo movimentos mais amplos, que envolvem as relações históricas e simbólicas entre Brasil e Portugal. No mapa imaginário construído pelo filme, Belo Horizonte e Lisboa, apesar de tão distantes, parecem conectadas por um impulso comum que inquieta os personagens, uma espécie de espírito de navegação - cujo dilema é, sempre, ficar ou partir.



O filme foi feito em coprodução com Portugal. Como funcionou essa parceria?

Luana Melgaço: A coprodução com Portugal aconteceu de uma forma muito genuína no desenvolvimento deste projeto e possibilitou uma profunda colaboração técnica e artística desde a pesquisa até a pós produção. João Matos, produtor da Terratreme, foi-nos apresentado pelo montador Francisco Moreira, que já tinha trabalhado com a Marília no seu longa anterior (A falta que me faz, 2009). A partir daí, começamos uma pesquisa para a personagem “Teresa” em Lisboa, realizada pela Leonor Noivo, também sócia da Terratreme. A produtora portuguesa nos ofereceu sua estrutura para a montagem do filme e fez os principais contatos para pós-produção de imagem e som. Juntos, buscamos financiamento em fundos internacionais e fomos premiados com o World Cinema Fund Europe, fundo do Festival de Berlim que apoia projetos de países como o Brasil, desde que tenham um coprodutor europeu. A relação entre os dois países está na essência do filme e também no seu desenho de produção.

Como vocês receberam a indicação do filme para a mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro?
Marilia Rocha: Ficamos especialmente contentes em ter um filme em Brasília este ano em que a tradição do Festival foi aliada a uma programação que deseja olhar para frente e apontar ao o que há de mais pungente na produção brasileira atual. Ainda não conheço os demais selecionados da mostra competitiva, todos inéditos no Brasil, mas me pareceu uma seleção de peso e já temos bons motivos para comemorar.



49ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Mostra competitiva, no Cine Brasília (EQS 106/107)
Às 19h – Solon e O último trago
Às 21h30 – Constelações e A cidade onde envelheço
Ingressos a R$ 6 (meia) e R$ 12 (inteira).

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